Pesquisa

Pesquisadores europeus desenvolvem catalisador para biodiesel


BiodieselBR.com - 25 set 2012 - 13:07 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Um grupo de pesquisadores desenvolveu um novo tipo de catalisador híbrido que pode aumentar a eficiência no processo de produção de biodiesel. O grupo envolve pesquisadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) – agência ligada ao governo espanhol –, da Universidade Politécnica de Valência e da Universidade da Calábria.

Publicada no periódico científico Catalysis Today, a novidade se baseia no encapsulamento de enzimas no interior de nanoesferas inseridas dentro de um material feito de sílica porosa.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo trabalho, o novo catalisador facilita o uso de óleos e gorduras de pior qualidade – portanto mais baratos – na produção de biodiesel. Os hidróxidos usados atualmente pela indústria perdem eficiência quando usados em matérias-primas que tenham índices de ácidos graxos, água e triglicérides insaturados mais elevados – isso reduz o rendimento das reações e exigem a mistura de mais catalisadores, o que diminui a eficiência econômica da indústria. A troca dos atuais catalisadores por enzimas poderia reduzir esse contratempo.

Contudo, o pesquisador do CSIC, Avelino Corma, explica que um dos maiores desafios com os quais o meio acadêmico tem se deparado ao estudar os catalisadores enzimáticos tem sido as dificuldades relacionadas à preservação de sua estabilidade e atividade. Segundo ele, é preciso encontrar formas de imobilizar as substâncias para que sua utilização se torne prática do ponto de vista industrial. “Geralmente, o meio no qual se imobiliza a enzima é muito importante para preservar sua conformação e atividades”, diz o pesquisador.

De acordo com ele, o grande avanço foi a decisão de “aprisionar” as moléculas dentro de um meio aquoso rodeado por uma membrana de sílica. Os pesquisadores sintetizaram um material hibrido orgânico-inorgânico em estado sólido que forma capsulas esféricas nas quais as enzimas ficam presas. “A parte orgânica contém uma lipase isolada a partir de fungos Rizhomucor miehei. Essas nanoesferas são cobertas por um escudo de sílica porosa inorgânica que a isola, protege e estabiliza as moléculas bioativas”, comemora o pesquisador.

Protegida por essa matriz de sílica, as enzimas continuem ativas por até cinco ciclos de reação. Resultado superior ao rendimento que vem sendo obtido com a adição de enzimas livres.

Mais informações:
Nota à imprensa
Pure silica nanoparticles for liposome/lipase system encapsulation: Application in biodiesel production

Fábio Rodrigues
Com informações Agência EFE e CSIC