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Soja

Plantio de soja começa tumultuado de MS a RS


Folha de S.Paulo - 21 out 2022 - 10:13

Toda chuva que faltou no verão passado, o que provocou uma forte quebra na produção agrícola, está vindo agora. Com isso, o plantio de soja em várias regiões de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul está muito lento e em ritmo inferior ao da média histórica.

O problema não ocorre apenas no Brasil, mas também no Paraguai. Já a Argentina, terceira maior produtora de soja do mundo, poderá viver um período de seca durante o plantio.

Diante desse cenário, Fernando Muraro, da AgRural, acredita que a safra nacional de soja, que está sendo projetada em até 153 milhões de toneladas, poderá ficar próxima de 150 milhões.

Está-se apostando em uma produtividade muito alta, com base na da safra anterior, para estados do Centro-Oeste e do Matopiba, o que poderá não se confirmar.

Segundo ele, diante do aumento da área plantada para 43 milhões de hectares, a safra deverá crescer, mas só atingirá 153 milhões de toneladas "no melhor dos mundos". Se tiver algum desacerto climático poderá recuar para 147 milhões.

Com isso, dentro de uma normalidade de clima e de produtividade, a safra ficaria entre 149 milhões e 150 milhões de toneladas, acredita.

Assim como no Brasil, o Paraguai também sofre com excesso de chuva nesse período do ano. Alguns produtores, para evitar a chegada das chuvas, ao mesmo tempo em que colhiam o trigo entravam com o trator semeando a soja há algumas semanas.

Apesar da dificuldade de plantio neste ano, a colheita do ano passado foi tão prejudicada pela seca que a produção de 2022/23 será maior do que a safra anterior.

O Paraguai, que conseguiu produzir apenas 4,2 milhões de toneladas de soja no ano passado, deverá obter 12 milhões na safra que está sendo semeada.

O Brasil deverá subir das 125,6 milhões de toneladas obtidas —a previsão inicial era de 144 milhões— para 149 milhões em 2022/23, na avaliação da AgRural.

Já a Argentina, que também teve uma quebra e obteve 44 milhões de toneladas neste ano, deverá atingir 51 milhões no ano que vem.

Olhando para esses números, Muraro diz que a produção volta a seu curso normal, após um ano de forte interferência da seca em 2021/22.

Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), da AgRural e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam que a safra que está sendo semeada poderá atingir 218 milhões de toneladas na América do Sul, 38 milhões a mais do que a obtida neste ano.

Seguindo uma tendência de produtividade, o Rio Grande do Sul, que obteve apenas 24 sacas por hectares na safra 2021/22, deverá atingir 51 sacas nesta. O Paraná sobe de 36 para 56; e Mato Grosso, após o recorde de 62,3 sacas, fica um pouco abaixo.

Diante de tanta incerteza, a comercialização da soja está muito lenta neste ano, segundo Muraro. Até setembro, as vendas futuras da safra 2022/23 somavam apenas 17%, o menor percentual em oito anos. Na média dos últimos cinco anos, a comercialização atinge 35% para o período.

Clima, câmbio e política interferem na comercialização, afirma Muraro. Além disso, energia cara na Europa, lockdown na China, juros elevados, inflação crescente e incertezas com a economia mundial também são fatores a ser considerados, afirma.

A saca de soja para a entrega em fevereiro do próximo ano esteve em R$ 161 em Cascavel (PR) nesta quinta-feira (20), conforme pesquisa da AgRural. Em Chicago, o contrato de novembro fechou a US$ 13,92 por bushel (27,2 kg), com alta de 1,4% no dia.

Mauro Zafalon – Folha de S.Paulo
 Excesso de chuva impede trator de avançar na semeadura da oleaginosa, segundo Fernando Muraro, da AgRural

Toda chuva que faltou no verão passado, o que provocou uma forte quebra na produção agrícola, está vindo agora. Com isso, o plantio de soja em várias regiões de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul está muito lento e em ritmo inferior ao da média histórica.

O problema não ocorre apenas no Brasil, mas também no Paraguai. Já a Argentina, terceira maior produtora de soja do mundo, poderá viver um período de seca durante o plantio.

Diante desse cenário, Fernando Muraro, da AgRural, acredita que a safra nacional de soja, que está sendo projetada em até 153 milhões de toneladas, poderá ficar próxima de 150 milhões.

Está-se apostando em uma produtividade muito alta, com base na da safra anterior, para estados do Centro-Oeste e do Matopiba, o que poderá não se confirmar.

Segundo ele, diante do aumento da área plantada para 43 milhões de hectares, a safra deverá crescer, mas só atingirá 153 milhões de toneladas "no melhor dos mundos". Se tiver algum desacerto climático poderá recuar para 147 milhões.

Com isso, dentro de uma normalidade de clima e de produtividade, a safra ficaria entre 149 milhões e 150 milhões de toneladas, acredita.

Assim como no Brasil, o Paraguai também sofre com excesso de chuva nesse período do ano. Alguns produtores, para evitar a chegada das chuvas, ao mesmo tempo em que colhiam o trigo entravam com o trator semeando a soja há algumas semanas.

Apesar da dificuldade de plantio neste ano, a colheita do ano passado foi tão prejudicada pela seca que a produção de 2022/23 será maior do que a safra anterior.

O Paraguai, que conseguiu produzir apenas 4,2 milhões de toneladas de soja no ano passado, deverá obter 12 milhões na safra que está sendo semeada.

O Brasil deverá subir das 125,6 milhões de toneladas obtidas —a previsão inicial era de 144 milhões— para 149 milhões em 2022/23, na avaliação da AgRural.

Já a Argentina, que também teve uma quebra e obteve 44 milhões de toneladas neste ano, deverá atingir 51 milhões no ano que vem.

Olhando para esses números, Muraro diz que a produção volta a seu curso normal, após um ano de forte interferência da seca em 2021/22.

Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), da AgRural e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam que a safra que está sendo semeada poderá atingir 218 milhões de toneladas na América do Sul, 38 milhões a mais do que a obtida neste ano.

Seguindo uma tendência de produtividade, o Rio Grande do Sul, que obteve apenas 24 sacas por hectares na safra 2021/22, deverá atingir 51 sacas nesta. O Paraná sobe de 36 para 56; e Mato Grosso, após o recorde de 62,3 sacas, fica um pouco abaixo.

Diante de tanta incerteza, a comercialização da soja está muito lenta neste ano, segundo Muraro. Até setembro, as vendas futuras da safra 2022/23 somavam apenas 17%, o menor percentual em oito anos. Na média dos últimos cinco anos, a comercialização atinge 35% para o período.

Clima, câmbio e política interferem na comercialização, afirma Muraro. Além disso, energia cara na Europa, lockdown na China, juros elevados, inflação crescente e incertezas com a economia mundial também são fatores a ser considerados, afirma.

A saca de soja para a entrega em fevereiro do próximo ano esteve em R$ 161 em Cascavel (PR) nesta quinta-feira (20), conforme pesquisa da AgRural. Em Chicago, o contrato de novembro fechou a US$ 13,92 por bushel (27,2 kg), com alta de 1,4% no dia.

Mauro Zafalon – Folha de S.Paulo