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Carência de cursos sobre biodiesel é cada vez maior


BiodieselBR.com - 22 mar 2012 - 11:47
Paulo Anselmo SuarezPaulo Suarez, pioneiro na elaboração de cursos específicos sobre biodiesel no Brasil

Ainda faltam mais de quatro meses para as aulas começarem, mas a equipe responsável pelo curso Biodiesel – Obtenção e Análise de Qualidade (BOA) já está se preparando para receber sua turma de 2012. Organizado pelo Instituto de Química (IQ) e a Escola de Química (EQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o curso de cinco dias se tornou uma das boas referências em iniciativas de aprimoramento dos profissionais do mercado de biodiesel.

A cada nova turma aberta pela UFRJ, algumas centenas de profissionais disputam poucas dezenas de vagas. Ano passado, foram 315 inscritos para apenas 90 vagas. E apenas metade dos participantes conseguiu participar de toda a programação, a outra metade, devido às restrições de espaço nos laboratórios usados durante os treinamentos práticos, só acompanhou os conteúdos teóricos ministrados na parte da manhã.

O curso foi idealizado por Jussara Lopes de Miranda (IQ/UFRJ), Luiza Cristina de Moura (IQ/UFRJ) e Fernando L. Pellegrini Pessoa (EQ/UFRJ). Segundo Miranda, a ideia partiu da percepção de que havia uma demanda latente entre os alunos dos cursos relacionados à química. “Eles queriam algo específico sobre o biodiesel que não havia no escopo do curso de química”, conta a professora.

Foi assim que, em 2008, a trinca convidou o professor Paulo Suarez, do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB) para ministrar no Rio de Janeiro um dos cursos sobre biodiesel que ele já vinha organizando na capital federal desde 2004. A professora Miranda conta que, embora menos ambicioso, esse primeiro esforço mostrou que a ideia tinha musculatura para sair andando.

Eles definiram um currículo que soma aulas teóricas ministradas sempre por pesquisadores de ponta com um módulo laboratorial no qual os alunos podem conhecer mais a fundo os procedimentos envolvidos nos processos de obtenção e controle de qualidade do biodiesel. Desde então, já organizaram quatro edições do BOA sempre com lotação esgotada e atraindo profissionais de empresas e organizações governamentais de primeira linha. Na edição do ano passado, eles resolveram abrir uma turma especial para alunos que quisessem participar apenas o módulo teórico.

“As palestras que fazem parte do BOA são de altíssimo nível e muito bem avaliadas pelos alunos. Como tem muita gente que não tem disponibilidade de tempo para participar de um curso de cinco dias em imersão total, abrimos essa possibilidade para que esses profissionais acompanhassem só o módulo teórico”, explica a professora Miranda.

Pioneiro
As investidas de Paulo Suarez nessa área, embora tivessem um foco bem diferente, começaram alguns anos antes. O pesquisador explica que os primeiros cursos que ele organizou na UnB eram voltados à professores do ensino médio que queriam trabalhar conteúdos relacionados ao biodiesel em sala de aula. “Eles estavam sendo questionados sobre isso pelos alunos e queriam entender do que se tratava. Uma vez por ano a gente fazia um curso voltado a professores da rede pública”, explica.

A demanda, contudo, ia bem mais longe.  Por conta da quantidade enorme de conteúdos que precisam entrar na grade curricular dos cursos de graduação em química ou engenharia química, Suarez reconhece que nem sempre dá para tratar em profundidade da área de oleoquímica. “Dada a enormidade de assuntos que precisamos tratar, não temos como nos aprofundar em muitas áreas. Isso faz com que os alunos de química sempre tenham que procurar formação adicional”, explica.

Embora ressalte que a UnB não tem nada programado especificamente para o biodiesel para esse semestre, Suarez costuma realizar um curso de extensão com 60 horas-aula sobre o tema. Segundo ele, atualmente o acesso à informação melhorou bastante e hoje já existirem várias iniciativas de formação específica para o biodiesel – sempre muito concorridos.

Ele destaca, inclusive, a criação do curso de Tecnologia em Biocombustível criado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) em seu campus de Matão como uma novidade bastante positiva para a área.

O problema algumas vezes passa pelo custo, como explica Jussara Miranda da UFRJ. “Normalmente esses são cursos muito caros” diz. Ela ressalta que, por ser organizado dentro de uma instituição de ensino pública, o curso da UFRJ não tem fins lucrativos o que contribui para atrair ainda mais gente.

curso-boa2012

Mais informações sobre o curso da UFRJ aqui.
 
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
Tags: Curso Cursos