Exportação

Os desafios para a exportação do biodiesel brasileiro


BiodieselBR.com - 23 mai 2012 - 17:57
Porto-230512Nas últimas semanas, a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) e a União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), entidades que representam o setor de produção do combustível no país, se reuniram com a embaixada da Espanha para discutir a possibilidade de exportação do combustível brasileiro ao país europeu. Em 16 de abril, o governo argentino decidiu nacionalizar parte da petroleira YPF, filial do grupo espanhol Repsol e principal fonte do biocombustível, atrapalhando as relações diplomáticas e comerciais entre os países.

Desde o incidente, a Espanha busca meios de suprir o fornecimento de ao menos 2 milhões de toneladas de biodiesel anuais ao país até 2014. Na última segunda-feira, venceu o prazo de 30 dias dado pelo premiê espanhol, Mariano Rajoy, para que produtores internos de combustível e da União Europeia se inscrevessem para ofertar o produto. O governo espanhol ainda não se pronunciou sobre o recadastramento, mas, se a meta for atingida, cogita-se que, em seis meses, devem estar extintas as exportações de biodiesel da Argentina para a Espanha, que renderam US$ 1,1 bilhão em 2011.

Presidente da Aprobio, Erasmo Carlos Battistella viu com bons olhos o encontro com a embaixada. “O embaixador entende que o Brasil pode suprir parte da demanda deixada pela Argentina”, conta. Para Battistella, é o momento de aproveitar a oportunidade e agir. “O Brasil deve decidir se quer exportar e criar condições para isso”, afirma.

A crítica de Battistella está na falta de incentivos fiscais para levar o biodiesel ao mercado externo, o que encarece os custos da produção. Com ajustes pequenos, sobretudo na tributação, o presidente da Aprobio defende que o país está apto a competir no mercado internacional, com preços aceitáveis. “O biodiesel argentino jogava o preço para baixo em todo o mundo. A partir de agora, haverá um novo cenário de valores”, opina.

Além da elevada carga tributária, o planejamento do setor priorizou o mercado interno, sobretudo na logística. BiodieselBR.com também procurou a Ubrabio e a embaixada espanhola para comentar o assunto, mas não se manifestaram sobre o tema. Veja os pontos fortes e fracos do Brasil para exportar:

Fracos
Carga Tributária e Preço – As diferenças entre a produção de biodiesel brasileira e argentina são imensas. Nos vizinhos, há política de exportação de insumos da soja, que valoriza o farelo, o óleo e o próprio biodiesel, inclusive com isenção de impostos. No Brasil, ocorre o oposto: o apoio do governo acontece para a exportação do grão, o que aumenta o custo da produção do biodiesel. 

Planejamento e logística – Nas raízes do programa de biodiesel, discutiu-se se seria mais interessante ter as usinas próximas a matéria-prima ou ao mercado consumidor. O modelo inicial do programa do governo favoreceu a construção de usinas em regiões próximas a matéria-prima, no interior do Brasil. Com as unidades longe dos portos, o custo do biodiesel aumenta pelo fator logístico. Além disso, os portos brasileiros são pouco eficientes.

Crise – A Europa, como um todo, enfrenta forte crise econômica, o que coloca em xeque a possibilidade de a Espanha pagar valor mais elevado pelo biocombustível.

Fortes
Câmbio – A desvalorização recente do Real favorece aos exportadores, pois aumenta os lucros. Embora dependa de fatores externos, o câmbio, no momento, é benéfico.

Usinas logísticas – Algumas usinas brasileiras estão localizadas em pontos estratégicos, próximas de portos, diminuindo o custo do transporte. 

Capacidade – Boa parte das usinas brasileiras produz abaixo de sua capacidade, justamente porque só abastecem o mercado interno. Caso a exportação se torne viável, é possível diminuir a ociosidade das fábricas.

Vinicius Boreki - BiodieselBR.com