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Mistura pode estar errada


BiodieselBR.com - 05 jun 2010 - 09:40 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:05
Rosiane Correia de Freitas, de Curitiba

Para economizar em transporte, algumas distribuidoras do país podem estar fraudando o programa de biodiesel e lesando o consumidor. Segundo o presidente da BR Distribuidora, José Lima Neto, algumas empresas estariam operando da seguinte maneira: ao invés de distribuir o combustível comprado nos leilões da ANP de forma a atender a mistura obrigatória de 5% no diesel em todas as regiões do Brasil, as distribuidoras levariam o biodiesel apenas a um ponto para fazer a mistura.

Com isso, nos postos que recebem o combustível do local onde ocorreu a mistura exagerada há biodiesel além do que é previsto na legislação nacional. Porém, em outros lugares aonde o biodiesel simplesmente não chegou devido ao golpe da empresa, o consumidor compra o suposto B5 com 0% de biodiesel.

O problema é que a fraude é difícil de ser detectada, já que é preciso ir de posto em posto fazendo a coleta de amostras do material, e os testes só podem ser feitos em um laboratório. Ou seja, custa tempo e dinheiro.

Em todo caso, a Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo decidiu correr atrás dos possíveis fraudadores e iniciou em março uma fiscalização para saber se os porcentuais adicionados estão corretos. Os alvos da operação incluem postos, distribuidoras e transportadoras.

Além da adição do biodiesel, os fiscais vêem ainda se o diesel interiorano, que contém mais enxofre, está sendo vendido na capital ou em cidades próximas, onde por lei é necessário vender um combustível com menor porcentual de poluentes. A presença de outras substâncias no combustível também é fiscalizada.

As fiscalizações estão sendo feitas por agentes treinados da secretaria que recolhem três amostras do combustível suspeito em cada local. Depois disso, o material é enviado para análise no laboratório da Universidade de Campinas (Unicamp), que tem cadastro legal para fazer esse tipo de trabalho. Quem for pego fraudando o combustível perde a licença para operar.