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Créditos de carbono e biodiesel: Mercado e viabilidade


BiodieselBR - 12 nov 2008 - 16:00 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:58

Ao aventurar no mercado de crédito de carbono, o empreendedor pode ter uma certeza: o caminho é longo. “Todo o projeto tem que ser pensado dentro das especificações da ONU ou do mercado voluntário”, explica Menezes. Antes de começar, é preciso optar por entre os dois mercados. “Ambos são bastante criteriosos na aprovação e acompanhamento dos projetos”, diz. Uma vez decidido isso, a proposta deve seguir os parâmetros estabelecidos.

“O produtor pode fazer todo o processo sozinho, mas uma consultoria pode ajudá-lo a superar certas dificuldades”, adianta. Um dos empecilhos a projetos dessa natureza é a quantidade de crédito gerada. “O resultado tem que ser significativo para que o retorno justifique o investimento”, diz. “Por exemplo, hoje avaliamos que um projeto de adição de biodiesel ao diesel numa frota cativa só passa a ser economicamente viável a partir do uso de B30”, analisa. Atualmente a Menezes, Dessimoni e Abreu Advogados trabalha com a Associação Brasileira de Logística (Aslog) para implantar um projeto de substituição de diesel por biodiesel. “Também estamos conversando com empresas do setor de logística e varejo, inclusive com uma empresa aérea”, revela.

Além de consultores, o empreendedor também precisa referendar os resultados do projeto. Esse trabalho tem que ser realizado por entidades certificadas pela ONU ou pelo mercado, no caso do comércio voluntário. “É preciso que uma organização independente faça a avaliação dos resultados”, afirma.

Como o processo é lento, muitas vezes falta aos empreendedores dinheiro para patrociná-lo. Nesses casos uma alternativa é procurar organizações que patrocinam esse tipo de iniciativa. “Essas instituições financiam o projeto e depois ficam com os créditos”, explica Menezes. É o caso da E+Co, que patrocina empreendimento de até US$ 1,5 milhão. “Além de investir, também damos toda a consultoria necessária para montar o projeto e aprová-lo no mercado”, explica Gilson Queiroz, executivo da organização.

Viabilidade

“O importante no mercado de carbono é que muitas vezes o comércio dos créditos pode viabilizar um projeto que de outra forma não é viável”, comenta Menezes. Com a alta do óleo e o preço do biodiesel lutando para ficar no mesmo patamar do diesel mineral, o dinheiro que vem da venda dos créditos ajuda a fechar a conta. “Um projeto de pequeno porte, de 15 mil litros, pode comercializar em torno de US$ 300 mil ao ano em créditos”, contabiliza Queiroz.

O presidente da Bionasa, Francisco Barreto, está atento às vantagens do comércio dos créditos para a produção de biodiesel. “Estou em busca de um parceiro que queira implantar o uso do biodiesel em frotas cativas para obter créditos”, conta. A usina da empresa fica em Porangatu (GO), do lado da ferrovia da Vale. O plano dele é convencer a empresa a comprar biodiesel da Bionasa. Uma das vantagens do negócio é que a Vale ficaria com os créditos de carbono, o que compensaria o preço extra pago pelo biodiesel em relação ao diesel convencional.

Em Rincão dos Ventos (RS), a E+Co patrocina um projeto com pretensão semelhante. A usina irá produzir biodiesel a partir de óleo de cozinha usado e vender para uma transportadora da região. “O biodiesel de óleo usado gera crédito porque de outra forma esse material iria para o meio ambiente, causando poluição e encarecendo o processo de tratamento da água”, explica Queiroz. A instituição investiu US$ 1,2 milhão na idéia e deve começar a contabilizar os créditos daqui um ano.

No entanto, as oportunidades de negócio que envolvem biodiesel e crédito de carbono não estão limitadas a produtores do combustível. “É preciso pensar na cadeia produtiva como um todo. Hoje as grandes empresas estão sendo pressionadas a adotar medidas de redução na emissão de dióxido de carbono”, aponta Menezes. Como exemplo ele cita a rede americana Wal-Mart. “A atividade fim da rede produz muito poucas emissões. Mas os fornecedores e empresas que trabalham em torno do negócio podem reduzir muito suas emissões”, analisa. “A tendência é que empresas como o Wal-Mart acabem pressionando seus fornecedores a desenvolver projetos de desenvolvimento sustentável como forma de reduzir o impacto que têm no meio ambiente”, conclui.