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Craqueamento: Adição e Viabilidade


BiodieselBR.com - 25 nov 2007 - 14:02 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:17
Adição
Outra linha de pesquisa ligeiramente diferente é tocada por duas instituições diferentes: a Petrobras e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ. A idéia aqui é somar desde o início o diesel mineral com o combustível orgânico obtido pelo craqueamento. E a técnica utilizada é o craqueamento simultâneo dos dois materiais. Funciona assim: a primeira fase do aquecimento envolve apenas o petróleo. O material é aquecido e obtém- se o diesel de craqueamento. A partir daí, vem a inovação. Ao diesel obtido, adiciona-se óleo ou gordura de origem orgânica antes da segunda etapa do craqueamento – um novo aquecimento feito para reduzir o teor de enxofre no combustível.

Na Petrobras, a proposta é reduzir a quantidade de petróleo necessária para produzir o diesel tradicional, uma medida útil especialmente nos momentos em que o barril de petróleo sobe de preço, como aconteceu recentemente. No entanto, segundo a estatal, o processo – conhecido como H-Bio (veja gráfico) – continua em fase de estudos no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes) e de teste em duas refinarias, em Betim (Regap) e em Paulínia (Replan). Ainda não se sabe se o processo terá produção comercial.

Pesquisa semelhante é feita nos laboratórios da UFRRJ, conta o professor Hélio Fernandes Machado Júnior, um dos responsáveis pelo projeto. A pesquisa tem financiamento do CT Infra, o Fundo de Infra-estrutura do MCT. “Estamos trabalhando com óleo de soja e milho, procurando rotas e processos que possam levar à produção de combustível”, diz. “O que estamos produzindo é diesel mesmo. E não tem subproduto, como no caso do biodiesel com a glicerina”, diz ele. O que se forma no processo, além do combustível, é o coque, um resíduo sólido semelhante ao carvão que pode ser reaproveitado nas caldeiras da própria refinaria.

Para Machado, a vantagem do processo estudado na universidade é que ele utiliza exatamente os mesmos equipamentos das refinarias tradicionais de diesel. Ao invés de montar uma usina nova, portanto, bastaria introduzir no mesmo maquinário o óleo vegetal já preparado (é preciso primeiro retirar a acidez).

Segundo o pesquisador, o “novo diesel” teria algumas vantagens importantes em relação ao biodiesel tradicional. Não usa metanol, que é tóxico; ajuda o meio ambiente, se for produzido a partir de óleo vegetal reciclado; e não forma a glicerina, que hoje ainda tem pouca aceitação no mercado.

Viabilidade
Apesar de ter idade semelhante ao biodiesel, o diesel renovável está muito mais longe de virar realidade nos tanques de combustível do país. É que o diesel produzido por craqueamento de óleos vegetais ou gorduras animais é semelhante ao diesel mineral, mas não pode ser chamado de diesel porque não é derivado de petróleo, como está determinado nas normas da ANP. Por outro lado, é produzido a partir de matéria-prima orgânica, mas também não é um éster de ácido graxo como o biodiesel descrito na regulamentação da agência.

“É um combustível sem regulamentação. Ou seja, qualquer teste, qualquer produção tem que ser autorizada pela ANP”, alerta Paulo Suarez, da UnB. E a determinação de normas para produção de diesel renovável por craqueamento ainda está longe de acontecer. “Acreditamos que as iniciativas ainda se encontram em escala piloto e em volumes considerados de pequena relevância”, informou a ANP.

A resolução ANP nº 19/2007 estabelece regras para a concessão de autorização de uso de combustível não especificado quando o consumo mensal supera 10 mil litros. Porém, até o momento, não há qualquer solicitação de autorização para uso deste tipo de diesel perante a agência.

A ANP também informou que em 2008 obteve informações de que o diesel renovável não atenderia plenamente às características estabelecidas na resolução ANP nº 15/2006. Para o órgão, são necessários mais testes e pesquisas para que seu desempenho em motores possa ser analisado.