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Entrevista: Rafael Menezes, coordenador do MCT


BiodieselBR.com - 29 mar 2010 - 14:30 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 10:51
Rafael Menezes, do Ministério de Ciência e Tecnologia, fala dos esforços do governo e da comunidade científica para resolver os principais gargalos tecnológicos do setor

Alice Duarte, de Curitiba

Coordenador das ações de desenvolvimento energético do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Rafael Silva Menezes é um dos responsáveis pelo crescimento e pela intensa mobilização da Rede Brasileira de Tecnologia em Biodiesel (RBTB), cuja coordenação assumiu há dois anos. Nessa entrevista, ele explica de que forma o governo federal está apoiando as pesquisas no setor e em que áreas temáticas os pesquisadores estão concentrando seus esforços.

Menezes ressalta que os brasileiros têm publicado artigos científicos sobre biodiesel em quantidade e qualidade igual e até superior aos europeus e americanos.

A posição do Brasil nessa área, segundo ele, deve se destacar ainda mais, visto que o número de pesquisadores interessados em desenvolver estudos com o biocombustível cresce a cada ano. Ele também ressalta outro aspecto positivo, que é o aumento da integração entre pesquisadores e a iniciativa privada. “Já é possível observar excelentes resultados”, diz.

Revista BiodieselBR Antes da RBTB, você esteve na Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica, onde acompanhou o desenvolvimento e a implantação de agropólos e arranjos produtivos. Com o que você pôde observar, de que forma seria possível estimular a formação de pólos produtivos de oleaginosas envolvendo a agricultura familiar no país?
Rafael Menezes
O estabelecimento de pólos produtivos, com definição de regiões específicas de atuação, é uma estratégia interessante para se intensificar a participação da agricultura familiar no PNPB. Várias estratégias adotadas na metodologia de implantação de agropólos e de APL’s [Arranjos Produtivos Locais] poderiam ser utilizadas na estruturação desses pólos produtivos. Contudo, no quesito inclusão social, a participação da agricultura familiar dependerá do desenvolvimento da capacidade organizativa dos agricultores. A formação de associações e cooperativas de produtores que instalem unidades de esmagamento de matérias-primas, por exemplo, será essencial para o sucesso do desenvolvimento desse tipo de metodologia. Muitas instituições, como a Embrapa Agroenergia, e governos estaduais, como Goiás e Pernambuco, já estão estruturando APL’s de biodiesel.

Como a saída de Breno França em 2006, então coordenador geral de tecnologias setoriais dentro do MCT, afetou a coordenação da RBTB?
Rafael Menezes
Tanto o Breno França como o Claudio Júdice desenvolveram um excelente trabalho no início das atividades da RBTB. No período entre a saída do Breno e minha chegada, em fevereiro de 2008, muitas ações importantes foram estruturadas. Para se ter uma idéia, em 2007 o MCT, além de ter realizado o 2º Congresso da RBTB, estruturou um amplo programa de capacitação da Rede de Caracterização e Controle da Qualidade de Biodiesel, com recursos investidos da ordem de R$ 16 milhões. Esse programa teve como principal ação o Projeto Celab (Confiabilidade de Ensaios Laboratoriais em Biocombustíveis) sob a coordenação da Fundação Certi, que está realizando um excelente trabalho de capacitação junto a 37 laboratórios visando a realização de ensaios e análises de acordo com requisitos internacionalmente aceitos, além da acreditação junto ao Inmetro. O que acontece é que a maioria das ações não ocorre de forma imediata. Desde o planejamento até sua efetiva execução, existem alguns caminhos a serem percorridos, e isso leva algum tempo. Após a saída do Breno, cabe ressaltar todo o apoio do Adriano Duarte – atual coordenador geral de Tecnologias Setoriais da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico (Setec) –, do Eduardo Soriano, do Elzivir Guerra e da Maria Teresa na continuidade das ações da RBTB.

Qual é a diretriz para o repasse de recursos destinados às pesquisas em biodiesel?
Rafael Menezes
A atuação do MCT objetiva organizar e fomentar a base tecnológica existente no país e norteá-la para gerar resultados que atendam às demandas do PNPB, tais como aumentar a produtividade e a competitividade na cadeia produtiva do biodiesel, com a garantia da qualidade no produto final e com rotas tecnológicas apropriadas à geração de empregos e ao desenvolvimento regional. Desde 2005, com o apoio dos pesquisadores da RBTB, o MCT promove reuniões setoriais, seminários, congressos científicos e estudos com o objetivo de avaliar as ações em execução no âmbito da Rede e de identificar novos gargalos que venham a surgir durante a evolução do PNPB e que necessitem de investimentos em PD&I. Os investimentos em PD&I estão sendo executados através de encomendas e editais (CNPq e Finep), em função das prioridades definidas no Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (Pacti 2007-2010), de forma articulada com as ações de outros órgãos do governo federal e governos estaduais – notadamente Embrapa, Petrobras e ANP – e com as empresas privadas.
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