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Maior acionista da Caramuru define sucessão familiar, mas mantém controle de holding

Família controladora da companhia reorganiza participação acionária e estabelece as regras para participação da terceira geração nas decisões estratégicas, que permanecerão, em caráter vitalício, nas mãos de Alberto Borges de Souza

AgFeed 4 min de leitura

O maior acionista da Caramuru Alimentos, uma das maiores processadoras de grãos de capital nacional, formalizou sua sucessão familiar, mas preservou o comando do bloco de acionistas. Alberto Borges de Souza, de 76 anos, patriarca de um dos três troncos da família, definiu seu filho Márcio Nagao de Souza como sucessor.

O acordo, assinado nesta quarta-feira, 4 de novembro, e divulgado como fato relevante na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), também disciplina a transferência de ações e os direitos de voto.

A reorganização – que não tem impacto na gestão da companhia, liderada pelo executivo Marcus Thieme – envolve também as filhas de Alberto: Camila, Ludmila e Juliane Nagao de Souza.

Agora, a holding Nagatsuzuki Participações passa a concentrar os 41,6% das participações deste tronco da família na companhia, fundada pelo pai de Alberto, Múcio de Souza Rezende, em 1964.

Alberto e os quatro filhos transferiram ações da Caramuru para a holding, mantendo individualmente apenas uma ação diretamente na empresa. Na mesma data, o patriarca doou parte de sua participação na Nagatsuzuki aos herdeiros.

A doação, entretanto, foi acompanhada de uma reserva de usufruto vitalício dos direitos políticos e econômicos das ações transferidas. Na prática, Alberto Borges de Souza mantém o poder de voto e o direito aos rendimentos dessas participações.

O acordo determina que sua liderança será exercida em caráter pessoal e vitalício. Enquanto permanecer no comando, ele poderá definir sozinho a orientação de voto do bloco familiar, inclusive em decisões estratégicas, sem necessidade de aprovação dos filhos.

Poder de veto

Em caso de ausência de Alberto, Márcio assumirá automaticamente a liderança familiar, independentemente da quantidade de ações que possuir ou da concordância dos demais integrantes. Em caso de incapacidade do pai, ele poderá exercer interinamente a função, conforme o documento.

A sucessão também alterará o processo decisório. Os familiares passarão a realizar reuniões prévias, com votos proporcionais às respectivas participações acionárias. Nas decisões ordinárias, prevalecerá a maioria, cabendo a Márcio desempatar eventuais divergências.

Já as chamadas matérias transformacionais dependerão da aprovação da maioria e do voto favorável do líder. Isso dará a Márcio poder de veto dentro do bloco familiar sobre operações como venda de participações relevantes, fusões, aquisições, abertura de capital, alterações na política de dividendos e eleição de conselheiros.

O instrumento estabelece ainda direito de preferência na venda de ações a terceiros, com prazo de 30 dias para manifestação dos demais familiares.

A vigência inicial do acordo será de dez anos, com renovação automática por períodos iguais. O eventual falecimento de Alberto não extinguirá o acordo.

O documento não informa, no entanto, os percentuais de participação dos herdeiros após a reorganização nem os valores envolvidos nas doações. Também não anuncia alterações imediatas na diretoria executiva.

Aposta em biocombustíveis

A expansão em biocombustíveis permanece entre as prioridades da companhia. Em setembro, o conselho de administração aprovou uma operação de financiamento com o Rabobank, com recursos destinados, em parte, a investimentos nas unidades de biodiesel.

A Caramuru também mantém um projeto de aproximadamente R$ 1,4 bilhão para construir uma usina de etanol de milho em Nova Ubiratã (MT), em parceria com a Biocen, ainda dependente de financiamento para avançar.

Segundo seu relatório de sustentabilidade de 2025, a empresa processa, em média, 2 milhões de toneladas de soja por ano e possui capacidade instalada superior a 550 milhões de litros anuais de biodiesel.

A Caramuru encerrou 2025 com receita líquida de R$ 8,2 bilhões e lucro líquido de R$ 570,8 milhões. No primeiro semestre de 2026, registrou receita de R$ 3,74 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido caiu 26%, para R$ 214,6 milhões, enquanto a dívida líquida alcançou R$ 2,77 bilhões.

Fundada em 1964, em Maringá (PR), por Múcio de Souza Rezende, a Caramuru iniciou suas atividades no processamento de milho e expandiu suas operações para Goiás, onde mantém a sede, em Itumbiara.

A companhia atua no processamento de soja, milho, girassol e canola, além da produção de biodiesel, ingredientes industriais e alimentos comercializados sob a marca Sinhá, lançada em 1979.

Daniel Azevedo Duarte - AgFeed

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