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Canola: Zoneamento e vantagens


BiodieselBR.com - 04 mai 2007 - 08:42 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:22


Zoneamento

Gradativamente, as pesquisas voltadas ao melhoramento da canola associadas aos estudos do zoneamento têm colocado a matériaprima em destaque nas políticas de biodiesel. Se até o ano passado o financiamento e o crédito eram limitados, o cenário a partir de agora é absolutamente animador. Para este ano, os agricultores devem contar com seguro rural total para cultivar a espécie, criando uma nova alternativa de renda para produtores rurais. Além do Rio Grande do Sul, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, no início deste ano, editais garantindo o plantio da cultura em outros cinco Estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

O caminho para se chegar até o seguro rural, no entanto, não foi curto. Foram muitos anos de dedicação ao estudo de como implantar em um país de clima tropical uma oleaginosa típica de regiões frias. As tentativas para fazer a cultura vingar foram muitas. Em 2000, por exemplo, a doença canela-preta prejudicou lavouras no Sul do país. Apenas em 2004 o cultivo comercial da canola, em Goiás (GO), teve sua primeira chance. O resultado, embora pequeno, já apontava para um futuro próspero, com rendimentos de 2.100 a 2.400 quilos de grãos por hectare.


Vantagens

Os produtores contam com vantagens que vão desde o plantio até a venda. “É uma planta que não compete com a soja e que o governo está incentivando”, destaca Battistella, acrescentando ainda que a cultura passou por cima dos gargalos ao deixar de ser marginal.

Uma de suas mais vantajosas características agronômicas é a estabilidade no rendimento e a alta tolerância ao estresse – a planta suporta períodos de longa estiagem. Outro ponto positivo é que a canola utiliza o mesmo maquinário destinado à soja e outros cereais. A semelhança também existe no transporte e armazenamento, exigindo apenas precauções típicas de grãos pequenos.

“Podemos dizer que as possíveis vantagens são a opção de cultivo na entressafra da soja, alta produção de óleo e de alta qualidade, tanto para consumo humano como para biodiesel”, resume Pedro Mário de Araújo, responsável pela área de Melhoramento e Genética do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Segundo o técnico, a canola é uma “cultura melindrosa e exigente”, porém com um potencial energético e econômico fabulosos. E os motivos são muitos. Os grãos produzidos no Brasil possuem em torno de 24 a 27% de proteína e de 38 a 48% de óleo.

De acordo com dados da Embrapa, os custos totais da lavoura de canola giram hoje em torno de R$ 650 por hectare, com rendimento de 700 a 900 quilos de grãos. Já na fase em que o produtor domina as tecnologias empregadas no plantio, a colheita tem sido de 1.200 a 1.500 kg/ha. A produtividade pode ultrapassar esses números para os produtores mais experientes, chegando ao rendimento médio de até 2.500 kg/ha nas melhores lavouras. O lucro é ainda mais atraente: US$ 220/ha num período que varia de 120 a 160 dias, dependendo da temperatura e se o genótipo é precoce ou de ciclo longo. O pesquisar Gilberto Omar Tomm, da Embrapa Trigo, acredita em ganhos ainda maiores se houver aprimoramento tecnológico, uma vez que o potencial genético dos híbridos empregados no Brasil é superior aos resultados obtidos em lavouras do Uruguai, por exemplo.

Araújo, do Iapar, aconselha observar a época ideal de plantio em cada Estado e fazer um bom preparo de solo. É exigido ainda o uso de maquinário adequado para semeadura, uma vez que a canola tem uma semente muito pequena. Isso exige eficiente controle de plantas daninhas antes da implantação da cultura, além de uma boa adubação. A canola é exigente em nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre e requer cuidados também na suplementação com micronutrientes como boro e zinco.