Soja

Estudo indica aperto de margens na produção de soja


Globo Rural - 18 out 2023 - 10:04

Se o clima da safra de verão tende a ser favorável, segundo as previsões atuais, o mesmo não se pode dizer sobre a rentabilidade do produtor. De acordo com um levantamento do Centro Internacional de Análises Econômicas e de Estudos do Mercado Agropecuário (Ceema), o custo total para a cultura de soja na temporada 2023/24 caiu 5,2% em relação à safra anterior, mas a receita bruta recuou ainda mais: a queda foi de 16,3% até outubro.

Elaborado pelo professor doutor Argemiro Luís Brum, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijui), o estudo informa que o preço da soja estava em R$ 134,81 no início deste mês, valor 20,5% inferior à média de outubro de 2022, de R$ 169,56. No restante do país, a queda entre outubro do ano passado e de 2023 foi de 24,5%, em média.

Entram na composição do valor da soja as cotações do grão na bolsa de Chicago, o câmbio e o prêmio no Brasil. Hoje, o preço médio da soja em Chicago é 7,2% menor do que o de 12 meses atrás. Já os prêmios no porto brasileiro de Paranaguá (PR), usado como referência no estudo, caíram 89,4% nesse mesmo intervalo.

E a taxa de câmbio, que chegou perto de R$ 6 na virada de 2021 para 2022, caiu para cerca de R$ 4,80 no primeiro semestre de 2023 e ficou em torno de R$ 5,08 no fim da primeira quinzena deste mês. “Tudo isso fez com que os preços nacionais da soja recuassem fortemente”, diz o professor, em nota.

A queda dos custos de produção foi, proporcionalmente, bem menor. No Centro-Sul do Paraná, por exemplo, o custo total de um hectare de soja, que foi de R$ 11,17 mil há um ano, desceu para R$ 10,59 mil em 2023/24. Se considerada a produtividade média da região, a receita bruta da nova safra deve ficar em R$ 8,2 mil o hectare — ela foi de R$ 9,8 mil em 2022/23.

“Essa situação se repete, com diferenças de valores, em todo o país. Confirma-se que, no médio prazo, de nada resolve uma disparada momentânea de preços do grão, já que os custos de produção sobem até mais”, conclui o professor.

Fernanda Pressinott – Globo Rural