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Etanol: Mudança, preço e oportunidade


BiodieselBR.com - 30 jun 2007 - 13:55 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:55
Mudança

Mesmo sem decisões governamentais, o etanol vem ganhando terreno na produção de biodiesel. A Fertibom, de Catanduva (SP), por exemplo, já trabalha exclusivamente com o álcool etílico. E diz que vem colhendo bons resultados. Para otimizar a operação e reduzir custos, eles decidiram apostar alto em tecnologia e desenvolveram seus próprios equipamentos.

A opção pela rota etílica tem muito a ver com a localização geográfica da usina. “A Fertibom está localizada numa das principais regiões produtoras de etanol, e a empresa também produz fertilizante para a cultura de canade- açúcar. Então, produzir pela rota etílica nos pareceu ser mais razoável do que importar metanol”, afirma Geraldo Martins, diretor geral da Fertibom. Segundo ele, além de obter um combustível mais limpo, a empresa tem conseguido grandes ganhos na logística, já que o álcool é comprado de áreas muito próximas.

Mas esta, juntamente com a Araguassu (MT), são as exceções. O restante das usinas ainda usa o metanol, mesmo estando perto da produção do álcool de canade- açúcar. É o caso da Biocapital, de Charqueada (SP), que tem 100% de sua produção baseada em metanol. “Em 2005, quando começamos a produzir biodiesel, nem existia ainda a possibilidade de você escolher montar uma usina que estivesse pronta para receber etanol”, conta Alexandre Povel, diretor comercial da empresa. Agora, quatro anos depois, a possibilidade existe, e a diretoria da empresa já pensa em fazer mudanças significativas para os próximos anos. “Estamos fazendo todos os estudos necessários para a mudança”, diz Povel. “Mas não é um processo rápido, que vá ser realizado em um ano”. E nem mesmo é um processo barato, ressalta o diretor. É preciso trocar peças caras e desenvolver toda uma nova logística para a compra do álcool etílico. Mas na Biocapital todos estão acreditando que o esforço vai valer a pena.

Preço e oportunidade
Um dos motivos que estão levando as indústrias a se aproximar do etanol hoje é a desvalorização que o produto teve no mercado em tempos recentes. “Os dois produtos (etanol e metanol) têm muita volatilidade em seus preços. Existem épocas mais favoráveis a um deles e outras em que ocorre o inverso”, afirma Geraldo Martins, da Fertibom.

Na verdade, a queda de preço do etanol traz não apenas um, mas dois bons argumentos em favor do uso da rota etílica no Brasil. O primeiro, obviamente, diz respeito aos ganhos que os produtores de biodiesel podem ter. Embora tenha de ser usado em maior escala do que o metanol durante o processo de transesterificação (o uso do álcool no processo, na verdade, se resume a completar uma reação química necessária à produção do combustível), o preço do etanol em queda pode fazer com que seu uso seja compensador.

Por outro lado, o uso maior do etanol pode até mesmo ajudar as indústrias da cana-de-açúcar e do álcool a recuperarem as perdas que vêm tendo no país com a baixa nos preços. O tempo atual é de vacas magras para os usineiros de álcool, com empresas ameaçando fechar e previsões não muito animadoras para o futuro próximo. “Existe um problema de liquidez no mercado”, resume Alfred Szwarc, consultor técnico da União da Indústria de Cana-de- Açúcar (Unica). Segundo ele, a adoção do álcool etílico em maior escala não seria nenhum fardo para a indústria nacional. O Brasil deverá produzir em 2009 cerca de 27 bilhões de litros de etanol para combustível. O número, por si só, já é 19 vezes maior do que a atual produção nacional de biodiesel (B3). E o álcool que entra como componente do biodiesel é equivalente a apenas 10 ou 15% da produção de biodiesel. Ou seja: o etanol necessário para produzir todo o biodiesel que sai das indústrias brasileiras hoje representa algo como 0,6% de todo o álcool combustível existente no país.

Mesmo representando tão pouco, porém, o novo mercado é considerado importante pela indústria da cana. “Metade do metanol que existe hoje no Brasil é importado. Boa parte vem do Chile”, lembra Szwarcz, destacando que o dinheiro investido na rota etílica poderia muito bem ficar no Brasil, sendo aplicado na produção de biodiesel totalmente renovável.