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Total prevê investir R$ 15 bi em E&P no Brasil até 2024


Valor Econômico - 02 mar 2020 - 16:23

Animada com o portfólio construído no Brasil nos últimos anos, a petroleira francesa Total prevê investir entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões por ano em exploração e produção (E&P) de óleo e gás no país nos próximos cinco anos, o equivalente, pelo câmbio atual, a R$ 15 bilhões até 2024. Nesse horizonte, a companhia espera aumentar em cerca de quatro vezes a produção de petróleo no Brasil, passando dos 40 mil barris diários, estimados para este ano, para mais de 150 mil barris diários, ao fim do período.

“Hoje, já temos um grande número de ativos de alta qualidade”, afirmou o presidente de E&P global da Total, Arnaud Breuillac, ao Valor. “Estamos satisfeitos com o que temos agora, mas nossa ambição é ter mais. Acredito que o principal driver é a qualidade dos ativos”, completou o executivo, que esteve no Brasil na última semana.

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Globalmente, a francesa produz cerca de 3 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) diários de óleo e gás, com faturamento anual na casa de US$ 176 bilhões (quase R$ 800 bilhões). No Brasil, onde completa 45 anos de atividades este ano, a empresa já investiu US$ 7 bilhões e possui 3 mil funcionários.

No cardápio da Total no país estão os expressivos campos de Mero (ex-Libra) e Iara, no pré-sal da Bacia de Santos, e o promissor bloco C-M-541, na Bacia de Campos, adquirido na 16ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em outubro de 2019. Mas Breuillac não esconde o entusiasmo com o campo de Lapa, também no pré-sal da Bacia de Santos.

“Ele [Lapa] é muito simbólico porque é o primeiro campo operado por uma IOC [sigla em inglês para petroleira internacional] em produção no pré-sal”, disse. “Sermos operadores é importante porque nós realmente acreditamos que podemos gerar valor, podemos contribuir ainda mais em nossa parceira com a Petrobras.”

A Total possui 35% de Lapa, em parceria com a estatal brasileira (10%), Shell (30%) e Repsol (25%).

Breuillac conta que os investimentos previstos em E&P no país podem aumentar, caso a empresa seja bem-sucedida nas atividades exploratórias. Entre os projetos de exploração, uma das maiores apostas da companhia é o C-M-541, onde a petroleira prevê perfurar dois poços, sendo um no fim do ano e outro no início de 2021.

A Total é a operadora no C-M-541, com 40% de participação, junto com a Qatar Petroleum (40%) e a Petronas (20%), da Malásia. “Estamos muito esperançosos”, disse.

Com relação aos blocos na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, onde a petroleira teve a licença ambiental para perfuração negada pelo Ibama, o executivo contou que a empresa está analisando o projeto com os sócios, para tomar uma decisão no futuro. “Temos que nos certificar de tomarmos a melhor decisão sobre esse projeto”. A Total tem 40%, junto com Petrobras (30%) e BP (30%) em cinco áreas na Foz do Amazonas.

O portfólio atual não diminui o interesse da Total por novos leilões no Brasil. Segundo Breuillac, a empresa continuará estudando oportunidades. “Acreditamos que o Brasil continuará tendo significativo potencial de novos recursos de alta qualidade”.

Questionado sobre as mudanças em discussão no governo sobre o modelo de partilha de produção, ele afirmou que a empresa acompanha o processo. “Vamos esperar para ver. Se for atrativo, estaremos interessados”.

Outra área que atrai a atenção da gigante francesa é o mercado de gás natural brasileiro, que está passando por uma reforma. “Vemos o gás, em escala global, como um componente muito importante no mix energético, no contexto da transição energética”, disse. “Estamos buscando oportunidades de negócios rentáveis com a abertura do mercado de gás no Brasil”.

A Total também estendeu sua atuação no Brasil para a área de distribuição de combustíveis, ao adquirir em 2018 a Zema Petróleo, dona de uma rede de cerca de 300 postos, principalmente em Minas Gerais. “Para a Total, o Brasil é estratégico não apenas em E&P, mas também porque nós vemos o Brasil como uma economia crescente, com grande população, com grande mercado”, afirmou o executivo.

Sobre o processo de transição energética, Breuillac contou que não há um “senso de urgência” para explorar os recursos petrolíferos, e sim um foco maior na qualidade dos recursos e na disciplina com relação aos investimentos. “Não controlamos o preço do petróleo, mas controlamos a nossa base de custo”, afirmou.

De acordo com o executivo, o custo médio de operação da empresa na produção de óleo e gás é de US$ 5,4 por BOE – o mais baixo entre as gigantes petrolíferas internacionais. E a meta é chegar a US$ 5 por BOE em 2021.

Rodrigo Polito – Valor Econômico