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Biodiesel continua um desconhecido nos postos do país

Mais de 12 anos depois de seu lançamento, o biodiesel continua amplamente desconhecido fora da bolha

BiodieselBR.com 5 min de leitura

“Acho que já ouvi falar, mas confesso que não sei dizer o que é”, admite Matheus Filipe que há 11 meses atende os clientes de um posto BR localizado na região central de São Paulo. E ele não está sozinho! Na semana seguinte ao lançamento do B12, BiodieselBR.com resolveu bater pernas e passear por postos de combustíveis da maior cidade do país para ver se quem está na linha de frente do mercado sabe – ou não – a respeito de biodiesel. O diagnóstico: o setor está perdendo a guerra da informação. E feio!

É verdade que a amostragem não foi exaustiva. A reportagem percorreu oito postos espalhados pela região central de São Paulo ao longo da primeira semana de março. O resultado, contudo, foi praticamente unânime: de uma dúzia de entrevistados; só dois deram certeza de que já tinham pelo menos ouvido falar em biodiesel e só um soube explicar razoavelmente bem do que se tratava.

“Acho que já ouvi falar, mas confesso que não sei dizer o que é”, admite Matheus Filipe que há 11 meses atende os clientes de um posto BR localizado na região central de São Paulo. E ele não está sozinho! Na semana seguinte ao lançamento do B12, BiodieselBR.com resolveu bater pernas e passear por postos de combustíveis da maior cidade do país para ver se quem está na linha de frente do mercado sabe – ou não – a respeito de biodiesel. O diagnóstico: o setor está perdendo a guerra da informação. E feio!

É verdade que a amostragem não foi exaustiva. A reportagem percorreu oito postos espalhados pela região central de São Paulo ao longo da primeira semana de março. O resultado, contudo, foi praticamente unânime: de uma dúzia de entrevistados; só dois deram certeza de que já tinham pelo menos ouvido falar em biodiesel e só um soube explicar razoavelmente bem do que se tratava.

Sintomaticamente, esse único era justamente o dono de um dos postos visitados. Já entre os frentistas e gerentes, o biodiesel continua quase totalmente desconhecido.

Sem avanço

Essa não é a primeira vez que BiodieselBR.com vai a campo para tentar medir o quanto o público em geral sabe a respeito do setor.

A primeira delas foi logo depois do lançamento da mistura obrigatória em janeiro de 2008. A segunda foi no final de outubro de 2014 quando o país estava às vésperas da chegada do B7. Praticamente não houve nenhum avanço em termos do conhecimento a respeito do produto nesse tempo todo.

Isso embora setor de biodiesel tenha histórias para contar. Desde que entrou na matriz energética brasileira. Em 12 anos de mistura obrigatória, o país chegou ao B12 – e está a caminho do B15 –, viu sua produção anual crescer impressionantes 400% e quase multiplicou sua base produtiva instalada por três. Vitórias estrondosas que nunca chegaram adequadamente aos ouvidos do público.

Explicação

Pelo menos metade dos frentistas ouvidos pela reportagem justificou que a falta de conhecimento sobre o biodiesel vinha da falta de necessidade prática. Eles trabalhavam em postos que não trabalham com óleo diesel por estarem localizados em bairros residenciais. “Como não trabalhamos com diesel, eu nunca precisei saber [o que é biodiesel]”, explicou Ricardo que já é empregado no mesmo posto da rede Setee há mais de 11 anos.

Entre os postos que oferecem diesel, contudo, a situação não é muito diferente. Num deles, Sidnei Aparecido, um frentista que já está no ramo há cerca de 24 anos, chegou a afirmar com certo grau de segurança que o posto onde trabalhava não vendia biodiesel. “Só temos diesel S10 aditivado”, garantiu e mostrou-se surpreso ao ser informado que todo o diesel vendido no país levava um percentual de biodiesel.

Nem a chegada do B12 ajudou. “Não estou por dentro. Se alguém falou, não lembro”, complementa Sidnei quando questionado sobre o aumento da mistura ocorrido alguns dias antes.

O fim de ações de divulgação que estivaram ligadas à fase de lançamento do PNPB também colabora para tornar a adição de biodiesel ao óleo diesel quase um mistério conhecido apenas pelos iniciados. Marcos Lima que é gerente de um posto BR no bairro de Higienópolis diz que costumava haver mais informação disponível sobre o biodiesel. “Lembro que, logo no começo, tinha mais informação”, ressaltou à reportagem acrescentando que, embora tenha conhecimento da existência do biodiesel ele “não saberia explicar o que ele é”. “É algo para reduzir as emissões?”, arrisca.

Falta de demanda

E os motoristas também não têm o hábito de demandar informação sobre o que estão comprando. Segundo Matheus Filipe, o mesmo que abriu esta reportagem, é “raro os clientes terem alguma dúvida sobre diesel”. “Quando eles perguntam alguma coisa, querem saber se o produto é aditivado ou comum”, comenta

Essa percepção é reforçada por Antônio Figueiredo que há 26 anos é proprietário de um posto Shell localizado no bairro de Campos Elíseos. De todos os entrevistados para essa reportagem, ele foi único que sabia o que era biodiesel e que o B12 havia acabado de ser implementado. “As únicas dúvidas que os motoristas nos trazem é se eles podem usar S10 ou não porque alguns veículos mais antigos não podem usar esse tipo de combustível”, comenta.

Segundo ele o biodiesel deveria fazer parte do treinamento dos frentistas. “Mas acaba não entrando. A empresa tem um portal voltado aos frentistas, mas eles acabam focando mais em questões relacionadas à segurança operacional”, encerra.

Esse desconhecimento tem, pelo menos, um lado positivo. Se frentistas e consumidores nem notam o biodiesel, é sinal de que não têm causado problemas. O etanol ganhou uma má fama quando faltou nos postos e pela dificuldade de dar partida no carro em dias frios. Até hoje uma parte da população ainda desconfia dele. O biodiesel completou 12 anos de obrigatoriedade sem chamar atenção, seja positiva ou negativamente.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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