Conferência BiodieselBR 2018

Zoneamento Agrícola: para não colher prejuízos

O zoneamento agrícola precisa de agilidade para não atrasar o desenvolvimento da indústria de biodiesel.

Amira Massabki, de Curitiba

Com uma vasta extensão territorial, o Brasil vem investindo pesado na ampliação do cultivo de matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel. O grande desafio tem sido transformar todo o potencial energético brasileiro em projetos voltados aos pequenos e médios produtores. Em uma época em que a tecnologia da informação chega aos extremos do país, a imprevisibilidade das variações climáticas não assusta mais os agricultores. No entanto, para não colher prejuízo, é preciso ter paciência para aguardar o mapeamento que vai mostrar como, quando, onde e o que plantar.

A ferramenta que vem auxiliando o plantio de cultivares utilizados na produção de biodiesel – como mamona, dendê, amendoim e girassol – é o Zoneamento de Risco Climático feito pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA). O trabalho desenvolvido por técnicos e cientistas ajuda o produtor a encontrar a cultura ideal para sua região e também a melhor época para o plantio. O mapeamento leva em consideração os riscos de seca, granizo, geadas, vendaval, chuvas em excesso, entre outros aspectos naturais. Com todas as informações a respeito do clima, diminuem as chances de perdas para os agricultores. O estudo técnico feito através do zoneamento tornou- se fundamental para identificar com precisão áreas favoráveis ao plantio de culturas, levando em consideração a distribuição pluviométrica, o que no Brasil ocorre de maneira singular.

As adversidades climáticas e seus efeitos negativos já não são mais o pesadelo dos produtores rurais. A preocupação vem sendo substituída por tecnologias cada vez mais precisas e próximas do agricultor. Isso vem ocorrendo gradativamente a partir da década de 70, quando os primeiros mecanismos de inteligência começaram a ser aplicados pelo MAPA, começando pelo zoneamento de aptidão agrícola, o zoneamento agroclimático e por fim o zoneamento de risco climático. Com uma margem de erro menor, uma produção segura foi tomando o lugar da dúvida e dos prejuízos.


Detalhamento

Ao contrário das duas outras modalidades de zoneamento (agroclimático e de aptidão agrícola), no de risco climático são aplicadas funções da matemática e estatística que tornam o estudo mais preciso. A avaliação técnica dos riscos climáticos para cada região, levando em consideração a análise de séries climáticas históricas de no mínimo 15 anos, é calcada em dados de produtividade (ciclos de maturação, fisiologia e épocas de semeaduras), solo (informações a respeito da textura dos solos para balanço hídrico), meteorologia (temperatura máxima, mínima e precipitação pluviométrica, radiação solar, velocidade de vento, umidade relativa do ar) e altimétricos. “O relatório garante 80% de sucesso ao produtor. Com a análise de um conjunto de fatores que interferem no cultivo, será dado o indicativo de plantio”, comenta o coordenador- geral de Zoneamento Agropecuário do Departamento de Gestão de Risco Rural do MAPA, Gustavo Bracale. A cada dez anos de plantio, só poderá ocorrer perdas em no máximo dois anos.

A racionalidade técnica e científica aplicada na agricultura é fundamental para um plantio e colheita bem sucedidos. A orientação quanto ao manejo e insumos recomendados para cada região e condição – além da orientação quanto ao período de determinadas culturas, tudo isso dividido por Estados e municípios – faz parte do calendário dos produtores de oleaginosas e compõe os dados utilizados pelas instituições financeiras prestadoras de crédito. A aplicação dos indicativos do mapeamento diminui as chances de oscilações bruscas nos preços em períodos de plantio, permitindo ao produtor manter- se economicamente seguro para quitar o crédito obtido para a safra. “Tudo fica mais fácil quando o produtor sabe exatamente qual matéria-prima plantar, como, quando e onde. O mapeamento permite a reorganização territorial produtiva”, comenta Bracale. Anualmente, a MAPA publica portarias no Diário Oficial da União para as culturas indicadas para cada região. Todas as informações relacionadas ao trabalho são divulgadas por meio eletrônico (www.agricultura.gov. br) e podem ser enviadas por email para bancos, seguradoras, cooperativas, secretarias de agricultura e produtores rurais. No caso de uma variação climática, se o produtor estiver inserido em algum programa público, o governo cobre o diferencial no preço do produto.

A utilização dos indicativos do MAPA para enquadramento do custeio agrícola no Proagro teve início com a Resolução nº 2.422/1997 do Bacen. A medida permitiu a redução das perdas nas lavouras e as indenizações do projeto por efeitos climáticos adversos, além da inibição de fraudes e diminuição de aportes de recursos do Tesouro Nacional.

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