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Verticalização: Da matéria-prima ao biodiesel


BiodieselBR.com - 30 abr 2007 - 12:55 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:34


Da matéria-prima ao biodiesel


O que é líquido e certo, no entanto, é que os grandes entraram de cabeça na verticalização. É o caso da Bracol, pertencente ao grupo Bertin. A empresa, que atua fortemente no ramo de frigoríficos, produz biodiesel a partir do sebo bovino desde 2007. Para Rogério Barros, diretor comercial da divisão de biodiesel da Bracol, as vantagens financeiras são importantes. Mas não estão no topo da lista quando o assunto é verticalização. “As vantagens são estratégicas, mais do que econômicas”, opina o executivo. “Mais importante do que garantir o preço baixo, é ter segurança em relação à disponibilidade de matéria-prima”. E não só ter acesso à matéria-prima, mas também ter certeza quanto à qualidade do que você está colocando na usina. Mas economicamente, claro, a verticalização também é importante. “Devido à importância do preço da matéria-prima no processo de produção, não há como negar que há benefícios econômicos”, reconhece Barros.

Segundo Benzecry, o casamento mais comum hoje no Brasil, e o que tem apresentado melhores resultados, é o das empresas que têm esmagadoras de grãos e também montam uma usina própria para produção de biodiesel. Ele explica: “A grande vantagem da verticalização é produzir o biodiesel a partir de grão e não de óleo vegetal. Um produtor que compra o grão, esmaga, produz o óleo vegetal e então produz o biodiesel possui dois produtos possíveis para venda: o próprio biodiesel ou apenas o óleo vegetal”. Além, é claro, da torta que sobra da extração do óleo.

A decisão, de acordo com o professor, será a de vender aquele produto que proporcionar maior margem de lucro naquele determinado momento. “Já o produtor que compra o óleo vegetal para produzir o biodiesel não tem opção. Se o preço do óleo vegetal estiver muito alto ou o do biodiesel muito baixo, ele vai ter prejuízo se continuar produzindo”, completa.


Plantio

No caso das empresas que plantam – e que desta forma não precisam comprar o grão no mercado – o custo tende a ser ainda menor: a matéria-prima será obtida a preço de custo, não a valor de mercado. “Nesse caso, o produtor tem a opção de vender o grão que plantou, esmagá-lo e vender o óleo vegetal ou produzir e vender o biodiesel”, diz Benzecry.

Osvaldo Bullara, gerente de óleos e gorduras da GEA Westfalia – empresa que fornece tecnologia para produção de biodiesel – usa o jargão econômico para definir em poucas palavras as vantagens que esses produtores estão tendo. “A economia de escala é fundamental”, afirma. “A tendência é você ser competitivo no complexo do biodiesel”. Ou seja, estar em todas as etapas possíveis desse processo. É por isso que, segundo ele, dentre todas as usinas existentes no país, apenas umas poucas dezenas conseguem bons resultados nos leilões de biodiesel. “Se você for ver os leilões, cai para menos de 30 o número de usinas realmente competitivas no Brasil. São essas que vão tender à verticalização”, diz.