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Eliminando o NOx


BiodieselBR.com - 17 dez 2009 - 12:40 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:33
Estudos apontam aumento nas emissões de óxidos de nitrogênio com o uso do biodiesel, mas poluente pode estar com os dias contados

Alice Duarte, de Curitiba


Os óxidos de nitrogênio (NOx) são um dos principais componentes da poluição atmosférica e existe muita controvérsia sobre as emissões desse composto quando o assunto é o aumento do uso de biodiesel. Os estudos mais aceitos pela comunidade científica partem da realidade americana e mostram que os níveis de geração de NOx com o biodiesel podem ser de 1% a 15% maiores em comparação com o diesel mineral.

Mas o que é que faz o biodiesel elevar os níveis de NOx? Alguns especialistas defendem que essa elevação é causada pelo teor de oxigênio do biodiesel. A presença de mais oxigênio nos ésteres resulta em um maior volume modular do combustível, o que lhe confere uma tendência a acelerar a temporização do motor.

Já um relatório do Laboratório Nacional de Energias Renováveis (NREL, na sigla em inglês), intitulado “Soluções para o NOx do Biodiesel”, afirma que a geração de NOx está relacionada com o teor de saturações nos metil-ésteres de ácido graxo – quanto maior a saturação, menores as emissões do composto. Não existe ainda um consenso sobre o assunto e os estudos feitos no Brasil ainda são escassos e altamente necessários. Mas a boa notícia é que já existem avanços tecnológicos (e jurídicos) que prometem reduzir drasticamente essas emissões.

Novas tecnologias oferecem pelo menos três amplas formas de restringir o composto. Uma delas é o uso de aditivos e outros componentes químicos, que buscam reduzir a temperatura de combustão. A desvantagem nesse caso é que ocorre um aumento das emissões de material particulado (MP). Mas até para isso há uma solução: já estão disponíveis no mercado produtos químicos (renováveis) que reduzem com eficácia os níveis de NOx, sem causar um aumento equivalente nos níveis de MP.

Outro tratamento pode ser feito através de ajustes na temporização do motor diesel e o uso de sensores de injeção. A mudança na temporização altera o processo de combustão, fazendo com que ela ocorra em temperaturas não tão altas e resultando numa taxa menor de oxidação do nitrogênio. Embora isso reduza o NOx, no entanto, não resolve o problema pela raiz.

Já a terceira frente de combate são os sistemas de pós-tratamento da exaustão. Existem filtros de partículas diesel e dispositivos para controle de NOx, como a recirculação de gases de exaustão, os coletores ou absorventes de NOx (mais usados nos Estados Unidos) e o processo de redução catalítica seletiva (mais comuns na Europa). Testes realizados com coletores e redutores catalíticos seletivos apresentaram queda de até 90% nos níveis desse poluente.

Especialistas apontam que a melhor opção para reduzir as emissões dos óxidos de nitrogênio é efetuar o pós-tratamento da exaustão do motor, em conjunto com a regulagem da sua combustão. No entanto, Horst Bergmann, consultor na área de tecnologias para veículos pesados da alemã FEV Motorentechnik, advertiu durante o 6º Fórum SAE Brasil que os sistemas de pós-tratamento são tão ou mais caros que o próprio motor.

Todas essas tecnologias já disponíveis em países ditos desenvolvidos ainda não chegaram ao Brasil, que está atrasado na implementação das normas Euro para a redução das emissões nos veículos. “A maior parte da frota brasileira é ainda Euro 0”, diz Bergmann.

A partir de janeiro de 2012 a história deve ser diferente. É quando entra em operação a fase P-7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) – equivalente à norma Euro 5 –, que impõe novos limites máximos de emissão de poluentes para motores a diesel no Brasil.

À medida que esses avanços tecnológicos, resultantes da adequação às novas resoluções federais, cheguem aos consumidores, espera-se que as discussões sobre as emissões dos NOx do biodiesel e do diesel sejam encerradas.
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