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Pinhão-manso: Resultados preliminares


BiodieselBR.com - 18 nov 2007 - 14:27 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:23
Resultados preliminares
As investigações científicas acerca do pinhão-manso estão em franco desenvolvimento e os pesquisadores já apresentam alguns resultados que permitem começar a traçar um perfil da espécie. A primeira delas é que a jatropha não será, sem condições técnicas adequadas, a salvação do Semi-Árido brasileiro. “No início, o pinhão-manso foi descrito como uma planta rústica, que podia se plantar em qualquer lugar, altamente resistente à seca. Mas o que estamos verificando é algo completamente diferente”, explica Bruno Laviola. “A jatropha é como qualquer outra cultura: para que seja economicamente viável, é necessária a aplicação de tecnologia. Tem que ter manejo, adubação, água de chuva ou de irrigação. É possível plantar o pinhão-manso no Semi-Árido; a planta não morre, mas também não vai produzir satisfatoriamente”.

A umidade, portanto, é um fator já conhecido e determinante para o desenvolvimento do pinhão-manso: há ganhos de produção quando a média anual da umidade relativa do ar fica acima de 50%. De acordo com o engenheiro florestal Ricardo Almeida Viégas, pesquisador do IFT e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), os Estados de Mato Grosso e São Paulo, além de regiões de altitude elevada do Nordeste e o SemiÁrido nas condições de inverno, seriam propícios para o cultivo. “O pinhão-manso produz o ano todo. Mas percebemos que, quando não chove, o enchimento da semente fica prejudicado”. Para encontrar um genótipo que seja eficiente em condições de baixa pluviosidade, o IFT está fazendo enxertos de pinhão-manso em pinhão-bravo, natural do sertão nordestino, com resultados promissores, que serão testados em outros lugares. “Um dos nossos objetivos é trabalhar para subsidiar o pequeno agricultor. Queremos mostrar que a jatropha é viável aqui, que a pesquisa pode encontrar caminhos para as dificuldades encontradas, e torná-la uma planta rentável para o agricultor do Semi-Árido”, diz o pesquisador.

A qualidade do solo e a adubação também são apontadas por Viégas como condições imprescindíveis para a produtividade. “A jatropha é uma planta que produz quando você dá condições, e uma dessas condições é elevar a fertilidade natural do solo”. Nos experimentos do IFT, existem plantios em solos limitados, com profundidade de 40 centímetros, como também em solos com dois metros de profundidade, que indicam que a oleaginosa é bem adaptada neste quesito, embora aquelas plantadas em solo mais profundo apresentem melhor desempenho.

Ainda não há dados concretos em relação à produtividade real, segundo Laviola, mas já é sabido que o pinhão-manso tem potencial para produzir mais de 1.500 quilos de óleo por hectare a partir do quarto ano de idade. O número é próximo da produção média registrada pela ABPPM e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Mas a expectativa dos pesquisadores é muito maior. Viégas acredita ser possível chegar a duas colheitas anuais homogêneas, totalizando seis toneladas de grãos por hectare ao ano.

Desafios
As pesquisas no âmbito do pinhão- manso se debruçam sobre os principais gargalos na produção: a frutificação heterogênea e a agregação de valor a subprodutos. O pinhão-manso pode produzir até sete vezes por ano, encarecendo os gastos com mão-de-obra. A Embrapa investe no melhoramento genético, com aplicação de fito-hormônios, para que a planta tenha uma produção mais concentrada. Já o IFT desenvolveu a técnica da poda foliar, na qual a planta é induzida à perda de folhas por falta de água ou com o uso do próprio óleo. Depois de um período de descanso, o metabolismo volta a ser ativado com chuva ou irrigação, resultando numa produção mais homogênea em relação ao tamanho e maturação dos frutos e aumento de inflorescências.

A toxidade da torta do pinhão- manso é um entrave para o aproveitamento dos subprodutos: o resíduo da extração apresenta componentes tóxicos e fatores antinutricionais que impedem o seu uso direto na nutrição animal, sendo o éster de forbol o mais tóxico e letal e, por isso, foco das pesquisas de desintoxicação. Numa das linhas de estudo da Embrapa, sob o comando da pesquisadora Simone Mendonça, vários processos químicos e biológicos estão sendo testados, mas como a tecnologia ainda não está desenvolvida, é impossível prever se será ou não economicamente viável.

Em outra frente, também se pesquisa a possibilidade de eliminar a toxina pelo melhoramento genético. “No México, existem genótipos de pinhão-manso que apresentam baixa ou nula concentração de éster de forbol nos grãos. Vamos incorporar esses genótipos no programa de melhoramento para o desenvolvimento de cultivares não-tóxicas. A torta já sairia livre do éster de forbol, o que viabilizaria aparentemente o seu uso na nutrição animal”, explica Laviola.

Outra técnica, desenvolvida para eliminar a toxidade da torta de mamona, é apontada por seu criador como uma possibilidade para o pinhão-manso. Entre as décadas de 1960 e 70, Richard Fontana, então pesquisador na área de química de processos em uma empresa multinacional, obteve êxito na desintoxicação da torta de mamona utilizando condicionamento físico-químico, pressão, controle de temperatura, umidade, extrusão física e interação com produtos químicos. Ele explica que a toxidade em residuais de processamento industrial de sementes oleaginosas, a exemplo da mamona e do pinhão manso, se dá através de aminoácidos, aminas, terpenos e alérgenos análogos. Assim sendo, a tecnologia utilizada para eliminação ou grande redução destes componentes em residuais protéicos deste tipo de sementes poderá ser aplicada tanto em um como em outro, “com possibilidades quase que totais de resultados idênticos”, diz. No entanto, Fontana alerta para o alto custo da desintoxicação: ele acredita que giraria em torno de US$ 8 por tonelada de produto processado, em escala industrial, com operação mínima de cem toneladas por dia.