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Pesquisa explora efeitos das políticas de incentivo aos biocombustíveis


BiodieselBR.com - 05 out 2012 - 17:17 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
pesquisa esalq_051012Uma pesquisa conduzida como parte de um projeto de mestrado em economia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP explorou os efeitos das políticas de incentivo à produção de biocombustíveis no Brasil e em diversos países do mundo. O trabalho foi realizado pelo economista Leandro Menegon Corder e apresentado em meados do ano.

O estudo fez um levantamento sistemático dos resultados obtidos por diversas políticas de estímulo aos biocombustíveis. Foram acompanhados os números da Europa, América, Índia, China e Japão. A pesquisa mostra que a maioria desses programas tem conseguido atingir as metas propostas de substituição de fontes fósseis por renováveis.

A maior dificuldade tem sido fazer com que essas indústrias se viabilizem financeiramente. O fiel da balança é o preço do barril do petróleo, boa parte dos programas de biocombustíveis ganhou impulso a partir das previsões sobre a proximidade da escassez do petróleo. “Os principais programas de incentivo às fontes alternativas tiveram início com a alta cotação do petróleo. Agora, com a queda desses preços, o setor passará a depender da muleta governamental para manter-se competitivo”, observa.

Na opinião do economista é esse o caso do biodiesel no Brasil. Sete anos depois do lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) ainda são necessários ajustes em termos da matéria-prima utilizada, práticas agrícolas e os incentivos governamentais ainda são indispensáveis para manter a produção no Brasil. Mesmo assim o programa pode ser considerado exitoso por ter conseguido estabelecer a capacidade de produção necessária para atingir a mistura obrigatória. 

Na opinião do entrevistado, a crise econômica na Europa mudou as prioridades dos países da UE que, aos poucos, vem colocando de lado os subsídios à produção de biodiesel e apostando que o mercado vai acabar aceitando pagar preços um pouco maiores pelo combustível limpo. “Mais ou menos da mesma forma como acontece com os alimentos orgânicos”, comenta.

Alimentos
Ele também procurou levantar dados sobre os impactos efetivos que o aumento da demanda por biocombustíveis de 1ª geração – aqueles que são produzidos a partir de produtos agrícolas alimentares – tem sobre os preços das principais matérias-primas. “Essa é uma das discussões mais importantes, determinar se havia e qual o tamanho dos impactos que essas políticas causavam”, disse o pesquisador à BiodieselBR.

O trabalho então levantou as principais matérias-primas usadas na produção de biocombustíveis nos países, acompanhado de seus preços de mercado durante o período. Os dados indicaram que existe uma correlação positiva entre os valores cobrados pelos gêneros agrícolas mais utilizados na produção de biocombustíveis – soja, canola e cana-de-açúcar, por exemplo –, contudo, as tendências percebidas já estavam presentes em anos anteriores, ou seja, não é possível atribuir o fenômeno inteiramente aos biocombustíveis.

“Aqui no Brasil é mais difícil de dizer isso porque temos bastante terra disponível, na Europa dá para notar uma pequena correlação entre o crescimento dos biocombustíveis e o aumento dos preços das matérias-primas. Mas o grande caso são os Estados Unidos, onde o milho vem sendo usado em larga escala na produção de etanol e isso afeta toda a cadeia do milho”, diz.

Entretanto, ele aponta que outros fatores também contribuíram para os aumentos registrados, desde a elevação da cotação do petróleo – que encareceu a produção agropecuária – e explosão do consumo na China e na Índia que vem pressionando o mercado global de commodities alimentares.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com