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Conferência biodieselbr


BiodieselBR - 10 nov 2007 - 15:40 - Última atualização em: 20 dez 2011 - 11:19

Compartilhando experiência


Pesquisadores se reuniram na capital carioca para explicar e discutir desde o armazenamento do biodiesel até o processo de produção

Por Marcelo Dias, do Rio de Janeiro, foto de Gilvan Barreto

Renomados pesquisadores brasileiros se reuniram para discutir o mercado de biodiesel com empresários e agentes do setor durante a Conferência BiodieselBR, no último dia 30, no Rio de Janeiro. O encontro serviu para mostrar à indústria nacional não apenas o potencial dos óleos vegetais, mas que o futuro já chegou. Segundo o engenheiro químico Donato Aranda, coordenador do Laboratório de Tecnologias Verdes da UFRJ, o que parecia utopia na década passada rapidamente virou uma fonte de energia estratégica.

“A gente é de uma época em que cabia em uma Kombi quem falava em biodiesel”, brincou o cientista.

De acordo com Aranda, o Brasil dispõe de 90 milhões de hectares de terra livres e não usados para agricultura — o equivalente a uma Venezuela ou a quase dez vezes o território de Portugal.

“Temos toda essa terra degradada pelo gado. O Brasil consome 45 bilhões de litros de diesel por ano e podemos chegar a [produzir] 30 bilhões de litros de biodiesel com apenas seis milhões de hectares de dendê e à auto-suficiência sem nem mesmo usar petróleo ou destruir florestas”, disse o engenheiro, que também apresentou as novidades das pesquisas — inclusive genéticas — sobre o óleo produzido a partir do pinhão-manso e de microalgas.

Com a experiência de quem implantou o programa RioBiodiesel, o ex-subsecretário de Ciência, Inovação e Tecnologia do Rio de Janeiro e pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia, Eduardo Cavalcanti, alertou sobre a importância da qualidade do produto e de problemas mecânicos e de estocagem: “Na Alemanha, houve problemas de corrosão e entupimento, e o biodiesel praticamente foi para as páginas policiais. As maiores empresas de injeção alertam sobre isso todo ano. Temos que ter cuidado com a imagem do biodiesel.”

Para o mercado, a conferência aconteceu na hora certa. “Um evento assim é importante para um mercado que cresce exponencialmente e para colocar conceitos técnicos na cabeça de quem está chegando agora, que se for para a Europa não vai conseguir se estabelecer porque eles são mais rigorosos. O empresário brasileiro ainda é leigo no assunto e acha que o biodiesel se resume à mamona. É preciso ter informações para investir certo e não jogar dinheiro fora”, diz Leone Bueno Filho, da divisão de catalisadores de biodiesel da Evonik Degussa.

“Esse tipo de evento com experts no assunto esclarece muito o panorama para o investidor. Este é um novo mundo que se abre para o Brasil e o governo tem que participar ativamente deste fomento de informação”, conta Gustavo Diaz, coordenador de negócios da Basf.

Os outros palestrantes foram os pesquisadores Luiz Pereira Ramos (UFPR), Nelson Furtado (UFRJ) e Univaldo Vedana (BiodieselBR).

A parte final do evento foi bastante movimentada, com as perguntas dos participantes sendo respondidas pelos palestrantes, possibilitando o debate e aprofundamento dos assuntos mais interessantes.

O grupo BiodieselBR, que também edita esta revista, foi responsável pela organização do evento, que segue agora para Cuiabá no dia 20 de junho, e depois para São Paulo (08 de agosto) e Curitiba (29 de agosto).