Canola

Desafios para estruturar a canola no Brasil – Fábio Benin [Agribio]


BiodieselBR.com - 23 jul 2012 - 11:43
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O agrônomo Fábio Benin foi convidado a falar aos presentes sobre as “Dificuldades para a estruturação de uma cadeia produtiva”. Como coordenador do Departamento de Fomento da BSBios e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), ele tem sido um dos principais responsáveis pelos esforços que sua empresa vem desenvolvendo para consolidar o plantio da canola como uma alternativa para as lavouras de inverno nos estados da Região Sul.

De acordo com o agrônomo, embora a questão da diversificação das matérias-primas seja uma das premissas contidas no próprio PNPB e no Selo Combustível Social, transformar isso em realidade não tem sido uma tarefa fácil. O resultado é que a indústria continua dependendo da soja o que a deixa numa situação bastante complicada sempre que algo acontece com essa cultura, a exemplo da quebra de safra registrada este ano na Região Sul. Existe, portanto, o desafio de criar alternativas para a indústria.

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A BSBios tem apostado que a canola pode ser uma opção das mais interessantes para as lavouras de inverno dos pequenos agricultores da Região Sul. Mas, seus esforços para viabilizar essa alternativa tem ido de encontro a uma série de obstáculos que começam na preparação dos profissionais de assistência técnica para levarem a informação aos agricultores. “Essa é uma cultura nova e os técnicos têm necessidade de buscarem mais informações sobre ela. Eu mesmo tive minhas dúvidas quando comecei”, admitiu. Ele acrescentou que embora já exista uma tecnologia bem desenvolvida para o manejo da canola, por falta de um mercado mais bem estruturado, o Brasil ainda é carente de insumos para essa planta. “Ainda faltam defensivos e sementes híbridas de boa qualidade”, disse.

Contudo, a primeira barreira que precisa ser vencida quando se fala no estabelecimento de uma nova cadeia produtiva rural, é o convencimento dos próprios produtores. Segundo Benin, o tipo de produto cultivado em determinada região quase sempre está culturalmente enraizado. Muitos agricultores relutam em começar a plantar canola em suas lavouras de inverno simplesmente porque estão acostumado a reservar o período da safrinha para o plantio de trigo ou de milho. A questão mais importante, portanto, é mostrar ao produtor o que ele tem a ganhar optando pela novidade.

Uma forma de suavizar esse choque cultural é apresentar formas de harmonizar a nova cultura dentro do sistema de produção com o qual os produtores já estão acostumados. “É importante convencer os agricultores que a canola se encaixa bem nos esquemas de rotação de culturas que eles já usam e não concorre com as outras lavouras”, diz, explicando que hoje uma área muito grande permanece em pouso durante o inverno sem receber qualquer plantio. “Então, podemos crescer a canola sem que ela concorra com outras culturas mais tradicionais”, aponta Benin.

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Organização

Para o palestrante uma dificuldade adicional vem do fato de que não existe uma integração apropriada entre os diversos agentes que poderiam catalisar a atividade de fomento. Benin considera que seria muito mais fácil viabilizar uma nova cadeia caso agentes financeiros, cooperativas, federações, sindicatos e entidades de pesquisa trabalhassem de forma mais orgânica. “Essa integração dá sustentabilidade à cadeia nova, o que não acontece se forem só as empresas trabalhando isso”, prosseguiu. Ele ressaltou a importância do zoneamento agroclimático para que os agricultores tenham acesso ao financiamento e ao seguro de suas lavouras.

Uma vez realizado o trabalho de convencimento, passa a ser importante não descuidar do apoio ao produtor. A transferência de tecnologia precisa ser intensificada em ações bastante pulverizadas, incluindo atividades de capacitação e ações da equipe técnica da empresa interessada no fomento, incluindo a participação em eventos e feiras rurais e o envolvimento de outras entidades de assistência técnica. Benin lembra que uma das ações mais bem-sucedidas da BSBios no incentivo à canola tem sido a promoção de um evento anual de abertura da safra dessa oleaginosa no Rio Grande do Sul.

Outra estratégia que tem sido adotada é o fomento de áreas demonstrativas. Dessa forma, os agricultores podem ver mais de perto as bases agronômicas da nova lavoura e também constatar que a produção pode ser rentável em suas propriedades. Para tanto é preciso dar clareza nas políticas de comercialização dos novos produtos agrícolas para que a cultura fomentada tenha a liquidez necessária para ser uma opção comercialmente rentável.

O palestrante avaliou que hoje o maior desafio a ser solucionado ainda está na falta de defensivos e outros insumos comprovados comercialmente disponíveis para a canola. “Isso é importante até para conseguirmos financiamentos para a lavoura”, completou.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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