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Exportação

Exportação de biodiesel deve dominar debate do conselho de energias renováveis


BiodieselBR.com - 17 abr 2012 - 16:22
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No dia 03 de abril, foram instituídos os Conselhos Setoriais de Competitividade do Plano Brasil Maior. Cada um dos 19 grupos vai reunir autoridades do governo e representantes do setor produtivo para delinear as políticas de desenvolvimento industrial e tecnológico mais adequadas à diversos segmentos considerados estratégicos para o bom desempenho da economia brasileira. A indústria do biodiesel está alocada no Conselho Setorial de Competitividade de Energias Renováveis – que também abriga o etanol, a energia eólica e solar. A primeira reunião deste conselho acontece nesta quinta-feira (19 de abril).

Segundo o diretor do Departamento de Competitividade Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alexandre Comin, essa primeira reunião deverá servir para que os representantes do governo façam uma apresentação geral dos objetivos do Plano Brasil Maior e informem os membros da iniciativa privada qual será o foco desse novo espaço de discussão. “Vamos falar sobre o que podemos e o que não podemos discutir nesses conselhos. Juros e taxa de câmbio, por exemplo, estão fora de nossa competência. Existem outros espaços para falar desses assuntos”, explica o servidor que desempenhará o papel de vice-coordenador do conselho de energias renováveis.

Comin conta que já tem um bom tempo que o governo vem preparando o terreno para o lançamento do Plano Brasil Maior e que, ao longo de vários meses, todos os ministérios e órgãos públicos envolvidos com o setor de energias renováveis realizaram reuniões periódicas para alinhar seus diagnósticos para o setor. O resultado desse trabalho prévio foi a cartilha “Brasil Maior: Conselhos de Competitividade Setoriais” que apresentou o programa e sintetizou algumas diretrizes que servirão como ponto de partida para os debates.

De acordo com o servidor, o segmento de energias renováveis é um pouco mais complexo do que os demais. “Biodiesel, etanol, energia solar e eólica têm mais diferenças do que semelhanças entre si. Na prática, nosso conselho é composto por quatro subconselhos com diretrizes diferentes para cada uma das cadeias”, explica. Ele assegura que, apesar disso, o conselho tem tudo para ser uma instância efetiva. “Entendemos que cada um desses segmentos está num estágio diferente de maturação. Existe competição entre eles, mas, em termos de política industrial, eu não acho que um segmento vai canibalizar o outro porque cada um tem sua razão de ser”, assegura.

Em termos práticos, boa parte do debate tende a seguir em quatro grupos de trabalho semiautônomos que convergirão nas reuniões do conselho. Há uma boa dose de complementariedade uma vez que diversos dos conselheiros gravitarão naturalmente entre dois ou mais GTs. “Tem pessoas do governo que navegam de um para o outro tema e, também, procuramos trazer grandes conglomerados de energia que têm interesses em mais de uma área”, afirma Comin.

Foco do biodiesel

No caso do biodiesel, o debate mais importante deverá ser a desoneração das exportações. “A gente entende que o biodiesel tem um potencial exportador muito grande, sobretudo para o mercado europeu que tem metas substituição dos fósseis por biocombustíveis”, explica.

Esse não é um diagnóstico particularmente novo. Desde que o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) foi lançado no final 2004 existe a perspectiva de entrada no mercado europeu. Mas ela nunca chegou a se concretizar. Comin acha que esse é o momento. “É por não termos tido sucesso que a gente entende que devemos começar por aí. O Brasil é muito competitivo na área agrícola de uma forma geral e, particularmente, em produtos do complexo soja. Se não estamos conseguindo exportar biodiesel, é porque tem alguma coisa errada que precisa ser corrigida”, complementa.
 
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com