005

Entrevista com Décio Gazzoni: Soja e o biodiesel


BiodieselBR - 11 nov 2007 - 13:17 - Última atualização em: 20 dez 2011 - 11:19


Revista BiodieselBR A soja responde por 80% da produção do biodiesel nacional e o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou duramente o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, tido como um dos maiores plantadores do produto no mundo. Como esse discurso pode ser traduzido para a questão dos biocombustíveis? E como o senhor vê a nomeação dele, um ambientalista urbano, secretário do Ambiente do Rio de Janeiro, e que já exigiu participar da política industrial, que inclui a produção de biodiesel?

Décio Gazzoni
Ele vai comer o pão que o diabo amassou. Já não foi fácil para a Marina Silva, que nasceu lá na Amazônia e conhece tudo aquilo com a palma da mão. Esse discurso do Minc é para marcar terreno. Essa é uma área do PT e o Lula estava irado com a Marina. O presidente percebeu claramente que esse negócio de desenvolvimento rende votos e foi abandonando as teses incendiárias de outros tempos. Mas a Marina era a consciência que o chamava para o passado. O Minc é rápido no gatilho e não vai criar problemas.

Revista BiodieselBR Já surgiram temores internacionais que a Amazônia seja devastada pelos bois e pela soja...

Décio Gazzoni
Olha, já participei de vários encontros e não discuto mais isso com ONGs. Só falam besteira. O que desmata a Amazônia são as madeireiras, é quem paga US$ 10 mil por madeiras nobres de lá.

Revista BiodieselBR
Como o senhor vê os incentivos à agricultura familiar no programa de biodiesel? Essa iniciativa já decolou?

Décio Gazzoni Esse é um assunto problemático em qualquer lugar do mundo. Para ser bem sucedido em qualquer atividade, é preciso margem de lucro para se ficar no negócio. Mas as margens são muito pequenas neste campo dos biocombustíveis. Ou se tira parte dos impostos para dar a esses pequenos plantadores ou eles virão para as periferias e favelas das cidades para virar operário ou bandido para não morrer. Mas fixar essas famílias com terrenos de dez hectares, como se tem feito, é muito difícil. O sistema de cooperativas ajudaria muito nesse ponto porque melhoraria o risco e os custos do negócio.