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Perfil da usina de biodiesel: Biotins


BiodieselBR.com - 21 dez 2009 - 09:45 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:15
Até 2011, a Biotins espera aumentar em cinco vezes sua capacidade instalada, quando as lavouras de pinhão-manso entrarem em franca produção

Bruna Tiussu, de São Paulo

Em meio a tantas estratégias de mercado e diferentes perfis de usinas de biodiesel que coexistem hoje no Brasil, a Biotins, Companhia Produtora de Biodiesel do Tocantins, se destaca pelo pioneirismo e pela ousadia empresarial. É uma das primeiras do setor a enxergar o potencial e a investir na produção em larga escala do pinhão-manso – espécie cujo domínio tecnológico é baixo e que ainda está em processo de domesticação no país. De caráter familiar, o projeto de criação da empresa começou em março de 2007, no município de Paraíso do Tocantins (TO), onde o clima é ideal para o plantio da oleaginosa. A produção de biodiesel é constante desde junho de 2008 – a Biotins já entregou cerca de 5,38 milhões de litros (2,5 milhões este ano) – mas o biocombustível ainda é fabricado a partir de um mix de óleos de matérias-primas tradicionais, como soja, algodão, sebo e girassol. Porém, a estimativa é que no próximo ano o óleo do pinhãomanso passe a ser a principal matéria- prima da indústria.

A Biotins possui 4 mil hectares plantados e tem um plano de expansão da cultura. A meta é chegar a 50 mil hectares de produção própria e de pequenos produtores e ampliar o número de agricultores familiares produzindo para alcançar 9 mil hectares. Por ser uma espécie de ciclo longo, é no quarto ano que a Jatropha curcas L. alcança a maturidade de produção, podendo chegar a 5 mil quilos de sementes por cada hectare. As plantações mais antigas que a empresa possui estão no terceiro ano, por isso a expectativa é grande para 2010. “O pinhãomanso nos deixa bem animados. A produção da cultura sempre esteve casada com a proposta da Biotins, porque depender da compra de matéria- prima seria um risco”, explica o diretor geral da empresa, Eduardo Bundyra. Além da menor dependência de outras matérias-primas, o pinhão-manso poderá trazer para a empresa custos mais baixos de produção e óleo de ótima qualidade para fabricar biodiesel.

Cerca de 30% da área plantada de pinhão-manso é produção própria, 40% é proveniente de pequenos e médios produtores e os outros 30% são da agricultura familiar. Aproximadamente 250 famílias plantam a oleaginosa para a Biotins. Nesta parceria, a empresa é a responsável pelo fomento da cultura: dá garantia de compra da matéria-prima por dez anos com preço pré-fixado por tonelada, com correções anuais de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); fornece a infra-estrutura necessária, assistência técnica, sementes e mudas. Para o engenheiro agrônomo e gerente agrícola da empresa, Newton Siqueira, o pinhão-manso surgiu como uma alternativa de cultivo e mais uma fonte de renda para essas famílias. “Trata-se de uma cultura a mais para eles produzirem e, ao contrário do que muita gente pensa, o pinhão-manso não toma o lugar de plantas alimentícias. Por ser de ciclo longo, pode ser produzido consorciado aos alimentos, que são de ciclo curto”.

A empresa conta com sete técnicos e dois agrônomos que dão suporte e passam todas as orientações de cultivo aos produtores. A colheita é totalmente manual – e este é um grande obstáculo para o cultivo em larga escala –, mas já existem estudos para torná-la mecanizada. “Na minha opinião, antes desses estudos devia-se trabalhar a planta e investir em melhoramento genético. A cultura ainda é muito nova quando se fala de pesquisa, faltam dados concretos”, afirma Siqueira.

A Biotins está buscando obter o Selo Combustível Social por meio da aquisição de pinhão-manso dos agricultores familiares. Mas para isso é necessário que a cultura tenha recomendação técnica de algum órgão ou entidade competente, conforme a normativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Para conquistar a certificação, a Biotins está trabalhando em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), que fazem boletins técnicos periódicos sobre a planta.

Como a cultura ainda não está totalmente consolidada, a Biotins enfrenta certa resistência de alguns produtores da região, mas Bundyra diz confiar muito na produção da agricultura familiar por causa da maneira com que a empresa está fomentando a cultura. “Parece papo de empresário, mas não é. Com uma unidade pequena causamos um impacto grande e muito positivo em uma área carente do país”, afirma.
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