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Consolidação: negócio de escala


BiodieselBR.com - 25 ago 2007 - 14:02 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:34
Negócio de escala

Talvez seja precisamente por isso que temos visto cada vez mais empresários do setor investindo em armamento pesado para a batalha competitiva que andam pressentindo. Pelos mais recentes movimentos do mercado, parece estar ganhando força a noção de que a escala de produção das plantas será o grande fiel da balança nesta nova etapa. Ao menos é nesse sentido que aponta o pesquisador do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor da Escola de Química da mesma universidade, José Vitor Bomtempo: “Nas indústrias do segmento de energia, a questão da escala de produção é um fator de extrema importância e isso era algo que não estava presente no setor de biodiesel desde o começo”, aponta o acadêmico.

Talvez ainda seja um pouco cedo para afirmar que existe uma tendência consolidada nesse sentido, mas existem motivos para crer que as usinas de biodiesel brasileiras – tanto novas quanto as já em operação – andam buscando ativamente escalas de produção maiores. Nesse sentido, é sintomático que a lista das dez maiores capacidades produtivas esteja, aos poucos, abandonando a faixa entre 100 e 200 milhões de litros para incluir cada vez mais unidades de 200 a 300 milhões de litros ao ano – ou até maiores.

Entre as empresas novatas que planejam entrar no setor com ambos os pés está a Bionasa, de Porangatu (GO). De acordo com o diretor comercial da empresa, Adilson Montanheiro, a empresa deve entrar em operação neste segundo semestre. “Nosso projeto é dividido em duas fases. Vamos começar produzindo 260 milhões de litros e, se tudo correr bem, devemos ampliar nossa capacidade para mais de 400 milhões conforme percebermos a evolução da demanda e o alinhamento do preço das commodities”, garante o executivo, informando que os níveis de produção dilatados estavam previstos desde o nascimento do projeto, em 2006. “Chegamos a esse dimensionamento quando começamos a calcular os níveis de escala de produção que precisaríamos ter para assegurar a viabilidade financeira de nosso projeto, e esse foi o número que encontramos”, completa.

O número será o bastante para incluir a estreante no “top 10” do mercado e, possivelmente, garantir-lhe a primeira colocação por uns tempos. É bom ressaltar, entretanto, que o feitio da indústria não deve mudar assim da noite para o dia. Há boas chances de as usinas de grande capacidade continuarem sendo minoria ainda por um bom tempo. Se voltarmos àquela sondagem sobre a situação das usinas brasileiras realizada pela BiodieselBR, descobriremos que das 16 em fase de construção, metade são nanicas com menos de 20 milhões de litros e apenas duas superam os 100 milhões de litros ao ano de capacidade. A situação só se inverte para as usinas ainda em fase de planejamento – dos 18 projetos desse grupo, mais da metade prevê capacidades acima da centena de milhões de litros.

Esse movimento é confirmado por Osvaldo Bullara, gerente de vendas da GEA Westfalia Separator do Brasil, uma das fornecedoras de tecnologia para o setor de biodiesel no Brasil. “A gente vem notando que os investimentos dos empresários de biodiesel andam aumentando, seja na instalação de novas fábricas ou no aumento das existentes. Em minha opinião as plantas que temos instaladas aqui no Brasil ainda são pequenas para que a indústria seja competitiva em escala”, avalia.

Um pouco mais comedido, o diretor da Divisão de Bioequipamentos e Plantas de Etanol e Biodiesel da Dedini, Sérgio Barreira, não acredita em um desaparecimento repentino das plantas de menor capacidade. “Não há um movimento parecido com o que aconteceu no mercado de etanol, onde a capacidade das plantas saltou de 300 a 500 mil litros para algo perto a 1 milhão de litros por dia há pouco tempo. No biodiesel, o que temos visto é a manutenção das capacidades atuais, com muitos clientes preocupados em ampliar suas unidades em algum ponto do futuro”, compara.