Soja

Dono da Caramuru entra para a lista dos sojicultores do país


Brasil Econômico - 24 ago 2012 - 11:14
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O empresário César Borges, um dos donos e vice-presidente da Caramuru Alimentos – empresa nacional que disputa clientes com pesos pesados como Bunge e Cargill –, acaba de entrar na lista dos empreendedores atuais do universo da soja. O passo permitirá que ele ao menos duplique os ganhos com sua fazenda – negócio individual e sem vínculo com a empresa.

cesar borges_caramuru_grafico_01_240812A exemplo da família Cutrale, fabricante de suco de laranja, e de tantos outros empresários, muitos deles pecuaristas, Borges segue o movimento que tem se intensificado no Brasil recentemente. A soja se tornou alvo de investidores porque a demanda tem crescido mais rápido do que a oferta no mundo.

De olho no cenário promissor, o dono da Caramuru reservou boa parte de suas terras para o cultivo de soja em sua fazenda Calixbento – o nome é homenagem à música de Milton Nascimento. “Estou virando sojicultor”, disse César Borges ao Brasil Econômico. “Mas vale o reforço que se trata de um investimento particular, que nada tem a ver com a Caramuru. Vou vender para as empresas que fizerem preço, pode ser a Caramuru, a Cargill ou para o Maggi (Blairo)”. Maggi, conhecido pela expertise em soja, inclusive, tem visitado a propriedade de César Borges. “Meu filho virou sócio na fazenda e está empolgado com o negócio, afinal também vai ganhar dinheiro”, brinca Borges. “E é bom porque ele bebe na fonte da sabedoria, já que é genro do Blairo”, diz, bem humorado.

Dessa forma, os dias estão agitados na fazenda localizada no município de Nova Canaã do Norte (MT) – para chegar lá, a partir de Sinop (MT), é preciso seguir na BR-163 sentido Santarém (PA), virar para Colíder (MT) e seguir em direção à Alta Floresta (MT); mais ou menos no meio do caminho, perto de Colíder, basta entrar numa cidadezinha, será Nova Canaã do Norte. “É o fim do mundo”, brinca. “Mas estou lá há mais de 35 anos, já fui invadido, tive que entrar na Justiça.”

Em meio aos comentários bem humorados, o empresário afirma estar ampliando a área de soja dos cem hectares para 1,5 mil hectares cultivados a partir de setembro, quando terá início a safra de grãos 2012/13 no Brasil. A produção inicial é estimada em cinco mil toneladas do grão. Com esse passo, o faturamento da Calixbento deverá dobrar para os R$ 5 milhões em 2013, estima.

O volume individual de Borges ainda é pequeno perto do tamanho da produção nacional, estimada em 83 milhões de toneladas de soja na safra 2012/13, com base em intenção de plantio, segundo a consultoria especializada Safras & Mercado. No entanto, a soma dos muitos ‘inícios de produção’, de vários investidores, vai colaborar para que o país ultrapasse o maior produtor de soja do mundo, talvez já em 2013, os Estados Unidos. “É claro que os americanos perderam produção com a seca”, lembra Luiz Gutierrez, da Safras. “Mas os novos aportes colaborarão para o futuro”. 

cesar borges_caramuru_grafico_02_240812Além de seu negócio próprio, César Borges, em parceria com o irmão mais novo Alberto, tocam a Caramuru Alimentos, fundada pelo pai em 1964 em Maringá (PR). A companhia nasceu negociando apenas commodities, mas hoje aposta num leque diferenciado de produtos e enfrenta concorrentes do porte das estrangeiras Bunge e Cargill. A lista inclui, além dos grãos de soja e milho, biodiesel e derivados de grãos – caso dos óleos especiais e proteínas –, além de itens como farináceos e cereais que constituem a linha da marca Sinhá, distribuída no varejo.

A diversificação não deve parar por aí. A companhia espera começar a vender uma proteína concentrada de soja conhecida como spc a partir do início de 2013. “A ideia é comercializar o produto para quem pagar o prêmio do não-transgênico. Andamos conversando com compradores em potencial da Noruega”, disse. Sem ainda mensurar o efeito que o negócio poderá trazer ao caixa, Borges diz que os clientes alvo são os criadores de peixes, principalmente os de salmão.


Para 2012, mesmo sem contabilizar a nova proteína no faturamento, a Caramuru estima receita de US$ 1,2 bilhão, avanço de 10% em dólar. O crescimento deriva de um conjunto de fatores: alta de preço de commodities e aumento de vendas, tanto dos produtos básicos como dos que têm maior valor agregado. Porque agrega valor, a linha Sinhá tem ganho a atenção dos Borges e, em 2011, faturou R$ 250 milhões, avanço de 18% ante 2010.

Érica Polo
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