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Carbono Oculto: MP denuncia 16 por esquema de desvio de metanol em SP


G1 - 26 ago 2026 - 14:17

O núcleo de Guarulhos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), denunciou 16 pessoas por suspeita de participação em uma organização criminosa que teria atuado no desvio de metanol para adulteração de combustíveis, principalmente na Grande São Paulo, entre 2017 e 2025.

Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais financiadores do esquema. Segundo a denúncia, ele teria utilizado empresas como Aster, Copape e Duvale para movimentar recursos milionários relacionados às atividades investigadas.

Os denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia também aponta indícios de adulteração de combustíveis, crimes tributários e contra o consumidor, estelionato, falsidade documental e crimes ambientais.

Segundo o MP, o grupo utilizava uma rede de empresas químicas, transportadoras, distribuidoras, instituições de pagamento e fundos de investimento para desviar o metanol, adulterar combustíveis e ocultar a origem dos recursos obtidos com a fraude.

A denúncia é resultado de informações reunidas em diferentes investigações, entre elas as operações Boyle e Carbono Oculto.

De acordo com as investigações, o esquema teria movimentado mais de 10 milhões de litros de metanol e gerado lucros milionários.

Como funcionava o esquema, segundo o MP

De acordo com a denúncia, a organização atuava da seguinte forma:

- Compra legal do metanol: o produto era adquirido legalmente por empresas autorizadas a comercializá-lo.
- Destino informado nas notas: os documentos fiscais indicavam que as cargas seriam destinadas à produção de biodiesel ou à fabricação de produtos químicos.
- Desvio das cargas: segundo o MP, o metanol era desviado do destino declarado e levado para postos e empresas ligadas ao setor de combustíveis.
- Adulteração: o produto era misturado irregularmente à gasolina ou ao etanol.
- Falsificação de documentos: empresas e transportadoras teriam utilizado notas fiscais e outros documentos falsos para dificultar o rastreamento das cargas e ocultar a operação.
- Lavagem do dinheiro: os valores obtidos com o esquema passariam por empresas, instituições de pagamento e fundos de investimento para esconder sua origem.

Segundo o Ministério Público, parte dos recursos era movimentada por meio da BK Instituição de Pagamento e de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).

Relação com o PCC

O nome do Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece de forma contextual na investigação, principalmente em relação a Admar de Carvalho Martins, conhecido como “Dema”.

Segundo o MP, ele é investigado em outro processo por supostos vínculos societários e empresariais com pessoas apontadas como integrantes da facção.

Nesta denúncia, porém, não há acusação formal de que os 16 denunciados integrem o PCC nem de que o esquema de desvio de metanol e adulteração de combustíveis fosse uma operação da facção.

O foco da denúncia é a suposta atuação de uma organização criminosa voltada à adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados à cadeia de combustíveis.

Beto Louco, que está entre os denunciados nesta ação, também foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Na ocasião, ele foi apontado pelo Ministério Público como um dos principais nomes de um esquema bilionário no setor de combustíveis que, segundo a investigação, teria ligação com o PCC.

Na investigação anterior, Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, foram apontados como responsáveis por uma estrutura empresarial que teria utilizado empresas do setor de combustíveis para movimentar recursos, fraudar impostos e lavar dinheiro. A apuração também investigou possíveis vínculos da estrutura com integrantes da facção.

A investigação da Carbono Oculto é distinta da denúncia apresentada agora pelo Gaeco de Guarulhos.

Isabela Leite – G1