Argentina aproveita complexo da soja para entrar no mercado internacional de biocombustíveis
Argentina aproveita complexo da soja para entrar no mercado internacional de biocombustíveis
Por Heloísa Helena Reinert, de Buenos Aires
O ano passado foi emblemático para a entrada da Argentina no mercado de biodiesel mundial. O processo que começou em 2001 de forma bastante artesanal recebeu um impulso significativo e alçou o produto a um posto de destaque. Três usinas começaram a produzir um total de 503,4 milhões de litros de biodiesel. A unidade da Vicentin foi implantada com capacidade anual para 53,4 milhões de litros. A Renova e a Ecofuel, ambas com capacidade de produzir 225 milhões de litros, também entraram em produção. Este ano foi a vez da Unitec Bio, com capacidade para 225 milhões de litros, dar a sua contribuição. A usina da empresa pode ser alimentada com outros tipos de matéria-prima, mas hoje opera com óleo de soja. Sozinho, esse investimento chegou a US$ 80 milhões. Inaugurada em maio, a Unitec Bio trabalha com 100% da capacidade.
O ritmo das inaugurações deve continuar intenso e se a meta para este ano for mantida, até o final de dezembro o país teria estrutura para fabricar dois bilhões de litros por ano, segundo informações do diretor da Associação Argentina de Biocombustíveis e Hidrogênio, Claudio Molina, que calcula que os investimentos chegaram a US$ 330 milhões. Fazem parte do grupo de investidores nesse mercado as pesos-pesados Ecofuel (uma parceria entre Deheza e Bunge), Molinos Rio de La Plata, Louis Dreyfus, Patagônia Bioenergia, Vicentin, Explora, Compañía Azucarera Los Balcanes y Villuco.
Trata-se de uma evolução considerável para um mercado que começou a se desenvolver recentemente. Se não houver mudanças bruscas, é provável que até o final de 2010 a capacidade instalada argentina supere 3,4 bilhões de litros. Os empresários que investiram na produção de biodiesel aproveitaram o fato de já operarem com o complexo soja e fizeram seus cálculos de olho no mercado externo. As exportações do primeiro quadrimestre chegaram a 198 milhões de litros, o equivalente a US$ 191 milhões. Mas nem tudo são flores para esse mercado e as decisões sobre investimentos precisam levar em conta mudanças nas legislações de diferentes países no que diz respeito a cotas, restrições de importações e outras barreiras comerciais. A necessidade de aumento da área plantada de soja é igualmente um assunto que está na pauta do dia e que desperta paixões. Haverá produção de soja suficiente para atender a estrutura em fase de expansão? A resposta ainda é desconhecida.
Por enquanto, o mercado interno é apenas uma possibilidade futura. Segundo Molina, a indústria terá que fazer investimentos extras para abastecer o mercado interno, que seguindo a tendência mundial terá que adicionar tanto ao óleo diesel quanto à gasolina um percentual de biocombustível. “Paralelamente teremos que construir um complexo industrial para abastecer os 800 milhões de litros de biodiesel para misturar com o diesel e 244 mil toneladas de bioetanol para adicionar à gasolina”, estima ele. As leis número 26.093 e 26.334 determinaram o percentual de 5% de mistura nos combustíveis e estipularam janeiro de 2010 como data-limite para o cumprimento da medida. A proximidade da data não foi suficiente para pôr o processo em marcha, mas a indústria não vê problema sério nisso.
Por Heloísa Helena Reinert, de Buenos Aires
O ano passado foi emblemático para a entrada da Argentina no mercado de biodiesel mundial. O processo que começou em 2001 de forma bastante artesanal recebeu um impulso significativo e alçou o produto a um posto de destaque. Três usinas começaram a produzir um total de 503,4 milhões de litros de biodiesel. A unidade da Vicentin foi implantada com capacidade anual para 53,4 milhões de litros. A Renova e a Ecofuel, ambas com capacidade de produzir 225 milhões de litros, também entraram em produção. Este ano foi a vez da Unitec Bio, com capacidade para 225 milhões de litros, dar a sua contribuição. A usina da empresa pode ser alimentada com outros tipos de matéria-prima, mas hoje opera com óleo de soja. Sozinho, esse investimento chegou a US$ 80 milhões. Inaugurada em maio, a Unitec Bio trabalha com 100% da capacidade.
O ritmo das inaugurações deve continuar intenso e se a meta para este ano for mantida, até o final de dezembro o país teria estrutura para fabricar dois bilhões de litros por ano, segundo informações do diretor da Associação Argentina de Biocombustíveis e Hidrogênio, Claudio Molina, que calcula que os investimentos chegaram a US$ 330 milhões. Fazem parte do grupo de investidores nesse mercado as pesos-pesados Ecofuel (uma parceria entre Deheza e Bunge), Molinos Rio de La Plata, Louis Dreyfus, Patagônia Bioenergia, Vicentin, Explora, Compañía Azucarera Los Balcanes y Villuco.
Trata-se de uma evolução considerável para um mercado que começou a se desenvolver recentemente. Se não houver mudanças bruscas, é provável que até o final de 2010 a capacidade instalada argentina supere 3,4 bilhões de litros. Os empresários que investiram na produção de biodiesel aproveitaram o fato de já operarem com o complexo soja e fizeram seus cálculos de olho no mercado externo. As exportações do primeiro quadrimestre chegaram a 198 milhões de litros, o equivalente a US$ 191 milhões. Mas nem tudo são flores para esse mercado e as decisões sobre investimentos precisam levar em conta mudanças nas legislações de diferentes países no que diz respeito a cotas, restrições de importações e outras barreiras comerciais. A necessidade de aumento da área plantada de soja é igualmente um assunto que está na pauta do dia e que desperta paixões. Haverá produção de soja suficiente para atender a estrutura em fase de expansão? A resposta ainda é desconhecida.
Por enquanto, o mercado interno é apenas uma possibilidade futura. Segundo Molina, a indústria terá que fazer investimentos extras para abastecer o mercado interno, que seguindo a tendência mundial terá que adicionar tanto ao óleo diesel quanto à gasolina um percentual de biocombustível. “Paralelamente teremos que construir um complexo industrial para abastecer os 800 milhões de litros de biodiesel para misturar com o diesel e 244 mil toneladas de bioetanol para adicionar à gasolina”, estima ele. As leis número 26.093 e 26.334 determinaram o percentual de 5% de mistura nos combustíveis e estipularam janeiro de 2010 como data-limite para o cumprimento da medida. A proximidade da data não foi suficiente para pôr o processo em marcha, mas a indústria não vê problema sério nisso.