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Alta do metanol tende a perder força nos próximos meses

Início da operação da Geismar 3 deve desestressar a relação entre oferta e demanda

BiodieselBR.com 7 min de leitura

Nos últimos meses, os preços do metanol se tornaram uma fonte de sobressaltos para as usinas de biodiesel. De outubro até agora, os dois principais fornecedores do insumo para o mercado nacional – a Methanex e a Valenz – vêm reajustando seus preços de referência mês a mês. Entre ambos, os valores de tabela já subiram cerca de 34,6%, atingindo seu maior nível em mais de 17 anos.

Na média, o preço de saída da tonelada do metanol é de US$ 696,65 (não considerada a negociação entre os compradores e os fornecedores no fechamento dos contratos locais). Convertido em reais pela cotação de hoje (09), esse valor está em R$ 3.865,92.

Um movimento difícil de entender para os fabricantes de biodiesel, ainda mais que ele vem na contramão do que tem acontecido com as cotações do gás natural – principal matéria-prima do metanol – nos Estados Unidos. Nos últimos 12 meses, os preços no Henry Hub, na Luisiana, têm permanecido relativamente bem-comportados, variando dentro de uma faixa que vai de US$ 3,18 a US$ 1,49. Muito abaixo dos patamares em que estiveram entre 2021 e 2022.

Nos últimos meses, os preços do metanol se tornaram uma fonte de sobressaltos para as usinas de biodiesel. De outubro até agora, os dois principais fornecedores do insumo para o mercado nacional – a Methanex e a Valenz – vêm reajustando seus preços de referência mês a mês. Entre ambos, os valores de tabela já subiram cerca de 34,6%, atingindo seu maior nível em mais de 17 anos.

Na média, o preço de saída da tonelada do metanol é de US$ 696,65 (não considerada a negociação entre os compradores e os fornecedores no fechamento dos contratos locais). Convertido em reais pela cotação de hoje (09), esse valor está em R$ 3.865,92.

Um movimento difícil de entender para os fabricantes de biodiesel, ainda mais que ele vem na contramão do que tem acontecido com as cotações do gás natural – principal matéria-prima do metanol – nos Estados Unidos. Nos últimos 12 meses, os preços no Henry Hub, na Luisiana, têm permanecido relativamente bem-comportados, variando dentro de uma faixa que vai de US$ 3,18 a US$ 1,49. Muito abaixo dos patamares em que estiveram entre 2021 e 2022.

Especialmente quando se leva em consideração que os fabricantes de metanol não costumam pagar seu gás pelos valores cheios. Como são grandes compradoras, as empresas do ramo costumam garantir seu acesso à matéria-prima de que precisam por meio de contratos de longo prazo que incluem fórmulas mais complexas do que o simples acompanhamento das cotações do dia.

Isso só faz aumentar a perplexidade: então, o que está acontecendo no mercado de metanol? Para tentar responder a essa questão, BiodieselBR.com conversou em off com um executivo do setor.

Oferta e Demanda

De acordo com esse executivo, não há nada muito mirabolante acontecendo no mercado de metanol nesse momento. A atual onda de altas tem sido motivada pela boa e velha relação entre oferta e demanda. “O principal fator foi o atraso na entrada de novas capacidades dentro da área do Golfo [do México], o que fez com que o mercado ficasse pressionado”, afirma.

O caso é que os consumidores de metanol estavam contando com que a 3ª unidade do complexo da Methanex em Geismar (Geismar 3) chegasse ao mercado no começo deste ano. Não foi o que aconteceu. Um problema sério foi descoberto num dos principais equipamentos da planta, o que levou a um atraso de vários meses no cronograma de entrada daquela que é a maior planta de metanol do mundo, com capacidade de 1,8 milhão de toneladas de produção.

