Dendê / Palma

Esquenta o debate sobre o biodiesel de palma na Colômbia


BiodieselBR.com - 18 abr 2012 - 10:57
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O cultivo de palma de óleo tem se tornado um tópico de discussão acalorada na Colômbia. Segundo a Federação Nacional de Cultivadores de Palma de Óleo (Fedepalma) da Colômbia, o biodiesel feito com óleo de dendê pose ser considerado um combustível renovável e ambientalmente amigável e, por isso, tem cada vez maior aceitação no mercado externo. A Colômbia possui mais de um milhão de hectares adequados para o plantio de palma de óleo e mais 2,5 milhões considerados moderadamente qualificados.

Tem ganhado ressonância as denúncias de que algumas das maiores empresas colombianas que exploram comercialmente a cultura no norte do País têm sido responsáveis por aumentos no desmatamento e deslocamento de populações locais. Isso tem alimentado um debate sobre se o biodiesel de palma é tão renovável quanto os produtores querem fazer parecer e se ele coloca em risco a produção de alimentos para a população mais humilde.

Alguns ambientalistas do país redobraram as críticas desde que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos anunciou que o biodiesel fabricado de óleo de palma não reduz de maneira satisfatória as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) e portanto não se enquadra como um combustível renovável pelo governo norte-americano [http://www.biodieselbr.com/noticias/materia-prima/dende/eua-exclui-oleo-palma-indonesia-malasia-280212.htm].

A acusação é que – quando computadas as emissões causadas pela supressão de matas nativas – os biocombustíveis feitos de óleo de palma, soja e canola podem apresentar emissões de GEEs superiores a dos combustíveis fósseis. Isso reforça a tendência de abandonar os biocombustíveis de primeira geração e caminhar para a chamada segunda geração – biocombustíveis feitos a partir de resíduos agrícolas ou urbanos e espécies vegetais não alimentares de alta produtividade.

Os produtores se defendem, argumentando que a palma vem sendo hostilizada pelas grandes petrolíferas. Segundo eles, essas companhias tem financiado a divulgação seletiva dos aspectos mais negativos relacionados à palma – em alguns casos até veiculando informação pseudo-científica.

A fim de esclarecer essa disputa o Vanguardia Liberal entrevistou o presidente-executivo da Fedeplama, Jens Mesa Dishington.

É verdade o que biodiesel de palma terá um futuro curto?
Jens Mesa Disghington: Absolutamente. O biodiesel, como outras energias alternativas, tem cada dia mais aceitação e mercado mais amplo. Especialmente pelo esgotamento dos combustíveis fósseis e seu enorme impacto no aquecimento global. No caso específico do biodiesel de palma, o futuro é promissor devido à alta produtividade, baixo impacto ambiental e bom comportamento nos motores.

Quais são as vantagens ou desvantagens de biodiesel de palma?
JMD: O óleo de palma tem muitas vantagens. Tanto para a indústria de alimentos como para usos industriais não alimentares – o que inclui o biodiesel. Por sua alta produtividade, a palma exige menos terras para produzir do que qualquer outra cultura. Além disso, o biodiesel de palma tem vantagens sobre o feito com outras oleaginosas por sua estabilidade à oxidação e alto número de cetanos.

Faz sentido a argumentação dos ambientalistas de que o biodiesel de palma não será comprado pelas grandes potências e que ele ameaça a segurança alimentar?
JMD: A relação entre segurança alimentar e biocombustíveis precisa ser avaliada no contexto de cada país. A Colômbia tem muita terra usada para a pecuária extensiva e culturas pouco produtivas. Intensificar um pouco a agropecuária geraria mais empregos e aumentaria a produção de forma que poderíamos desviar parte disso para os biocombustíveis sem afetar a segurança alimentar.

As emissões de GEEs do biodiesel de palma são superiores às do óleo diesel?
JMD: Muito pelo contrário. Biodiesel de dendê contribui significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa e de material particulado. Um estudo recente da Empa, um dos organismos europeus mais reconhecidos em pesquisa ambiental, avaliou o ciclo de vida do biodiesel de palma colombiano. O resultado deles indica que nosso produto reduz as emissões de GEEs em mais de 83% quando comparado ao diesel mineral. O resultado poderá ser ainda maior conforme sejam feitos investimentos no tratamento de águas residuais e captura do metano produzido.

Qual é o mercado real para esse produto nos próximos 20 anos?
JMD: A política de produção e consumo de biocombustíveis é relativamente nova no mundo e, neste estágio, tende a dar preferência à produção local. Como o mercado de exportação ainda não está maduro, os mercados nacionais são os mais viáveis. É o que acontece na Colômbia. Atualmente temos em funcionamento uma mistura de 10% de biodiesel no diesel fóssil em todo o país, exceto em Bogotá onde a mistura é de 7%. É importante notar que as plantações estão crescendo e, nos próximos anos, entrará em produção o bastante para chegarmos a uma mistura de 20%.

Qual é a área real que está produzindo óleo de palma na Colômbia?
JMD: A Colômbia tem 430 mil hectares plantados e tem muitos recursos que poderiam ser usados nesta cultura se existissem condições favoráveis para o investimento. A decisão de plantar é de investidores, porque este é um negócio que tem seus riscos.

Qual seria a área da palma para atender aos requisitos de biodiesel no país?
JMD: Uma mistura de 10% requer cerca de 100 mil hectares. Já o B20 exigiria cerca de 200 mil ha.
 
Fonte: Vanguardia Liberal - Colômbia
Tradução BiodieselBR