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"O futuro não será só elétrico, mas eclético", defende CEO da Scania Brasil

 Christopher Podgorski, CEO da Scania Brasil, diz que, na transição energética, diferentes tecnologias devem conviver no processo de descarbonização da economia

NeoFeed 4 min de leitura

A incorporação de veículos leves e caminhões eletrificados à frota brasileira é inevitável diante do desafio de descarbonização da economia, embora ainda seja difícil estipular quando isso vai ocorrer.

O caminho seguro e paulatino para a eletrificação, cujos custos ainda são proibitivos para a conversão completa da frota, passa pela utilização de alternativas, como o uso de biocombustíveis para caminhões, e pela mudanças no processo de produção de carros elétricos.

Por enquanto, o desafio da indústria é eleger as melhores alternativas para diminuir a pegada de carbono e oferecer retorno para o investidor.

Essas foram algumas das conclusões do painel sobre eletrificação no setor de transportes ocorrido esta segunda-feira, 29 de janeiro, durante a 11ª edição do Latin America Investment Conference (LAIC).

Evento organizado pelo UBS, o painel teve participação de Christopher Podgorski, CEO da Scania Brasil, e Alexandre Baldy, presidente da BYD Brasil.

“O futuro não será só elétrico, mas eclético”, diz Podgorski. “Diferentes tecnologias vão competir entre si, pois o Brasil – um país de dimensões continentais – vai exigir diversas soluções de descarbonização até a eletrificação”, diz Podgorski.

Segundo ele, fontes de energia verde como biodiesel, biometano e HVO (óleo vegetal hidrotratado) já estão sendo incorporadas à frota de caminhões da Scania.

“Dentro dessa busca por alternativas viáveis visando à descarbonização, temos 7 mil caminhões movidos a biometano circulando na América Latina, um combustível que reduz 90% das emissões de carbono”, afirma o executivo da Scania, lembrando que é preciso oferece um portfólio de soluções no curto, médio e longo prazo.

Podgorski conta que a Scania começou esse processo em 2014, com a fabricação de ônibus híbridos para aplicação urbana e conurbana. Dois anos depois, com o Acordo de Paris, a estratégia de descarbonização foi aplicada no plano de negócios da montadora.

A Scania se comprometeu, com base na frota de 2015, a reduzir em 20% da emissão de carbono dos seus caminhões até 2025. “O fim da história é a eletrificação, vários estudos sobre os sistemas de transportes apontam que até 2050 é possível”, diz Podgorski.

Aposta no plug-in

Baldy, da BYD, diz que o Brasil não é uma ilha e, a despeito dos custos ainda elevados dos carros elétricos, a agenda de descarbonização da frota se dará por etapas.

“Os carros elétricos híbridos plug-in têm uma aceitação mais relevante que os carros puramente elétricos, precisamos inicialmente de um tempo de transição e adaptação para uso urbano”, afirma Baldy.

O executivo da montadora chinesa explica como a BYD conseguiu reduzir o preço de seus veículos, que são em média US$ 10 mil mais baratos que os fabricados por outras marcas.

Segundo ele, a solução para reduzir custos foi ampliar o índice de verticalização na produção, com fabricação própria de maior volume de peças para depender menos de fornecedores, uma estratégia alinhada com a crise pós-pandemia de cadeias de suprimento.

“Essa capacidade disruptiva da empresa busca uniformidade na composição de fornecimento e competitividade, uma vez que para um veículo elétrico que custa em média US$ 50 mil, a diferença de US$ 10 mil é significativa”, diz Baldy.

Para os dois executivos, o desafio no curto prazo é convencer os clientes a deixar de usar caminhões e veículos a combustão.

Baldy diz que, no caso dos carros elétricos, é preciso romper o que ele chama de resistência cultural. “O brasileiro tem uma relação com automóveis de passeio diferente dos europeus e americanos, nas camadas sociais menores, o carro aqui é visto como um ativo de seu patrimônio”, afirma.

Ele diz que o carro híbrido, primeiro passo para a transição, ainda é novidade, daí o receio de aderir ao novo mercado. “A implementação de infraestrutura de carregamento de bateria e o início da produção aqui no Brasil vão dar velocidade a essa transição”, afirma Baldy.

A tarefa da Scania também é complexa. “A eletrificação de caminhões tem custo elevado, mas a manutenção tem custo menor de componentes e, no longo prazo, é possível recuperar o investimento”, diz Podgorski, acrescentando que aas empresas de transporte tendem a relevar num primeiro momento os custos adicionais para cumprir metas de descarbonização.

“Essas curvas de custos de elétricos versus veículos a combustão em algum momento ainda vão se encontrar”, diz Podgorski. “O óleo diesel é duro de abater, mas a jornada já começou e não tem volta.”

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