E esse não foi o único contratempo. Outra unidade produtiva realmente muito grande, a Natgasoline, no Texas, acabou ficando fora de combate por mais tempo do que deveria entre os meses de junho e julho. “Era para ter sido uma parada de manutenção de duas a três semanas, mas acabou levando um mês”, diz.

Com isso, os estoques de metanol acabaram ficando abaixo do que os fabricantes projetavam. Foi o que acabou pressionando os preços dessa vez. “O metanol é uma commodity muito sensível”, avalia.

Retroalimentação

Esses atrasos acabaram disparando um loop que retroalimenta o processo de alta. Isso porque aqueles contratos de longo prazo entre os fornecedores de gás natural e os fabricantes de metanol costumam ser indexados pelo preço do metanol. Ou seja, as altas recentes acabaram se convertendo em custos maiores. “Embora o preço do Henry Hub esteja abaixo dos US$ 2, a gente está pagando mais”.

E a alta poderia ter sido maior caso as cotações do barril de petróleo estivessem em níveis altos o suficiente para levar os fabricantes chineses de olefinas a migrarem da nafta para o metanol como matéria-prima. A produção de olefinas na China pode agregar até 12 milhões de toneladas à demanda global de metanol, o que encurtaria ainda mais o mercado.

Mas, com o barril do tipo Brent variando entre US$ 77 e US$ 94 na média mensal ao longo dos últimos 12 meses, essa fonte de demanda adicional não se materializou. “[A produção de olefinas] não tem sido um fator relevante para os preços [do metanol] agora, porque o petróleo está em um preço de equilíbrio”, avalia.

Antes tarde

Se o problema é apenas de balanço entre oferta e demanda, então, é possível ver uma luz no fim do túnel. Isso porque a Methanex anunciou ter colocado Geismar 3 para rodar “Com Geismar 3 entrando em operação, os ânimos tendem a se acalmar. Eu acredito que os preços parem de subir, com tendência até de reverter um pouco esses valores atuais”, opina.

Não quer dizer que essa virada vá acontecer da noite para o dia. Geismar ainda tem algumas semanas de ramp-up pela frente até atingir sua capacidade produtiva total. E os fabricantes também precisam recompor estoques.

Além disso, há outros pontos da cadeia que também impactam o preço final do metanol, como os preços dos fretes marítimos pagos para trazer o produto dos Estados Unidos até aqui e os custos para internalizar o produto. No geral, esse ciclo leva por volta de 60 dias para se completar e tem ficado mais caro. “O custo de servir o mercado em geral tem aumentado e colocado pressão nos fornecedores de metanol”, prossegue, acrescentando que esse pico de preços não tem se revertido em margens muito melhores para os fabricantes.

Os resultados mais recentes da Methanex parecem corroborar essa leitura. No segundo trimestre (2T) de 2024, a empresa teve uma receita de US$ 920 milhões e um lucro líquido de US$ 35 milhões – queda de 38,6% em relação ao mesmo período de 2023, quando os preços do metanol estavam bem mais baixos do que hoje.

“O mercado tem essa impressão de que estamos nadando em dinheiro. Não é o caso. É tudo muito justinho”, garante, lembrando que os preços altos podem não ser bons para quem compra metanol, mas também não ajudam quem vende. “Estressa muito nossa relação com os clientes”, pondera.

Preços mais altos também se colocam como uma dificuldade a mais no caminho da indústria de metanol, justamente num momento em que ela vem buscando se apresentar como uma alternativa de baixo carbono ao bunker naval. O mercado de combustíveis marítimos limpos vem atraindo cada vez mais atenção, com diversas opções disputando um naco desse novo mercado – inclusive o próprio biodiesel.

O setor de metanol vem investindo forte nesse filão já há alguns anos, aproveitando que já conta com alta capilaridade em vários dos maiores portos do mundo. “A gente está vendo um movimento forte nesse sentido e temos a expectativa de que o mercado naval vá se tornar uma fonte de demanda próxima à produção de olefinas, com 15 a 16 milhões de toneladas anuais”, anima-se.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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