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Boom no setor


BiodieselBR.com - 16 nov 2009 - 13:47 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:33
Confiantes com a entrada o B5, indústrias pisam no acelerador e devem ampliar a capacidade instalada em mais de 1 bilhão de litros até 2010

Alice Duarte, de Curitiba

A indústria de biodiesel está inaugurando uma vigorosa fase de investimentos. Principalmente agora, depois da confirmação por parte do governo federal de antecipar o uso do B5 de 2013 para 2010. Recentemente o portal BiodieselBR.com foi inundado com anúncios de ampliações e construções de usinas, que, se não houver recuo, somarão no curto prazo mais de 1 bilhão de litros de capacidade. Nesse novo boom do mercado, o que chama a atenção é a preferência dos investidores pelo Rio Grande do Sul. Todos de olho na grande oferta de matéria-prima e nos incentivos fiscais. A estratégia tem sido cada vez mais a verticalização da produção, com a entrada de novas empresas do setor de grãos e óleos vegetais.

Se contarmos somente as ampliações e construções, a capacidade instalada da indústria gaúcha vai saltar de 864 milhões de litros para quase 1,5 bilhão de litros já no ano que vem. Preparam- se para desembarcar na região a Olfar Comércio de Óleos Vegetais, a Camera Agroalimentos e a Bianchini. O Estado vem se firmando como o maior produtor de biodiesel do Brasil, atualmente com a presença de quatro grandes usinas: Oleoplan, Granol, BSBios e Brasil Ecodiesel.

O último anúncio veio da Bianchini, empresa de capital nacional que atua há mais de 40 anos no beneficiamento de soja em grão, que construirá uma usina em Canoas (RS) com capacidade para produzir 288 milhões de litros de biodiesel ao ano. A previsão é que em junho de 2010 a unidade entre em funcionamento. Caso isso se confirme, a planta industrial ficará entre as maiores da América Latina.

A Olfar, também do setor de grãos, pretende colocar sua usina em operação na cidade de Erechim (RS) até o final deste ano. Serão mais 198 milhões de litros ao ano no Estado. Outra unidade, de 108 milhões de litros/ano, está sendo erguida pela Camera em Ijuí (RS). A previsão é que a usina seja inaugurada em abril de 2010.

Centro-Oeste

Depois do Rio Grande do Sul, os Estados de Goiás e Mato Grosso são os que mais estão atraindo investimentos. A Caramuru Alimentos, uma das principais empresas de processamento de grãos de capital nacional, anunciou que irá construir sua segunda usina de biodiesel em Goiás, no município de Ipameri, com capacidade para produzir 110 milhões de litros/ ano. O plano é colocá-la em operação em junho de 2010. Somada com a outra unidade produtiva instalada em São Simão (GO), a Caramuru eleva sua capacidade para 300 milhões de litros/ano.

O Estado também terá em breve outra usina de peso. É a Bionasa, de Porangatu, cuja unidade está sendo projetada para operar com até 264 milhões de litros/ano.

Na esteira de ampliações vem a Binatural, de Formosa (GO). A empresa obteve autorização em setembro para aumentar a capacidade da usina de 30,2 para 108 milhões de litros por ano. Na mesma ocasião, a ANP autorizou o aumento da capacidade produtiva anual da usina Biopar Parecis, de Nova Marilândia (MT), de 12,9 para 36 milhões de litros, e da Transportadora Caibiense, em Rondonópolis (MT), de 5,4 para 36 milhões de litros. E ainda temos a Brasil Bioenergia, em Nova Andradina (MS), com capacidade planejada de 100 milhões de litros por ano.

Com tanta capacidade, vai dar para atender ao B5 com muita folga. O perigo está na ociosidade da indústria voltar a níveis alarmantes, acirrando a competição nos leilões. Agora resta saber se a oferta de matéria-prima caminhará na mesma velocidade.