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Obstáculo e megaprojeto - Biodiesel na Amazônia


BiodieselBR.com - 04 mar 2007 - 13:50 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:50
Obstáculo

O problema da produção de biodiesel de dendê em grandes áreas, como a Amazônia, é o tempo de chegada dos cachos às esmagadoras. A colheita e o esmagamento do dendê precisam ser feitos em no máximo 24 horas para evitar a acidificação do óleo e conseqüente perda de qualidade, segundo explica o pesquisador Marcos Oliveira, da Embrapa. Ele conta que esse intervalo é respeitado na Amazônia, porém na Bahia o dendê colhido se acumula durante uma semana e só depois é transportado para a usina de extração. Por conta disso, o dendê produzido na Amazônia tem mais qualidade que o da Bahia para a produção do biodiesel, porque tem acidez abaixo de 3%, enquanto o baiano extrapola os 30%.

São muitas as qualidades do biodiesel produzido a partir do dendê, mas há uma desvantagem, como explica Oliveira. Em temperaturas abaixo dos 15o C, seus ácidos graxos saturados podem se solidificar e assim criar problemas para o sistema de injeção de combustível dos veículos. “Hoje já existem pessoas no Brasil desenvolvendo aditivos para resolver esse problema”, diz o pesquisador.

Megaprojeto em Rondônia
O seqüestro de milhões de toneladas de gás carbônico, a conservação da floresta amazônica degradada, a preservação de animais silvestres e a consolidação da agroindústria da Amazônia são alguns dos resultados esperados do Projeto Fécula, um megaprojeto idealizado por Francisco Barreto, presidente da Bionasa Combustível Natural S.A. O estudo contempla o plantio de dendê e de matas nativas em áreas degradadas de Rondônia e vem sendo estruturado há dois anos com mais de dez assessorias técnicas especializadas. O projeto, que envolve uma área de 16 milhões de hectares em Rondônia, foi apresentado em outubro ao Ministério do Meio Ambiente.

Os números são astronômicos, como mostra o quadro ao lado. As usinas de energia por biomassa, por exemplo, seriam capazes de gerar 8.171 megawatts, segundo Barreto. Isso seria mais da metade da capacidade instalada de uma Itaipu. E o projeto capturaria direta e indiretamente cerca de dois bilhões de toneladas de gás carbônico por ano. “Neutralizaria as emissões do Japão e da Alemanha”, diz, referindo-se às metas máximas de emissão do gás estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto de cada país – atualmente, se um país não consegue atingir sua meta, tem a possibilidade de comprar créditos de carbono de outros, as chamadas cotas de carbono, já negociadas em bolsas do mundo todo. “Esse projeto não é meu, é do Brasil”, diz Barreto, enfatizando que países como a Noruega e o Japão estão querendo investir na Amazônia e não há projetos palpáveis. “Se essa solução for colocada em prática, podem aparecer outras soluções paralelas na região”, diz.

O programa piloto da Bionasa – que deve ser implantando este ano numa área de 1,17 milhão de hectares composta pelos municípios de Ariquemes, Cujubim, Machadinho d’Oeste, Rio Crespo e Vale do Anari – prevê a construção de cinco módulos industriais de extração de óleo com capacidade de produzir juntos 1,2 milhões de toneladas por ano. De acordo com o projeto, as mudas dos dendezeiros seriam plantadas por proprietários da região, que teriam assistência técnica especializada e poderiam contar com apoio financeiro dos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os investimentos iniciais do agricultor estão estimados em cerca de R$ 5 mil por hectare, incluindo nesse cálculo os preços das mudas, dos fertilizantes, dos defensivos, da limpeza, da conservação do solo e das plantas. Os agricultores se responsabilizariam pela colheita e levariam os cachos às caçambas, que por sua vez os transportariam às usinas extratoras.