Normalização do mandato de biodiesel e a entrada de novos biocombustíveis no mercado colocam o setor frente a novas oportunidades e desafios
Apesar de calejados pelos golpes sofridos ao longo últimos anos, o setor de biodiesel continua olhando para o futuro com uma dose de otimismo. Não só porque está do lado certo da – imprescindível – transição energética, mas também porque conta com uma série de externalidades sociais e econômicas positivas que os empresários do segmento esperam que pesem a favor de seus negócios.
Esse balanço complexo entre potenciais e desafios colocados frente ao setor foi o tema do segundo painel da Conferência BiodieselBR 2022 que teve como seu eixo central de discussões a Evolução do Mandato do Biodiesel e Oportunidades para Novos Biocombustíveis. O encontro contrapôs as posições do presidente do grupo BSBios, Erasmo Carlos Battistella, e do diretor do Grupo Potencial, Carlos Eduardo Hammerschimidt.
Lado positivo
Falar do futuro já não é tarefa simples, reconheceu Erasmo. Ainda mais em tempos tão voláteis quanto os nosso. “É difícil de falar sobre futuro considerando os fatos que aconteceram nos últimos anos”, reconheceu o empresário gaúcho ressaltando que, apesar das incertezas, a BSBios está muito comprometida com a agenda de governança ambiental, social e corporativa alinhada sob a sigla ESG e trabalha de olho nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável delineados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos do lado positivo da força”, brincou o empresário durante sua fala.
Apesar de calejados pelos golpes sofridos ao longo últimos anos, o setor de biodiesel continua olhando para o futuro com uma dose de otimismo. Não só porque está do lado certo da – imprescindível – transição energética, mas também porque conta com uma série de externalidades sociais e econômicas positivas que os empresários do segmento esperam que pesem a favor de seus negócios.
Esse balanço complexo entre potenciais e desafios colocados frente ao setor foi o tema do segundo painel da Conferência BiodieselBR 2022 que teve como seu eixo central de discussões a Evolução do Mandato do Biodiesel e Oportunidades para Novos Biocombustíveis. O encontro contrapôs as posições do presidente do grupo BSBios, Erasmo Carlos Battistella, e do diretor do Grupo Potencial, Carlos Eduardo Hammerschimidt.
Lado positivo
Falar do futuro já não é tarefa simples, reconheceu Erasmo. Ainda mais em tempos tão voláteis quanto os nosso. “É difícil de falar sobre futuro considerando os fatos que aconteceram nos últimos anos”, reconheceu o empresário gaúcho ressaltando que, apesar das incertezas, a BSBios está muito comprometida com a agenda de governança ambiental, social e corporativa alinhada sob a sigla ESG e trabalha de olho nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável delineados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos do lado positivo da força”, brincou o empresário durante sua fala.
Erasmo ressaltou que é cada vez mais firme o consenso de que a transição energética é inadiável e apontou que – poucas horas antes – o secretário-geral da ONU, António Guterres, havia dito que o mundo está numa “estrada para o inferno climático” durante a abertura da COP27. Na opinião do fundador da BSBios, está criada uma aura de ‘é agora ou nunca’ justamente num momento em que a indústria de biocombustíveis enfrenta a consolidação dos chamados biocombustíveis avançados como o etanol de segunda geração, o óleo vegetal hidrotratado (HVO), o diesel verde e combustível de aviação sustentável (SAF, na sigla em inglês).
Segundo ele, a indústria tem dado conta do recado. “Apesar do atropelo que tomamos desde a virada do ano, os biocombustíveis estão funcionando”, diz acrescentando que o desafio agora é criar condições para as novas cadeias de biocombustíveis. “Temos o desafio de criar uma política pública para a inserção [dos biocombustíveis avançados] no Brasil. Estamos atrasados nesse sentido”, completa apontando que países das União Europeia e Estados Unidos vêm usando esses energéticos já há alguns anos.
Manter as estruturas
“Espero que o governo que está entrando tenha a correta dimensão [da complexidade] disso”, cobrou. Não se trata apenas de colocar novos produtos na matriz energética brasileira, mas de garantir que as cadeias envolvidas permaneçam estruturadas. Isso pode incluir, paradoxalmente, a cadeia de combustíveis fósseis. “Temos que manter a estrutura de distribuição [de combustíveis líquidos]”, ressalta.
Garantir isso pode ser difícil num momento em que uma série de opções tecnológicas se encontra em disputa pelo mercado de mobilidade. “Não podemos deixar de falar de outras tecnologias como hidrogênio, os combustíveis sintéticos ou a eletricidade. (...) Mas temos que ter em mente que elas também têm grandes desafios pela frente”, disse lembrando que, embora a eletrificação venha ganhando tração nos veículos leves, ainda é preciso melhorar as baterias e aumentar a oferta de energia renovável.
