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Crambe: Aprendizado e Pesquisas


BiodieselBR.com - 05 mar 2007 - 12:56 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:56
Fase de aprendizado

No Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), os pesquisadores Pedro Mário de Araújo e Ademir Calegari também têm dedicado parte do tempo às pesquisas com o crambe. Segundo eles, em diferentes regiões do país alguns agricultores chegaram a plantar o produto, com o objetivo de avaliar as reais potencialidades da cultura. “Mas ainda não existe uma tecnologia definida nem uma cadeia já estruturada visando à produção de óleo”, diz Araújo. “As pesquisas são poucas e estamos todos em uma fase de aprendizado”, afirma Calegari.

No Iapar, os estudos envolvem a melhor época para a semeadura, espaçamento e densidade de plantio, teor de óleo, proteína, valor nutricional da torta e problemas fitossanitários, mas tudo ainda em fase inicial. No entanto, segundo os pesquisadores, os resultados são promissores, desde que se considere a espécie dentro do sistema de rotação de culturas. “O fato é que ainda necessitamos de muitos anos de estudo para algo conclusivo”, resume Calegari, demonstrando ao mesmo tempo otimismo e cautela.

Como entraves à expansão das áreas com a planta, os pesquisadores do Iapar destacam a limitação para o uso da torta obtida do crambe. Atualmente o único uso conhecido é a adição à ração animal em até 5% do peso total. Para ampliar o uso como ração é preciso eliminar a presença do glucosinolato. Outro aspecto ressaltado é a ausência de diversidade de material genético, já que no mercado existe apenas a variedade FMS Brilhante, lançada pela Fundação MS.

De acordo com o Iapar, a rusticidade, a resistência à seca, o ciclo curto da planta (de 70 a 90 dias da semeadura até a colheita) e o teor de óleo do grão (veja quadro) são os principais pontos positivos do crambe. Como desvantagem, Araújo cita o problema das geadas, comuns em algumas regiões paranaenses, e as limitações da qualidade da torta para a alimentação animal. “Estamos testando, em diversos locais do Paraná, as melhores densidades, assim como os melhores espaçamentos para a cultura. É uma planta bastante versátil que seguramente poderá ser cultivada em vários Estados”, diz.


Pesquisas

Assim como aconteceu com o pinhão- manso, os produtores têm se adiantado no cultivo desta oleaginosa em relação à pesquisa. E como até agora os resultados têm sido promissores, os testes com a planta devem ser intensificados em 2009, mas por enquanto a atividade científica com o crambe ainda é bastante limitada.

Com políticas de incentivo, mais investimentos em pesquisas e o domínio completo do manejo da cultura é provável que o crambe a partir de 2009 se torne um grande aliado da indústria de biodiesel.