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Usinas de biodiesel podem parar por falta de metanol


BiodieselBR.com - 10 jul 2012 - 09:43
porto paranagua metanol
Uma operação-padrão dos auditores-fiscais da Receita Federal que já dura mais de duas semanas está ameaçando paralisar as atividades de algumas das maiores usinas de biodiesel do país. “Desde que eu estou na indústria do biodiesel, essa é a situação mais grave que já enfrentei”, preocupa-se o executivo de uma fabricante biodiesel do estado do Rio Grande do Sul.

Ele falou à BiodieselBR na condição de ter seu nome preservado. Segundo o executivo, sua empresa tem quatro carregamentos de metanol parados no Porto de Paranaguá à espera de liberação. Um deles já está na fila há mais de 20 dias – quatro vezes mais do que os cinco dias que, em geral, o processo leva.

Enquanto isso, a usina tem precisado se virar para conseguir o insumo fundamental para manter a fábrica operando. Seja através de empréstimos de outras indústrias que ainda contam com estoques do produto, ou comprando de fornecedores nacionais. Contudo, ele alerta que as opções estão diminuindo rapidamente, deixando o setor cada vez mais perto de uma crise geral. “Eu só estou operando ainda porque consegui metanol no mercado interno. Se não fosse isso eu teria suspendido a produção hoje pela manhã”, assusta-se.

BiodieselBR apurou que mais usinas no Rio Grande do Sul enfrentam dificuldade para receber o produto, assim como algumas unidades do Mato Grosso.

O grande problema é que o Brasil está longe de ser autossuficiente na produção de metanol. Segundo o Anuário da Indústria Química Brasileira, em 2010, o Brasil recebeu do exterior quase três quartos das 770 mil toneladas de metanol consumidas pelas indústrias brasileiras. Com a paralisação da receita, os consumidores têm tido enormes dificuldades em conseguir manter seus estoques. Além da indústria do biodiesel, o produto é largamente utilizado como solvente industrial.

Paranaguá
Aparentemente, as indústrias que dependem do Porto de Paranaguá no estado do Paraná estão sendo mais duramente atingidas do que as que importam através de portos como Santos (SP) ou Aratu (BA). No entanto, como o porto paranaense é uma das principais portas usadas pela Methanex – a maior fabricante de metanol do mundo – para colocar seu produto no mercado brasileiro, o tamanho do problema não deve ser subestimado. Ainda mais porque Paranaguá é importante no suprimento das duas maiores praças da indústria do biodiesel no país: Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Informações apuradas por BiodieselBR junto ao mercado indicam que há usinas mato-grossenses com estoques para menos de duas semanas de operação.

E a situação parece não ter perspectivas imediatas de melhora. Na sexta-feira passada uma assembleia dos auditores-fiscais lotados em Paranaguá decidiu reforçar o movimento grevista. Além da operação-padrão, os trabalhos serão totalmente paralisados durante dois dias da semana. Segundo nota publicada pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), há mais de 500 DIs (Declaração de Importação) à espera de liberação em Paranaguá.

Cansado de aguardar um desfecho dessa história, a usina gaúcha já pensa em buscar alternativas jurídicas. “Estamos tentando conseguir um mandado de segurança para liberar o metanol que está parado no porto”, conta o executivo.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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