Além disso, a eletrificação pode não ser uma saída tão boa para aplicações que exigem uma densidade energética maior como em veículos pesados ou no setor aéreo. É aí que os biocombustíveis têm seu maior potencial. “Os biocombustíveis têm uma solução pronta, mas não pode acontecer o que aconteceu aqui em que tiraram nossa rampa [de crescimento]”, pondera.
Ele também aconselha que, para fortalecer sua posição, os fabricantes prestem mais atenção à certificação de seus produtos. “Temos dificuldades em certificar (...) porque a agricultura tropical não está representada nos esquemas de certificação”, opina recomendando que o Brasil trabalhe mais no front internacional especialmente dentro da América Latina. “Temos que levar o diálogo [sobre biocombustíveis] para fora do País”, ressalta defendendo que o Brasil e os países latino-americanos encarem essa como uma oportunidade substituir as exportações de produtos agrícolas in natura pela de produtos de maior valor agregado. “Temos um potencial muito grande de sermos o Oriente Médio Verde (...), mas precisamos criar massa crítica para não sermos esmagados por mudanças nas políticas públicas”, comenta
Brasília
Apostar no diálogo também é sua recomendação para lidar com a transição do governo Bolsonaro para o governo Lula. Ele lembra que o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, se comprometeu com a indústria de biodiesel. “Conversamos bastante com ele e temos que manter o diálogo aberto (...) precisamos trabalhar muito para dar sustentação ao B15 e para discutir algo maior”, recomenda reclamando também das constantes mudanças nas regras do RenovaBio. “Temos que manter as metas de CBios. Não dá para ficar jogando para a frente”, irrita-se.
A boa-vontade demonstrada por Geraldo Alckmin também foi um ponto positivo para o representante da Potencial Biodiesel, Carlos Eduardo Hammerschimidt. “Ainda não sabemos os nomes dos futuros ministros das Minas e Energia e da Agricultura, mas o presidente eleito já ressaltou que a pauta ambiental vai ser muito importante”, pondera demandando a volta do diálogo entre governo federal e fabricantes. “Até agora não conseguimos agendar uma reunião estruturada com o ministro [das Minas e Energia] atual”, reclamou colocando também que o apoio dentro do Congresso Nacional será fundamental para que as pautas do setor tenham êxito.
Carlos Eduardo lembrou que a indústria de biodiesel é uma ferramenta importante para levar empregos e catalisar o crescimento econômico em municípios pequenos e médios e que os atrasos na mistura obrigatória causaram uma desaceleração nessa engrenagem. Por causa da redução da mistura, a própria Potencial Biodiesel teve que adiar o investimento de R$ 1 bilhão que estava fazendo para instalar uma esmagadora de soja. “Precisamos de previsibilidade, senão não conseguimos fazer nosso negócio andar para frente”, reclama.
HVO
Sobre o futuro, Erasmo sugere que o setor deveria trabalhar para chegar em 2030 com uma meta de 25% de conteúdo renovável no diesel sendo 15% obrigatoriamente biodiesel e os outros 10% aberto para biodiesel e HVO. “Sem HVO, a gente não tem SAF. É correto e viável fazer os dois mercados [de biodiesel e de HVO] caminharem junto como já os EUA e a Europa já vêm fazendo”, diz.
Para Erasmo, o estabelecimento dessa nova indústria é estratégico para o futuro do setor de aviação na América Latina. “Quando um avião sai do Brasil para o Paraguai ou para a Argentina, ele tem que encontrar SAF nesses países também”, resume.
Carlos Eduardo aponta que ainda há trabalho a fazer em termos de comunicação para disseminar a mensagem de que a transição energética é necessária e os custos extra que ela pode acarretar fazem sentido. “A imprensa tem nos ajudado [nesse sentido]
e vai precisar nos ajudar ainda mais. A população ainda está distante do desafio da transição energética”, lamenta.
Jabuti
Outro tema explorado por Erasmo foi o interesse da Petrobras em emplacar seu novo diesel coprocessado que já sai da refinaria com uma parcela renovável.
Ele lembra que essa tecnologia que ele qualificou como um ‘jabuti’ foi desenvolvida pela estatal há muitos anos e acabou sendo descontinuada em 2006 por não ser economicamente viável. “[O diesel coprocessado] não é um biocombustível, mas um diesel que tem uma fração vegetal que não pode ser comprovada”, critica apontando que o produto aumenta o consumo de hidrogênio no processo de refino o que reduz substancialmente suas vantagens ambientais além de fazer pouco sentido num país que precisa importar diesel fóssil. “A gente não tem capacidade de refino suficiente para produzir o diesel que precisamos (...) e vamos processar óleo vegetal?”, encerra.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com