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O que é melhor: 70% ou 90% de retirada mínima das distribuidoras?

Medidas para flexibilizar mercado de biodiesel durante a epidemia do coronavírus colocar distribuidoras e usinas em campos opostos

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O Leilão 72 está colocando as usinas e distribuidoras em lados opostos. Não que isso seja algo totalmente inédito – os interesses desses dois segmentos do já entrara em rota de colisão antes –, mas a disputa vinha em níveis bem baixos há um bom tempo.

O ponto de atrito principal é qual o percentual mínimo de retirada que as distribuidoras terão a obrigação de executar sobre o volume comprado no 72º Leilão de Biodiesel. Até o hoje, o percentual é de 95%. Ou seja: de cada metro cúbico que as distribuidoras comprarem no leilão, elas têm a obrigação de aparecer para buscar 950 litros nas usinas. Se retirarem menos pagam multa de 300 reais por m³.

Com o impacto do coronavírus sobre o mercado de combustíveis, há um certo consenso sobre a necessidade de flexibilização desta regra. A dúvida é de quanto? A maioria das usinas querem que esse percentual fique na casa dos 90% com algumas aceitando ir até 85%. Já as distribuidoras querem 70%. Para decidir essa disputa, o MME e a ANP vêm fazendo reuniões com representantes dos dois setores quase todos os dias. Até agora – no último dia útil da semana – ainda não há um posicionamento oficial.

Qualquer que seja a tardia decisão do MME e ANP; ela vai refletir diretamente no volume comprado.

O Leilão 72 está colocando as usinas e distribuidoras em lados opostos. Não que isso seja algo totalmente inédito – os interesses desses dois segmentos do já entrara em rota de colisão antes –, mas a disputa vinha em níveis bem baixos há um bom tempo.

O ponto de atrito principal é qual o percentual mínimo de retirada que as distribuidoras terão a obrigação de executar sobre o volume comprado no 72º Leilão de Biodiesel. Até o hoje, o percentual é de 95%. Ou seja: de cada metro cúbico que as distribuidoras comprarem no leilão, elas têm a obrigação de aparecer para buscar 950 litros nas usinas. Se retirarem menos pagam multa de 300 reais por m³.

Com o impacto do coronavírus sobre o mercado de combustíveis, há um certo consenso sobre a necessidade de flexibilização desta regra. A dúvida é de quanto? A maioria das usinas querem que esse percentual fique na casa dos 90% com algumas aceitando ir até 85%. Já as distribuidoras querem 70%. Para decidir essa disputa, o MME e a ANP vêm fazendo reuniões com representantes dos dois setores quase todos os dias. Até agora – no último dia útil da semana – ainda não há um posicionamento oficial.

Qualquer que seja a tardia decisão do MME e ANP; ela vai refletir diretamente no volume comprado.

As distribuidoras não têm como saber qual vai ser a demanda real de diesel em maio. Muito menos em junho. E não querem pagar a multa caso a demanda de diesel não atinja as projeções deles. E parece que as usinas não estão se dando conta de como essa dinâmica afeta o volume comprado no leilão e principalmente o preço de venda do biodiesel.

Se as distribuidoras tiverem que retirar 90% de tudo que comprarem, vão comprar a menor quantidade de biodiesel que puderem usando projeções que levam em conta que a quarentena vai se estender por maio e junho. Assim, as chances de superdimensionar a demanda serão menores minimizando as chances de terem que pagar R$ 300 por cada m³ não retirado.

Com as distribuidoras comprando o mínimo possível, as usinas acabarão recebendo um ágio menor pelo produto vendido. Além de vender pouco biodiesel, vão receber menos pelo pouco que venderem.

Nesse cenário, a única vantagem para elas é ter a certeza de que vão entregar 90% do que foi vendido.

Agora se as distribuidoras puderem retirar 70% do que foi comprado no leilão sem ter que pagar os R$ 300 de multa, elas terão segurança para comprar muito mais biodiesel do que no cenário anterior. Nesse caso, o objetivo delas será reduzir as retiradas dos estoques reguladores de biodiesel que, além de serem mais caro, costuma ter uma logística pior.

Essa demanda maior vai fazer com que o ágio pago durante o leilão suba fazendo com que as usinas recebam mais pelo produto vendido. O lado ruim é que um percentual maior desse volume pode não ser retirado, mas o que for retirado terá um preço mais alto.

As usinas teriam uma incerteza maior sobre as retiradas. Isso é ruim para a compra de matéria-prima e para fazer o hedge do volume vendido. Mas é preciso colocar na conta que os 70% que serão vendidos podem dar R$ 50 a mais por metro cúbico. E esses são os R$ 50 que entram na conta como lucro.

Nos dois cenários as usinas terão entregue mais ou menos a mesma quantidade de biodiesel no final de junho. As distribuidoras não estão pleiteando a diminuição no uso de biodiesel. O que elas não querem é ter que prever quando a quarentena acaba, como vai ser a retomada da economia, e em quais regiões o consumo de diesel vai começar a crescer primeiro.

Ninguém no mundo tem resposta para isso.

Fique o limite contratual em 70% ou em 90%, na prática as distribuidoras vão comprar o volume mínimo que pretendem retirar numa situação de pior cenário. E vão comprar mais biodiesel se a multa ficar nos 70% do que se ela ficar nos 90%.

O melhor para reduzir o risco de todos nesse momento seria, finalmente tirar da gaveta a Portaria MME 311/2018, fazer com que o L72 comprasse biodiesel apenas para o mês de maio. A previsão legal para isso já existe! Poderíamos ter leilões mensais enquanto a crise do coronavírus continuasse. Isso reduziria consideravelmente os riscos para todos os agentes e garantiria uma compra muito mais próxima do que vai ser a demanda.

Mas tudo parece indicar que saída não vai ser usada.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com

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