Vendas de biocombustíveis em alta devem acelerar geração de CBios
O aumento da produção de etanol e de biodiesel no Brasil neste ano deve levar a uma geração de Créditos de Descarbonização (CBios) maior do que o esperado inicialmente, contribuindo para manter os preços desses ativos em patamares baixos historicamente. Equivalentes a uma tonelada de carbono de emissão evitada pelo uso de biocombustíveis no lugar dos fósseis, os CBios são negociados atualmente em torno de R$ 25.
A consultoria StoneX elevou sua estimativa de geração de CBios deste ano em 400 mil créditos, em relação a sua projeção de março, passando a estimar agora uma geração total de 45,45 milhões. Trata-se de um acréscimo de 5,7% sobre 2025.
O aumento da geração de CBios está sendo puxado principalmente pelo aumento das vendas de etanol, que devem resultar na geração de 6,4% mais CBios, somando 37,4 milhões de créditos, estima a StoneX. Esse incremento está relacionado à queda dos preços do etanol hidratado, que está começando a atrair a demanda dos motoristas de carros flex neste semestre, e à elevação da mistura do etanol anidro na gasolina para 32%.
Para Isabela Garcia, analista de inteligência de mercado da consultoria, a alta recente dos preços do açúcar não deverá interferir no aumento da oferta de etanol, e por consequência de CBios. “Por mais que tenha alguma migração [da produção de cana-de-açúcar para o açúcar e menos para o etanol], ainda é uma perspectiva de grande produção de etanol, o que ainda mantém esse potencial [de geração de CBios] alto”, disse.
As vendas de biodiesel também devem gerar mais CBios. Segundo a consultoria, o renovável deve resultar em 5,3% mais créditos do que em 2025, chegando a 7,8 milhões de CBios, um recorde. Embora o governo não tenha elevado a mistura do biodiesel, o consumo de diesel está em alta.
Esse aumento de geração soma-se aos estoques de CBios de anos anteriores. O mercado já começou o ano com um estoque residual de 19,5 milhões de CBios.
Pela previsão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as distribuidoras têm que comprar neste ano 49 milhões de CBios, o que é atendido com folga pela oferta prevista. O número considera a meta definida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e ajustes.
Camila Souza Ramos – Globo Rural


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