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Biotins: Testes e logística


BiodieselBR.com - 25 nov 2007 - 15:57 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:14
Testes
Mesmo as lavouras não estando com maturidade de produção, a Biotins colheu este ano um pouco de pinhãomanso para testes, que renderam 2 mil kg/ha. Com a quantidade colhida, a empresa fabricou biodiesel e o resultado foi satisfatório. “O pinhãomanso é realmente excelente, seu óleo é espetacular”, afirma Bundyra. O diretor diz que a única surpresa foi na extração do óleo, que pareceu ser um pouco mais complicada do que imaginavam. “A extração gera finos [pequenas partículas de casca e do próprio albúmen] e o óleo tem uma tendência a ficar mais ácido. É necessário um pouco mais de cuidado”.

Na colheita do próximo ano, a expectativa é alcançar o rendimento máximo e, assim, triplicar a capacidade de produção da fábrica. Se hoje ela tem capacidade autorizada da ANP para produzir 9,7 milhões de litros/ ano, em 2010, com o pinhão-manso atingindo produção comercial, espera- se ampliá-la para 27 milhões de litros/ano. E em 2011 a estimativa é que a produção alcance 50 milhões de litros/ano. A empresa espera que o pinhão-manso represente 50% de toda matéria-prima necessária para a produção da indústria.

Além de matéria-prima disponível, investimentos na usina serão indispensáveis para que a Biotins alcance suas metas de produção. A empresa produz em uma fábrica modular, que tem a vantagem de ser automatizada. “Elas são compactas, enxutas. Conseguimos produzir bastante sem muita mão-de-obra”, diz o gerente industrial da empresa e engenheiro mecânico, Hugo Dominiquini, que se mudou de São Paulo para o Tocantins em junho de 2007 para ajudar no projeto de criação. Hoje ele acredita que, além do pinhão-manso, a unidade modular é um dos principais diferenciais que possuem.

A primeira unidade produtora, comprada em 2007, foi importada da Áustria e demorou mais que o esperado para ser entregue. Como era a primeira vez que um equipamento deste tipo entrava no país, a empresa teve que enfrentar a burocracia da alfândega brasileira e esperar quatro meses pela sua liberação. Conseqüentemente, o início da produção de biodiesel também atrasou. “Não conseguimos entrar no primeiro leilão de 2008, como estava previsto, mas no final o atraso acabou nos ajudando. Os preços no começo daquele ano estavam bem ruins, foi sorte não participar”, recorda Bundyra.

A segunda unidade de produção foi entregue este mês e a terceira deve embarcar para o Brasil nas próximas semanas. A empresa aproveitou as condições favoráveis da crise econômica mundial para comprar os equipamentos. Exceto essas máquinas, todo o resto da tecnologia da Biotins é própria e nacional. Ao todo, o investimento já soma mais de R$ 15 milhões, entre máquinas, fomento e financiamento do pinhão-manso. Segundo Dominiquini, a idéia de crescimento sempre foi modular. “A capacidade de produção está vinculada ao fornecimento de matéria-prima”, diz. O próximo investimento da empresa é a compra de uma esmagadora. A previsão é iniciar a extração própria já para a safra do ano que vem.

Para a produção deste ano, a atual capacidade de armazenamento da empresa é suficiente, mas novos tanques serão necessários para 2010. Hoje, a Biotins consegue armazenar 330 mil litros de biodiesel. A promessa de produzir biodiesel de pinhão-manso também levará a empresa a investir em mão-de-obra direta. Entre profissionais agrícolas, de operação e manutenção, o número atual de funcionários diretos é 32, e todos eles passaram por um treinamento interno. “No começo foi difícil. Tocantins ainda é um Estado muito novo, está no começo da sua industrialização e agora é que há alguns cursos técnicos e faculdades”, explica Dominiquini.

Logística
Paraíso do Tocantins localiza-se no centro do Estado, a 68 quilômetros da capital Palmas, e possui 42 mil habitantes. A Biotins é a única empresa de sociedade anônima da cidade e no Tocantins só disputa espaço com a Brasil Ecodiesel, localizada em Porto Nacional. “Queremos crescer e chegar perto das grandes. Este não é um setor que comporta empresas pequenas”, explica Bundyra. Para ele, além do plantio do pinhão-manso, a pouca concorrência e a boa logística fazem a região ser ainda mais interessante. A Biotins está localizada na rodovia Belém-Brasília, a BR-153, o que facilita o escoamento do produto. No futuro mercado de comercialização direta, esse diferencial vai significar vantagem competitiva.

Após consolidar a usina de Paraíso do Tocantins – alcançando a capacidade de produção de 50 milhões de litros/ano –, o plano da Biotins é construir outras duas unidades produtivas. A idéia é investir em Alvorada, no sul do Estado, e também em Araguaína, no norte. Bundyra diz que a empresa tem sempre que pensar em otimizar a produção e ficar de olho na dinâmica do mercado. “Buscamos sempre compreender como o mercado estará daqui para frente, quais serão suas variáveis e como será a comercialização do biodiesel”. Ele afirma que a área exige muito planejamento e que, por estar em desenvolvimento, é comum aparecem novidades e muitos problemas para serem resolvidos. “É um setor desafiador. Depois de três anos com a Biotins tenho a impressão de que nunca fiz mais nada na vida”, diz.