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Segurança: Treinamento


BiodieselBR.com - 23 jun 2007 - 14:56 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:58
Treinamento
Entre as usinas maiores, a preocupação com segurança tem crescido cada vez mais. Uma das empresas que têm se destacado no setor é a BSBios, que mantém um programa contínuo de treinamento de todos os seus funcionários para que eles saibam exatamente o que fazer em cada situação – inclusive na eventualidade de um problema de grandes proporções ocorrer dentro das instalações da empresa.

“Temos três grupos para cuidar da segurança dentro da usina”, diz Erasmo Battistella, diretor de operações da empresa. Tudo começa dentro do departamento de segurança do trabalho. “Esse pessoal monitora toda a usina, desde a área de produção até circulação, entrada de pessoas, locais que atingem a comunidade. E eles também monitoram a troca de turno, a parada de produção e fazem análise de risco”, afirma.

As outras três equipes encarregadas da área de segurança são a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e a brigada de incêndio. “Os três grupos treinam o ano todo funcionários para prestar socorro e para evacuar a usina. E eles fazem periodicamente treinamento para deixar rapidamente as instalações caso seja necessário”, diz.

Segundo Battistella, a preocupação com a segurança vem desde a criação da usina, dois anos atrás. Todo o material de construção passou pela análise de consultores para garantir adequação ao risco. A indústria tem um sistema de combate a vazamentos, um sistema de geradores para não ficar sem condições de operar em caso de queda de energia elétrica e toda a usina foi planejada para, caso haja acidente, ter espaço para combater incêndios.

“Sabemos que tudo isso tem custo. Mas o custo da prevenção é muito menor do que o que teríamos no caso de um acidente”, diz ele. “Principalmente em termos humanos. E nossos funcionários são o nosso maior patrimônio”.

Volta
Na Binatural, a produção já retornou ao normal. O diretor diz que a empresa passou por momentos difíceis, principalmente pela perda de três pessoas. Nas instalações, o prejuízo não foi tão grande. O tanque que explodiu pôde ser recuperado. E, hoje, tudo voltou a funcionar normalmente. A empresa inclusive participou do 14º leilão no final de maio. Segundo o diretor, a empresa sempre cuidou das normas de segurança e vai continuar fazendo isso.

Acidentes como o da Binatural são mais comuns do que parece. No início do ano passado, um incidente semelhante aconteceu na planta de biodiesel da American Ag Fuels, em Defiance, Estado de Ohio, nos Estados Unidos. De acordo com o Centro de Notícias de Indiana, trabalhadores deixaram aberta a tampa de inspeção de um tanque de armazenamento de glicerina. Uma faísca acendeu os vapores de metanol que escaparam do reservatório, causando uma grande explosão. Três trabalhadores ficaram feridos, sendo 26 Jun/Jul 2009 um com queimaduras de terceiro grau.

Em 2007, outro caso semelhante, também nos EUA, aconteceu na Farmers & Truckers Biodiesel, nos arredores de Augusta, Geórgia, enquanto um trabalhador também fazia soldagem. O tanque tinha sido esvaziado e o sistema de descoberta de vazamentos não havia detectado gases combustíveis antes do conserto.

Fazer reparos com solda em uma indústria que possui matérias- primas perigosas, como o caso do metanol, requer extrema atenção aos detalhes. Mesmo quando todas as medidas de segurança são empregadas, acidentes ainda podem acontecer. “A lição que tiramos é que temos que estar preparados. E que, mesmo estando preparados, coisas inesperadas acontecem. Por isso é preciso sempre fazer mais”, concorda Cardoso.

Desde fevereiro de 2006, a BiodieselBR encontrou registros de nove acidentes nos EUA envolvendo usinas de biodiesel, sendo quase a metade com explosões. De acordo com a Biodiesel Magazine, existem 138 usinas em operação nos EUA.

No Brasil, as usinas são obrigadas a comunicar qualquer incidente à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em até 48 horas. A assessoria de imprensa da agência informou que o incidente mais grave até agora foi esse envolvendo a unidade de Goiás, e mais nenhum aconteceu com fatalidades.

Mas considerando a falta de profissionais capacitados, é preciso atenção redobrada em relação às normas de segurança e cuidados específicos de uma usina de biodiesel, senão será só uma questão de tempo até que uma nova tragédia, que poderia ser facilmente evitada, aconteça.