Às vésperas do B7, biodiesel ainda é amplamente desconhecido
Dez anos depois do lançamento do PNPB e à véspera da introdução do B7 em território nacional. O biodiesel ainda é amplamente desconhecido na ponta final da cadeia.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Dez anos já se passaram desde o lançamento do PNPB e mais de 6 anos desde que a mistura se tornou obrigatória. Estamos – literalmente – na véspera da implantação do B7 em todo o território nacional. E, apesar de tudo isso, o desconhecimento sobre esse biocombustível ainda predomina no maior polo consumidor de diesel do país – São Paulo –, ao menos no ponto final da cadeia.
Dez anos já se passaram desde o lançamento do PNPB e mais de 6 anos desde que a mistura se tornou obrigatória. Estamos – literalmente – na véspera da implantação do B7 em todo o território nacional. E, apesar de tudo isso, o desconhecimento sobre esse biocombustível ainda predomina no maior polo consumidor de diesel do país – São Paulo –, ao menos no ponto final da cadeia.
Pelo jeito, a informação a respeito do biodiesel junto a população em geral não avançou muito desde janeiro de 2008 quando, para marcar o lançamento da mistura obrigatória, BiodieselBR.com foi a campo para entrevistar motoristas em alguns postos de Curitiba (PR) acerca do biocombustível.
Desta vez, a equipe do portal preferiu focar em quem lida diariamente com combustíveis e conversou com os funcionários de postos – frentistas e gerentes – e, novamente, a maioria dos entrevistados disse não ter ideia do que se tratava. E não estamos falando aqui em conhecimentos técnicos mais aprofundados sobre a composição ou o processo de produção do biodiesel. A verdade é que eles sequer tinham noção de que o produto que eles manipulam todos os dias é misturado a um combustível renovável.
O gerente Eduardo Carlos Bernardo e os frentistas Sebastião Rodrigues Sousa e Severino Ferreira Filho, do posto Colina (bandeira Shell), situado na via marginal à Rodovia Anhanguera estão entre os que não possuem qualquer familiaridade com o tema. O gerente Bernardo diz saber que "há o diesel S10, que é mais limpo, pois comercializam no posto", mas não sabe dizer nada sobre o biodiesel misturado a este.
O frentista Sousa informa até ter feito curso para obter melhor conhecimento dos produtos vendidos no posto, mas não lembra de “ninguém ter falado sobre biodiesel”. Chegou a confundir biodiesel com etanol. Quando questionado pela reportagem se sabia o que era o biocombustível, retrucou “é aquele produzido com a cana [de açúcar]?”.
O gerente de pista Daniel Nogueira, do posto da BR localizado no Km 12 da Rodovia Anhanguera, no Estado de São Paulo, é outro a negar conhecimento não somente sobre o biocombustível como os aumentos de mistura promovidos pelo governo ao longo deste ano – o B6 foi implantado em junto e a partir de novembro teremos o B7.
A reportagem verificou que a carência de informação sobre o biodiesel não produz só confusão, mas também leva a equívocos. Embora fosse um dos poucos que sabia o que, afinal de contas, era o biodiesel, o gerente do posto Ipiranga situado na Av. do Anastácio (zona oeste da capital paulista), Francisco Antonio Neto, acreditava que o biocombustível não era mais misturado ao diesel. "Antigamente, a gente colocava a etiqueta [na bomba] informando que ali tinha biodiesel. Mas desde 2012, quando houve a troca das bombas, a gente só trabalha com [diesel] S10", diz Neto.
Restrito Mesmo entre os poucos que afirmam saber do que se trata, o conhecimento é bastante raso e limitado. Ricardo Marques, o gerente do posto da Ipiranga da Av. Mutinga (também na zona oeste da capital paulista) foi, dentre os entrevistados, o que demonstrou uma noção um pouco melhor sobre o biocombustível.
Marques sabe, por exemplo, que o biodiesel é um biocombustível adicionado ao diesel. O gerente informou ainda ter tido conhecimento do aumento da mistura em função de comunicado que lhe foi enviado. Contudo, ignorava os prazos de vigência dos novos teores.
Questionado sobre como assimila o novo aumento da mistura, Marques diz "ser indiferente". "Eu não consumo, só vendo."
O frentista caixa Rafael Anselmo, que trabalha com Marques no mesmo posto da Ipiranga, avalia o aumento como algo bom, “já que o biodiesel é menos poluente".