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Expedição de 12.350 km confirma viabilidade do biodiesel B100


Agência Lusa - 06 ago 2012 - 10:38 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Uma travessia “em condições extremas” entre o Brasil e o Peru, num total de 12.350 quilómetros em 16 dias, confirmou a viabilidade do biodiesel puro como combustível para veículos, informou hoje um investigador da Universidade do Minho (UMinho).

Segundo Jorge Martins, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da UMinho, a viatura que fez aquela expedição abastecida com biodiesel queimou menos 5,9 por cento de energia do que uma outra movida a diesel.

“Foram gastos 1259 litros na pick-up de biodiesel e 1216 na de diesel, ou seja, só mais 3,5 por cento, quando se esperava mais 10 por cento. E as médias foram, respetivamente, de 10,2 e 9,8 litros aos 100 quilómetros, quando se previa bem mais”, acrescentou.

Feitas as contas, a viatura com biodiesel queimou menos 5,9 por cento de energia do que a outra, mas em contrapartida perdeu nos testes de aceleração, tanto a baixa altitude como a 4000 metros.

Por outro lado, o teor de fumos emitido pela viatura a biodiesel foi “claramente inferior e de cor branca em vez de negra, parecendo vapor”.

O biodiesel utilizado é 100 por cento natural e foi produzido na Universidade Federal da Bahia (UFB), Brasil, com óleo vegetal oriundo de hospitais, restaurantes e vendedoras de acarajé.

A travessia faz parte de um projeto desenvolvido por uma equipa da UFB e da UMinho, cujo objetivo é apelar para o potencial da expansão dos biocombustíveis e contribuir para novas tecnologias sustentáveis, eficientes e inovadoras.

“A travessia foi promissora, em breve temos mais dados, estamos otimistas”, notou Jorge Martins, que está de licença sabática no Brasil a investigar sobre o uso do biodiesel.

Estão a decorrer testes aos óleos de lubrificação, densidade e poder calorífico de ambos os combustíveis e foram abertos os motores das duas viaturas usadas na expedição para inspecionar diferenças, entre outros aspetos.

O único problema da viagem do Atlântico ao Pacífico ocorreu nas duas noites da equipa nos Andes, com quase 10 graus negativos.

“Deixámos o bidão de reserva no quarto para o biodiesel não congelar, mas o que ficou nas tubagens do veículo congelou e de manhã tivemos que aquecê-lo com água quente e secadores de cabelo”, contou Jorge Martins.

A I Travessia Interoceânica Brasil-Peru uniu as cidades de Salvador da Bahia e Ilo, ida e volta, atravessando ambientes urbanos, de savana, selva, deserto e montanha, incluindo picos de calor e humidade na Amazónia ou de frio e grande altitude nos Andes.
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