Dendê / Palma

Embrapa estuda aplicações para resíduos de dendê


BiodieselBR.com - 20 abr 2012 - 17:08 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Transformar um resíduo em produto de alto valor agregado. É esse o objetivo do projeto de pesquisa NanofiBRa - Extração das nanofibras de celulose dos cachos vazios de dendê e sua utilização como reforço para borracha natural, que a Embrapa Agroenergia inicia neste mês de abril.

A palma-de-óleo ou dendezeiro é uma planta que tem grande potencial para a produção de biodiesel, devido à sua elevada produtividade. Ela chega a render 6 toneladas de óleo por hectare, enquanto a soja – principal matéria-prima do biocombustível no Brasil – gera entre 500 e 600 quilos por hectare.

Entretanto, há um problema: para cada tonelada de óleo de dendê obtida, sobra 1,1 tonelada de cachos vazios. Atualmente, esse resíduo é devolvido aos produtores rurais para ser utilizado na fertilização do solo. “Nossa ideia é aproveitar a celulose desse material para transformá-lo em um produto que agregue valor à cadeia produtiva do dendê”, explica o pesquisador da Embrapa Agroenergia Leonardo Valadares, que é líder do NanofiBRa.

O projeto integra a Rede AgroNano, programa de nanotecnologia da Embrapa que tem à frente a unidade de Instrumentação da empresa localizada em São Carlos/SP. A rede já estudou a preparação de nanocompósitos formados por borracha natural e fibra de algodão que obtiveram materiais promissores. Leonardo conheceu a iniciativa e pretende desenvolver um processo semelhante para aproveitar a celulose dos cachos de dendê. Os processos de purificação e hidrólise da celulose geram efluentes que por sua vez poderão ser empregados em cogeração de eletricidade e produção de etanol de 2ª geração, que possibilidade de estudos futuros.

“Se obtiver sucesso, esta pesquisa pode reduzir o impacto ambiental não só da produção de dendê”, diz o pesquisador. Isso porque os nanocompósitos a serem desenvolvidos têm potencial para substituir parcialmente a borracha vulcanizada que não é degradável nem pode ser queimada ao ar livre, sob o risco de provocar chuva ácida.

O projeto deve durar dois anos. A primeira etapa prevê a elaboração de uma metodologia para extração de nanofibras de celulose dos cachos vazios. A partir daí, os materiais obtidos serão caracterizados por diversas técnicas instrumentais. As etapas finais serão o desenvolvimento do processo de preparação de nanocompósitos, estudo de suas propriedades e possíveis aplicações.

Além da Embrapa Agroenergia, participam do projeto a Embrapa Cerrados (Planaltina/DF) que irá fornecer e processar preliminarmente a matéria-prima. A Embrapa Instrumentação (São Carlos/SP) e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília/DF) analisarão as propriedades das nanofibras e dos nanocompósitos.

Vivian Chies
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