Recentemente, foi divulgada a notícia de que o Brasil está prestes a se tornar o segundo maior produtor mundial de biodiesel. Depois da criação de pelo menos três grandes programas nacionais (OVEG em 1981, Probiodiesel em 2002 e PNPB em 2005), é gratificante constatar que, dentre tantas incertezas e dificuldades, a sociedade brasileira foi capaz de resistir a todas as pressões do mercado e promover uma verdadeira revolução no setor agro-industrial brasileiro.
Seguindo uma tendência mundial, o biodiesel se tornou assunto diário (e por vezes prioritário) nos meios de comunicação, nas classes políticas e nas comunidades científicas. Algo previsível, pois a implantação de um projeto que almeja reduzir o consumo de derivados do petróleo, mitigar a emissão de gases do efeito estufa, descentralizar a produção de energia no país e promover uma melhor distribuição de renda não poderia passar alheia à nossa atenção.
Neste sentido, não há como ignorar o grande avanço que o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) proporcionou nestes últimos três anos, desde a divulgação do marco regulatório de janeiro de 2005. No entanto, apesar de toda a euforia do momento, é importante refletirmos sobre as fragilidades que ainda nos ameaçam, até mesmo para compreendermos melhor o porquê de não termos atingido a meta de 2% (B2), estabelecida para janeiro de 2008. Dentre elas, a falta de matéria-prima, as dificuldades tributárias, a comprometedora expansão da fronteira agrícola em áreas de proteção ambiental, a falta de incentivos para o setor rural, a disseminação de unidades de produção incapazes de oferecer padrões mínimos de qualidade e segurança, a crise de identidade do produto e o acúmulo de glicerina nas unidades de produção. Por isso, é melhor logo nos convencermos de que, sem políticas públicas adequadas e novos investimentos em ciência e tecnologia, esta proclamada liderança brasileira no mercado de combustíveis renováveis poderá ser perdida antes mesmo de ser efetivamente consolidada.
Um exemplo disso é a agressividade com que a produção de biodiesel vem se desenvolvendo na Argentina, onde os incentivos tributários são irresistivelmente superiores aos oferecidos no Brasil. Por outro lado, no aspecto tecnológico, vários países estão investindo pesado no cultivo heterotrófico de algas oleaginosas, cuja produção em larga escala independe da disponibilidade de terras cultiváveis ou de altas taxas de eficiência fotossintética. Essas tecnologias constituem verdadeiras ameaças para as pretensões de um país cujo desenvolvimento continua a depender intrinsecamente do setor agrícola. De tudo, uma conclusão é óbvia: nos níveis atingidos pelo mercado de óleos vegetais, é difícil imaginar que o biodiesel possa alcançar viabilidade econômica sem incentivos, apesar de o barril do petróleo ter alcançado patamares nunca antes imagináveis de US$ 100 o barril.
Seguindo uma tendência mundial, o biodiesel se tornou assunto diário (e por vezes prioritário) nos meios de comunicação, nas classes políticas e nas comunidades científicas. Algo previsível, pois a implantação de um projeto que almeja reduzir o consumo de derivados do petróleo, mitigar a emissão de gases do efeito estufa, descentralizar a produção de energia no país e promover uma melhor distribuição de renda não poderia passar alheia à nossa atenção.
Neste sentido, não há como ignorar o grande avanço que o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) proporcionou nestes últimos três anos, desde a divulgação do marco regulatório de janeiro de 2005. No entanto, apesar de toda a euforia do momento, é importante refletirmos sobre as fragilidades que ainda nos ameaçam, até mesmo para compreendermos melhor o porquê de não termos atingido a meta de 2% (B2), estabelecida para janeiro de 2008. Dentre elas, a falta de matéria-prima, as dificuldades tributárias, a comprometedora expansão da fronteira agrícola em áreas de proteção ambiental, a falta de incentivos para o setor rural, a disseminação de unidades de produção incapazes de oferecer padrões mínimos de qualidade e segurança, a crise de identidade do produto e o acúmulo de glicerina nas unidades de produção. Por isso, é melhor logo nos convencermos de que, sem políticas públicas adequadas e novos investimentos em ciência e tecnologia, esta proclamada liderança brasileira no mercado de combustíveis renováveis poderá ser perdida antes mesmo de ser efetivamente consolidada.
Um exemplo disso é a agressividade com que a produção de biodiesel vem se desenvolvendo na Argentina, onde os incentivos tributários são irresistivelmente superiores aos oferecidos no Brasil. Por outro lado, no aspecto tecnológico, vários países estão investindo pesado no cultivo heterotrófico de algas oleaginosas, cuja produção em larga escala independe da disponibilidade de terras cultiváveis ou de altas taxas de eficiência fotossintética. Essas tecnologias constituem verdadeiras ameaças para as pretensões de um país cujo desenvolvimento continua a depender intrinsecamente do setor agrícola. De tudo, uma conclusão é óbvia: nos níveis atingidos pelo mercado de óleos vegetais, é difícil imaginar que o biodiesel possa alcançar viabilidade econômica sem incentivos, apesar de o barril do petróleo ter alcançado patamares nunca antes imagináveis de US$ 100 o barril.