Pesquisa

Nova tecnologia permite aproveitar sais residuais da glicerina


BiodieselBR.com - 29 abr 2020 - 09:56 - Última atualização em: 29 abr 2020 - 15:08

Em breve a indústria de biodiesel vai poder acrescentar mais um coproduto a seu portifólio: um grupo de pesquisadores desenvolveu um método que permite o aproveitamento comercial dos sais residuais gerados durante o processo de destilação da glicerina. O grupo reúne cientistas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) que já deram entrada num pedido de patente dessa nova tecnologia junto ao Instituto Nacional de Propriedade Indústria (Inpi).

Dentro do atual paradigma tecnológico do setor, a produção de biodiesel e de glicerina são indissociáveis – para cada 10 litros de biocombustível é gerado cerca de um litro de glicerina. De acordo com a edição mais recente do Anuário Estatístico da ANP, em 2018 as usinas de biodiesel fabricaram um total de 440,6 milhões de litros de glicerina como resultado de suas atividades.

Redução de resíduos

O problema é que esse material não sai das usinas em condições de uso imediato. Antes, ele precisa passar por um processo de destilação que deixa para trás quantidades consideráveis de um tipo de resíduo sólido – entre 17 e 18 mil toneladas apenas no ano passado – que, até agora, tinha que ser descartado com cuidados especiais que geram um alto custo para as empresas do setor. “Ele é classificado como um resíduo classe 2 não inerte. Isso exige que ele seja descarado em aterros sanitários especiais para a indústria química ao custo de R$ 150 por tonelada”, explica o professor adjunto dos cursos de Engenharia Agrícola e Engenharia Mecânica da UFSM, Marcus Vinícius Tres, que é um dos responsáveis pelo desenvolvimento da nova tecnologia.

A redução dessa conta foi um dos problemas que o grupo de pesquisadores liderado por Marcus identificou junto a lideranças do segmento. “A gente fez reuniões com o pessoal da direção de algumas usinas e esse foi um dos problemas que eles identificaram como prioritário”, diz.

Como a maior parte do resíduo era formada por sais, uma solução seria destiná-lo para a indústria de alimentação animal, mas isso esbarrava na rejeição do produto in natura. “Esse sal está contaminado por ácidos graxos e os animais não o aceitam sem purificação, mesmo quando misturado à ração convencional”, explica.

Purificação

No processo desenvolvido pela equipe, o sal bruto é misturado com um solvente que separa contaminantes do sal purificado. No final, cerca de 80% da massa total pode ser aproveitada. “Estamos falando de algo em torno de 14 a 15 mil toneladas anuais”, diz.

Além de uma economia de aproximadamente R$ 2,25 milhões por ano só com a conta do aterro desse material, Marcus estima que usinas também poderiam ganhar R$ 15 milhões por ano com a venda do sal purificado.

Segundo Marcus, sua equipe agora está prospectando parcerias que permitam levar a tecnologia até as usinas. “Nosso foco são empresas que tenham plantas de destilação de glicerina”, finaliza.

Atualização 15h05 - A grafia do nome e o cargo do professor Marcus Vinícius Tres foram corrigidas.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com}