BiodieselBR
Publicidade

StoneX: produção de biodiesel pode chegar a 14,5 mi de m³ com Combustível do Futuro

PL aprovado pelo Congresso estabelece como meta que a mistura de biodiesel chegue a 20% até o final da década

BiodieselBR.com 6 min de leitura

A indústria brasileira de biodiesel está se preparando para entrar num novo estirão de crescimento. Aprovado pelo Congresso no último dia 11 de setembro, o Combustível do Futuro prevê que a mistura obrigatória siga crescendo um ponto percentual por ano até atingir o limite de 20% em 2030. São 5 pontos percentuais acima do atual teto do mercado que havia sido fixada em 15% pela Lei 13.033/2014.

Ao fim de muitas idas e vindas – em não poucos retrocessos –, governo federal havia acertado a adoção do B15 para março que vem. Depois disso, contudo, o crescimento do mercado passaria a ser limitado ao avanço orgânico da demanda do óleo diesel.

O Combustível do Futuro muda radicalmente essa realidade. Segundo estimativas do braço nacional da consultoria global StoneX, se o cronograma sugerido pelo PL do Combustível do Futuro for integralmente cumprido – o texto condiciona a progressão da mistura ao aval do CNPE – as usinas brasileiras de biodiesel deverão fabricar cerca de 14,5 milhões de m³ em 2030 praticamente dobrando o volume que foi fabricado no último ano.

A indústria brasileira de biodiesel está se preparando para entrar num novo estirão de crescimento. Aprovado pelo Congresso no último dia 11 de setembro, o Combustível do Futuro prevê que a mistura obrigatória siga crescendo um ponto percentual por ano até atingir o limite de 20% em 2030. São 5 pontos percentuais acima do atual teto do mercado que havia sido fixada em 15% pela Lei 13.033/2014.

Ao fim de muitas idas e vindas – em não poucos retrocessos –, governo federal havia acertado a adoção do B15 para março que vem. Depois disso, contudo, o crescimento do mercado passaria a ser limitado ao avanço orgânico da demanda do óleo diesel.

O Combustível do Futuro muda radicalmente essa realidade. Segundo estimativas do braço nacional da consultoria global StoneX, se o cronograma sugerido pelo PL do Combustível do Futuro for integralmente cumprido – o texto condiciona a progressão da mistura ao aval do CNPE – as usinas brasileiras de biodiesel deverão fabricar cerca de 14,5 milhões de m³ em 2030 praticamente dobrando o volume que foi fabricado no último ano.

Esse volume é praticamente igual à atual capacidade instalada do setor. As 58 usinas autorizadas pela ANP a fabricarem biodiesel podem colocar no mercado um pouco mais de 14,6 milhões de m³ biodiesel. Há ainda 7 usinas novas em construção e 8 em processo de ampliação que, juntas, poderão aumentar o parque produtivo nacional em 1,45 milhão de m³ – previstos para entrar no mercado até março de 2026 – elevando o total para perto de 16,1 milhões de m³.

Mesmo que mais nenhum m³ em capacidade extra entrar no mercado nos próximos anos, o atual parque fabril já deve dar conta do recado mesmo que operando perto de seu limite máximo. Segundo as projeções da StoneX, o nível ocupação do parque fabril nacional cresceria dos atuais 61% até chegar a 90% em 2030.

“A indústria de biodiesel (...) deve ser capaz de suprir as necessidades definidas pelo PL 528/2020”, diz o texto. É pouco provável que chegue a tanto. “É importante destacar que o incentivo proporcionado pelo projeto de lei tem o potencial de atrair novos investimentos ao longo dos próximos anos, o que ampliaria a capacidade produtiva e garantiria maior margem de segurança para suprir o consumo futuro”.

Diesel Verde

Vale destacar que, após a promulgação em lei do Combustível do Futuro, o biodiesel não será mais a única alternativa renovável ao óleo diesel no mercado brasileiro. O texto também cria um mandato para o diesel verde com teto de até 3% da demanda nacional de diesel – o volume exato, contudo, será definido anualmente pela ANP com base na disponibilidade de matéria-prima e da capacidade produtiva – começando a partir de 2027.

A estimativa da StoneX é que o mantado de diesel verde comece em 700 mil m³ e avance até chegar em 2,4 milhões de m³ ao final de sua primeira década.

Isso deverá colocar mais pressão sobre a oferta nacional de óleo de soja que será o principal insumo para ambas as indústrias. Só o setor de biodiesel deverá demandar 12,3 milhões de toneladas do insumo em 2030, alta de 86,3% sobre a demanda atual. O diesel verde acrescentará mais 1,1 milhão de toneladas trazendo a conta total para 13,4 milhões de toneladas.

Segundo a projeção mais recente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a produção de óleo de soja para este ano está prevista para 11 milhões de toneladas das quais 9,9 milhões de toneladas vão para o mercado interno e 1,15 milhão de toneladas deverão ser exportadas.

Para atender essa demanda, seria necessário que a indústria nacional processe cerca de 70,5 milhões de toneladas de soja em 2030 o que representaria um crescimento de 29,5% sobre o atual nível de atividade da indústria de esmagamento.

SAF

Mas pode ser bem mais quando a demanda de combustível sustentável de aviação (SAF) foi incluída nessa conta. Nesse caso, os números são um tanto mais nebulosos uma vez há mais de uma rota tecnológica para a produção de SAF e que as rotas que fabricam a partir do etanol oferecem balanços de carbono mais favoráveis.

Diferente de mandatos anteriores que impõem um percentual de biocombustível, o programa de SAF se baseia em metas de redução das emissões de carbono. Isso cria incentivos maiores para o biocombustível fabricado a partir do álcool cujas emissões – segundo as contas da Organização da Aviação Civil Internacional – são entre 63% e 73% menores do que as do querosene de aviação convencional; ao passo que o SAF ,

Além dessas diferenças intensidade de carbono dos diversos tipos de SAF, as regras do Combustível do Futuro também permitem que as empresas do ramo de aviação usem outros métodos para abater suas emissões de carbono o que pode reduzir a demanda total.

Dentro dessa complexidade toda, o programa de SAF pode demandar perto de 3,9 milhões de m³ – o equivalente a 3,62 milhões de toneladas – de óleo de soja em 2037 quando o setor aéreo terá que reduzir suas emissões em 10%. Para atingir esse valor, no entanto, 100% das metas de descarbonização deverão ser cumpridas a partir de biocombustível feito com óleo de soja.

Potencialmente, isso demandaria o esmagamento de mais 19 milhões de toneladas de soja em grão para atender à demanda dos fabricantes de SAF. Tudo somado, o Combustível do Futuro poderá elevar em 64% o nível de esmagamento de soja no mercado interno indo atuais 54,5 para 89,6 milhões de toneladas.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

Compartilhar: