Depois de anos a fio dependendo quase exclusivamente da soja e do sebo, o mix de matérias-primas utilizadas pela indústria do biodiesel está ficando mais diversificado. E de forma bastante acelerada. Segundo números divulgados nessa quinta-feira (17) pela a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) só no primeiro semestre desse ano 17,9% de todo o biodiesel fabricado no país ao longo do primeiro semestre foram feitos a partir de fontes óleos e gorduras diferentes da soja e do sebo bovino puros.
Depois de anos a fio dependendo quase exclusivamente da soja e do sebo, o mix de matérias-primas utilizadas pela indústria do biodiesel está ficando mais diversificado. E de forma bastante acelerada. Segundo números divulgados nessa quinta-feira (17) pela a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) só no primeiro semestre desse ano 17,9% de todo o biodiesel fabricado no país ao longo do primeiro semestre foram feitos a partir de fontes óleos e gorduras diferentes das duas majoritárias.
Estamos falando de um total de 324,9 milhões de litros. Isso representa um salto de 208,2% sobre o volume que havia sido fabricado com essas matérias-primas no mesmo período do ano passado.
A percepção de que a indústria está em plena transição de sua matriz de matérias-primas já vem acontecendo há alguns meses. A partir de meados do ano passado, a participação de matérias-primas diferentes da soja e do sebo avançou de meros 4% até chegar a 19,7% em janeiro deste ano. Desde então, elas vêm flutuando entre 13% e 18,5%.
Opaco
Encarar essa mudança como um case de sucesso de diversificação, entretanto, pode ser precipitado.
O grande senão nessa narrativa é o que, de fato, entra na conta dos ‘outros materiais graxos’. Essa categoria se tornou o grande símbolo desse novo arranjo do mix de óleos e gorduras que abastece o setor.
Nos últimos 15 meses – com exceção de um soluço em abril – a fatia do mercado dos ‘outros’ vem crescendo de forma consistente. Em abril de 2016, eles respondiam por menos de 1,5% da produção mensal, em junho passado eles já estavam representavam mais de 12% do total.
No somatório semestral, foram 214,1 milhões de litros de biodiesel fabricados com ‘outros materiais graxos’ o que representa 11% do total fabricado. Um crescimento de praticamente 429,4% na comparação com o período do ano anterior.
O problema real é que ninguém, de fato, sabe o que eles são. Não há uma definição muito rigorosa do que deve ser enquadrado nessa categoria. Isso permitiria que algumas usinas voassem abaixo do radar e fabricassem com matérias-primas perfeitamente convencionais enquanto declara usar ‘outros materiais graxos’.
Em razão desse desconhecimento BiodieselBR.com vai passar a denominar outros materiais graxos, como matérias-primas desconhecidas
Avanço acelerado
Nem tudo nesse processo de expansão das matérias-primas alternativas, no entanto, é tão incerto. Outras fontes também vêm crescendo de forma acelerada.
A gordura de frango, por exemplo, cresceu incríveis 865,7% comparação entre este semestre o primeiro semestre de 2016.
Os volumes absolutos, contudo, ainda são consideravelmente modestos. Em 2017, foram produzidos 18,7 milhões de litros de biodiesel de frango.
No mesmo período, a gordura de porco rendeu outros 43,3 milhões de litros o que representa um avanço de 107%. Já o óleo de fritura reaproveitado saltou 93,8% atingindo 24,8 milhões de litros no período.
Campeãs
Em relação ao mês de maio, a soja perdeu espaço indo de 70,9 para 68,2%. Em junho foram produzidos 245 milhões de litros de biodiesel de soja o que absorveu a fração em óleo correspondente ao esmagamento de 1,17 milhão de toneladas do grão.
Desde janeiro, a indústria de biodiesel já produziu 1,35 bilhão de litros de biodiesel de soja – 10,2% menos que no ano passado – o que representa, em óleo, o equivalente ao processamento de 6,51 milhões de toneladas de soja.
Já o sebo fechou o mês de junho com um e meio ponto percentual sobre maio chegando à 13,6% do mercado. Esse foi o quarto mês seguido de recuperação na participação da gordura bovina. Em março, o subproduto da atividade frigorífica havia registrado 9,3% de participação – desde que a ANP passou a acompanhar o mercado em 2008, o sebo havia ficado abaixo de 10% apenas entre julho e agosto de 2011.
Foi um resultado que lhe custou, por um mês pelo menos, sua tradicional segunda posição no mercado quando foi superada justamente pelas matérias-primas desconhecidas.
De janeiro a junho de 2017, o sebo respondeu por 245,2 milhões de litros de biodiesel fabricados. Trata-se de uma contração de 23,7% em relação ao primeiro semestre de 2016.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Depois de anos a fio dependendo quase exclusivamente da soja e do sebo, o mix de matérias-primas utilizadas pela indústria do biodiesel está ficando mais diversificado. E de forma bastante acelerada. Segundo números divulgados nessa quinta-feira (17) pela a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) só no primeiro semestre desse ano 17,9% de todo o biodiesel fabricado no país ao longo do primeiro semestre foram feitos a partir de fontes óleos e gorduras diferentes das duas majoritárias.
Estamos falando de um total de 324,9 milhões de litros. Isso representa um salto de 208,2% sobre o volume que havia sido fabricado com essas matérias-primas no mesmo período do ano passado.
A percepção de que a indústria está em plena transição de sua matriz de matérias-primas já vem acontecendo há alguns meses. A partir de meados do ano passado, a participação de matérias-primas diferentes da soja e do sebo avançou de meros 4% até chegar a 19,7% em janeiro deste ano. Desde então, elas vêm flutuando entre 13% e 18,5%.
Opaco
Encarar essa mudança como um case de sucesso de diversificação, entretanto, pode ser precipitado.
O grande senão nessa narrativa é o que, de fato, entra na conta dos ‘outros materiais graxos’. Essa categoria se tornou o grande símbolo desse novo arranjo do mix de óleos e gorduras que abastece o setor.
Nos últimos 15 meses – com exceção de um soluço em abril – a fatia do mercado dos ‘outros’ vem crescendo de forma consistente. Em abril de 2016, eles respondiam por menos de 1,5% da produção mensal, em junho passado eles já estavam representavam mais de 12% do total.
No somatório semestral, foram 214,1 milhões de litros de biodiesel fabricados com ‘outros materiais graxos’ o que representa 11% do total fabricado. Um crescimento de praticamente 429,4% na comparação com o período do ano anterior.
O problema real é que ninguém, de fato, sabe o que eles são. Não há uma definição muito rigorosa do que deve ser enquadrado nessa categoria. Isso permitiria que algumas usinas voassem abaixo do radar e fabricassem com matérias-primas perfeitamente convencionais enquanto declara usar ‘outros materiais graxos’.
Em razão desse desconhecimento BiodieselBR.com vai passar a denominar outros materiais graxos, como matérias-primas desconhecidas
Avanço acelerado
Nem tudo nesse processo de expansão das matérias-primas alternativas, no entanto, é tão incerto. Outras fontes também vêm crescendo de forma acelerada.
A gordura de frango, por exemplo, cresceu incríveis 865,7% comparação entre este semestre o primeiro semestre de 2016.
Os volumes absolutos, contudo, ainda são consideravelmente modestos. Em 2017, foram produzidos 18,7 milhões de litros de biodiesel de frango.
No mesmo período, a gordura de porco rendeu outros 43,3 milhões de litros o que representa um avanço de 107%. Já o óleo de fritura reaproveitado saltou 93,8% atingindo 24,8 milhões de litros no período.
Campeãs
Em relação ao mês de maio, a soja perdeu espaço indo de 70,9 para 68,2%. Em junho foram produzidos 245 milhões de litros de biodiesel de soja o que absorveu a fração em óleo correspondente ao esmagamento de 1,17 milhão de toneladas do grão.
Desde janeiro, a indústria de biodiesel já produziu 1,35 bilhão de litros de biodiesel de soja – 10,2% menos que no ano passado – o que representa, em óleo, o equivalente ao processamento de 6,51 milhões de toneladas de soja.
Já o sebo fechou o mês de junho com um e meio ponto percentual sobre maio chegando à 13,6% do mercado. Esse foi o quarto mês seguido de recuperação na participação da gordura bovina. Em março, o subproduto da atividade frigorífica havia registrado 9,3% de participação – desde que a ANP passou a acompanhar o mercado em 2008, o sebo havia ficado abaixo de 10% apenas entre julho e agosto de 2011.
Foi um resultado que lhe custou, por um mês pelo menos, sua tradicional segunda posição no mercado quando foi superada justamente pelas matérias-primas desconhecidas.
De janeiro a junho de 2017, o sebo respondeu por 245,2 milhões de litros de biodiesel fabricados. Trata-se de uma contração de 23,7% em relação ao primeiro semestre de 2016.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com