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Ubrabio: Biodiesel: a força da matéria-prima


BiodieselBR.com - 23 nov 2007 - 13:58 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:33


O mundo acaba de acompanhar a reunião do chamado G20, o grupo dos países mais industrializados do planeta. No centro das preocupações, o aquecimento global e as formas de evitá-lo. Tema que indiretamente (e ainda de forma quase velada) leva à tardia constatação de que são cada vez mais intoleráveis os danos causados ao meio ambiente pela contínua e excessiva queima de combustíveis de origem fóssil.

Nesse contexto, mais uma vez o Programa Brasileiro de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) ganha força. Aumentar na matriz energética mundial a participação de um combustível mais limpo, menos danoso ao ambiente, que respeita mais a saúde das pessoas e renovável é um avanço de dimensão sem precedentes.

Fica cada vez mais patente também que o leque de opções para a produção do biodiesel é tão amplo que é praticamente impossível não se vislumbrar no Brasil uma diversificação considerável das matérias-primas utilizadas nessa produção.

As dimensões do país, o clima favorável ao plantio e a abundância de recursos hídricos podem nos proporcionar o aproveitamento de grande parte dos cerca de 40 tipos de oleaginosas capazes de gerar o biodiesel.


Alternativas

Hoje a soja responde por 78% da produção brasileira de biodiesel. Mesmo com o baixo teor de óleo, 18%, ela já tem a logística e o ciclo tecnológico desenvolvidos de forma a atender, como têm atendido, a demanda do mercado.

Mas pelo menos quatro dezenas de outros tipos de produtos podem ser cultivados no Brasil com resultados satisfatórios. Estudos da Embrapa apontam que algumas culturas, como o dendê e a macaúba, têm alto potencial de geração de óleo. Assim como o pinhão-manso, também de grande capacidade.

O dendê pode gerar até cinco toneladas de óleo por hectare ao ano. E o seu processamento gera um subproduto, a torta, que é matéria-prima para ração animal, sem esquecer os resíduos sólidos capazes de gerar energia térmica ou elétrica.

A macaúba ainda não tem produção sistematizada no Brasil, apenas “focos” de plantações, principalmente em Minas Gerais. Mas as pesquisas da Embrapa indicam um potencial de rendimento anual de até 3 t/ha.

O pinhão-manso, com capacidade de produção de óleo que pode chegar a 1,5 t/ha/ano, traz duas importantes vantagens na cadeia produtiva: é resistente, cultivado em várias regiões de país – o que facilita a distribuição – e sua colheita manual incentiva a mãode- obra familiar.

Não podemos esquecer outras oleaginosas que se deram bem no solo brasileiro, como a mamona, o girassol, o amendoim, o algodão e até a canola, mais adaptada às regiões frias do Sul. E ainda temos o sebo animal, que, segundo a ANP, em junho de 2009 já respondeu por quase 15% da produção do biodiesel brasileiro.

Tudo isso mostra a importância de continuarmos investindo em pesquisa para criar e consolidar novas técnicas e desenvolver cada vez mais as cadeias produtivas.

Os resultados não serão imediatos, exigem um prazo de maturação. Mas vão manter o país no rumo certo: o de dar ao mundo um combustível limpo e renovável. As novas matérias-primas vão aumentar o potencial de produção e melhorar a qualidade de vida e o nível de renda de um enorme contingente de produtores familiares.

O futuro já bate à porta.

A Ubrabio é a associação representativa das usinas de biodiesel, atuando na interlocução entre o governo e as empresas.