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Antonio Bonomi: B5 e enxofre


BiodieselBR.com - 03 mar 2007 - 13:07 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:51
Revista BiodieselBR Este ano a Finep deverá concentrar investimentos em pesquisas de métodos rápidos e de baixo custo para o controle de qualidade do biodiesel. Esse é um gargalo do programa?

Antonio Bonomi
Este é um grande gargalo. E é fundamental que seja desenvolvido o método que determina os teores de biodiesel no diesel. Se não for possível verificar isso, a credibilidade do programa fica ameaçada. Hoje temos problemas na mistura do álcool na gasolina mesmo tendo um método barato e preciso para determinar a quantidade. No caso da mistura de biodiesel no diesel, que não tem esse método barato e com o mesmo nível de precisão, é complicado. Todo diesel tem que ter 3% de biodiesel e, se não tem, alguém está levando vantagem, porque o biodiesel é mais caro.

A Anfavea é hoje um entrave para que misturas maiores sejam adotadas no Brasil?

Antonio Bonomi
Não diria que é um entrave. O maior obstáculo é a própria capacidade de produção. Há uma capacidade instalada, que na verdade é só autorizada, e não se sabe qual é a capacidade efetiva de produção. É preciso saber se o produtor vai ter matéria-prima em um preço adequado, que permita obter a margem de lucro que ele está buscando. Eu entendo que deveríamos ir além da mistura obrigatória (atualmente 3%), com um percentual de 5% de uso autorizado. E hoje o que existe é uma autorização para misturas maiores apenas em casos especiais. Estamos falando de um produto que não é facilmente armazenado e ainda não é exportado. Então se houver uma rigidez muito grande na produção é complicado. Não dá para produzir nem mais nem menos. Claro que a questão do custo precisa ser equacionada. E se o produto é mais caro, alguém está pagando essa conta, seja a Petrobras, o governo ou nós consumidores. O governo não gosta de chamar de subsídio, mas de alguma forma ele existe.

Com tanto etanol produzido no Brasil, por que ele não é utilizado pelas usinas na fabricação do biodiesel?

Antonio Bonomi
Porque tecnologicamente é mais complicado. Tecnologias de segunda geração na utilização de biomassa podem produzir metanol renovável também, então pode ser que no futuro se estabeleça a rota metílica por ser mais fácil de ser utilizada. Mas claro que avanços no desenvolvimento da rota etílica podem resolver esse problema. Aí teremos facilidade, principalmente se pensarmos em produção integrada etanol-biodiesel.

O que deve mudar nos motores para que possam usar o diesel com baixo teor de enxofre?

Antonio Bonomi
Essa tecnologia dos motores exigida pela resolução do Conama, que determina um combustível com baixo teor de enxofre, não tinha sido trazida pelas montadoras para o Brasil, apesar de existir mundialmente. Houve um descompasso: elas não trouxeram porque não havia o combustível e o combustível não foi feito porque não havia a tecnologia. O que acontece é que os catalisadores para tratamento dos gases de exaustão são envenenados pelo enxofre e perdem a efetividade.

O biodiesel pode ajudar nessa questão?

Antonio Bonomi
O biodiesel só ajuda, desde que tenha qualidade. Ele tem naturalmente baixo teor de enxofre e aumenta a lubricidade do combustível. Quando se retira o enxofre do diesel, nas refinarias, perde-se lubricidade do produto. Então de duas uma, ou adicionase aditivo ao diesel para aumentar a lubricidade ou o biodiesel pode ser esse aditivo.