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Soja

Após seis altas consecutivas, soja recua mais de 4% em Chicago


Valor Econômico - 02 ago 2022 - 09:29

Após subir em seis pregões consecutivos, o preço da soja encerrou esta segunda-feira em forte queda na Bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento para novembro, os mais negociados, caíram 4,26% (62,50 centavos de dólar), a US$ 14,06 por bushel.

Segundo Luiz Fernando Gutierrez, analista da Safras & Mercado, o recuo deveu-se, em grande parte, a uma correção técnica após a série de altas. Os fundamentos de oferta e demanda dos grãos permanecem inalterados, afirma ele.

“A valorização de 10% na última semana abre espaço para correções como essa. Essas são movimentações naturais nesse período de ‘mercado climático’ que estamos vivendo”, explicou.

Nos últimos dias, afirma ele, as condições climáticas melhoraram um pouco em algumas áreas produtoras dos EUA, o que também ajuda a pressionar os preços. No entanto, a melhora não foi suficiente para reverter o déficit hídrico das plantações.

“As regiões central e sul do Cinturão de Milho foram as mais beneficiadas pelas chuvas nos últimos sete dias, mas os volumes ainda foram insuficientes. A área mais ao norte segue com o tempo seco, e as temperaturas elevadas são o maior fator de preocupação neste momento”, destacou.

Milho

A retomada dos embarques de grãos ucranianos pelo Mar Negro derrubou os preços do milho em Chicago. Os contratos para dezembro, os mais negociados, caíram 1,65% (10,25 centavos de dólar), a US$ 6,0975 por bushel.

O primeiro navio com grãos da Ucrânia a navegar pelo Mar Negro desde o início da guerra com a Rússia, em fevereiro, tem bandeira de Serra Leoa e deixou o porto de Odessa, no sul da Ucrânia, com 26 mil toneladas de milho. Segundo o ministro de Infraestrutura da Ucrânia, Oleksandr Kubrakov, a embarcação passará por uma inspeção em Istambul, na Turquia, antes de chegar ao porto de Trípoli, no Líbano.

O mercado também segue atento ao clima nos EUA, onde o calor e a secura têm prejudicado as lavouras. Para os próximos dias, os mapas do serviço atmosférico americano mostram forte onda de calor na parte norte do cinturão produtor.

Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, explica que o tempo quente e seco nos EUA ainda pode prejudicar o milho, mas a perda potencial diminuiu, já que a fase mais crítica para o desenvolvimento ocorreu em julho. “E os estoques de passagem estão mais confortáveis do que os da soja, ainda que não sejam grandes”, disse.

Trigo

O trigo também recuou em Chicago após a Ucrânia realizar o primeiro embarque de grãos pelo Mar Negro. Os contratos para setembro, que são os de maior liquidez, fecharam em queda de 0,93% (7,50 centavos de dólar), a US$ 8,0025 por bushel. Os papéis de segunda posição, que vencem em dezembro, caíram 0,82% (6,75 centavos de dólar), para US$ 8,19 por bushel.

"Se esse corredor for razoavelmente bem-sucedido, ele ajudará a aliviar a escassez de grãos na Europa, Oriente Médio, África e Ásia", disse à Dow Jones Michael Magdovitz, analista do Rabobank. "Os portos de Odessa têm cerca de 600 mil toneladas de grãos prontas para embarque em 16 navios. Isso representa quase 50% das exportações mensais por via terrestre desde o início da guerra", complementou.

O operador do mercado de trigo Marcelo de Baco ressalta que os preços do cereal podem cair ainda mais caso o corredor de exportação funcione como previsto. Com a oferta do cereal aumentando gradativamente, as cotações podem voltar a patamares pré-guerra, abaixo de US$ 7 por bushel.

“O início das operações no corredor de exportação vai dar uma ideia mais clara ao mercado do funcionamento do acordo, pois vai sinalizar aos compradores o quanto de oferta a mais teremos disponível. Com mais produto, haverá uma corrida dos vendedores para colocar o trigo no mercado, e tanto Ucrânia quanto Rússia vão baixar o preço”, afirmou. Segundo o operador, a Ucrânia tem cerca de 8 milhões de toneladas de trigo para embarcar.

Fernanda Pressionott, José Florentino e Paulo Santos – Valor Econômico

Tags: Chicago Soja